Professor, pastor, teólogo e educador corporativo Textos escritos para a coluna semanal no Correio Popular, da cidade de Campinas e texto escritos depois de 2021, que tratam de temas nacionais, internacionais, sobre igreja e teologia
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terça-feira, 3 de maio de 2011
LEGALMENTE ...
Dia destes estive em um restaurante e serviram caldeirada. Uma cumbuca de barro com toda sorte de frutos do mar, fervendo. Olhei e fiquei pensando quantas vezes somos iguais: um monte de coisas fervendo dentro da gente, frutos de todas as espécies.
Estou assim. Ontem completei sessenta e confesso que fiquei igual a uma caldeirada, fervendo vários sentimentos que se me afloraram.
De gratidão por ter chegado até aqui, mesmo depois de ter passado por dois sustos que me levaram à experiência de proximidade da morte. Um choque com contraste que me deu uma parada cardíaca e uma cirurgia que complicou e que achei que não sairia dela. De gratidão por ter vivido intensamente cada momento da vida, desfrutando das bênçãos. Por ter tido tão variadas experiências e oportunidades que meus netos não vão dizer que repito histórias. Por ter estado no ministério, de várias formas e maneiras, em um compromisso com o outro.
De ansiedade porque, para mim, a vida até os dezoito anos de idade parecia ser uma subida íngreme, demorada. Quando cheguei ao topo, era descida e a sensação que tenho que sou um caminhão carregado de experiências, morro a baixo, na banguela: cada vez com mais velocidade. Muitas vezes me sinto como um avião que está voando, mas que vou tomando consciência de que a gasolina está acabando e que mais cedo ou tarde, dependendo dos ventos e das condições meteorológicas, terei que aterrissar.
De indignação: por força de lei e imposição cultural, de um dia para o outro passo a ser idoso, ainda que não me sinta assim. É verdade que não me sinto um jovem de dezoito anos, mas idoso... Que raios deu na cabeça dos legisladores e dos categorizadores sociais, de que, por ter sessenta, tenho que ser visto como idoso. Pertenço a uma geração em que idoso era sinônimo de rabugice, de ranhetice. Sou da geração que viveu a mudança do paradigma do ranheta para o da melhoridade (eufemismo?).
Mas acho que o que mais me incomoda é que, por força de lei, agora estou em pé de igualdade com grávidas e deficientes. De um dia para o outro, eu que pegava filas nos bancos, posso ser atendido prioritariamente. Nada mudou em mim. Ainda tenho pernas e disposição para enfrentar as filas. Mas a lei parece que acha que da meia noite de um dia para o outro, me tornei inválido. Já rodei um bocado este mundo de meu Deus e não me lembro de haver visto esta jabuticaba de dar ao idoso os privilégios que aqui nos são dados. Não me lembro de estacionamento para idosos nos EUA, China ou Europa. Não me lembro de filas especiais e caixas dedicados a este segmento. Talvez porque ali se preza e se respeita o idoso. Aqui, nem com vaga demarcada respeitam.
A partir de hoje sou legalmente idoso. Sob protestos, mas desfrutando da idade.
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BANCOS E BANCOS
Na minha recente viagem à República Dominicana por algumas vezes tive que ir a uma agência bancária, acompanhando a pessoa que me hospedava. Confesso que fiquei surpreso e não pude deixar de considerar as diferenças entre o que vi e o que sofro.
A agência, de padrão médio no seu tamanho, tinha 14 caixas, com operadores em todos eles. Não havia ninguém na fila, quatro dos operadores estavam atendendo clientes e os outros 10 estavam esperando clientes. Em uma das vezes fiquei mais de duas horas esperando a solução de um problema de transferência internacional de dinheiro e não vi, em nenhum momento, formar-se fila para o atendimento.
Logo que chegamos à agência, meu amigo, um estadounidense, me informou que eu deveria tomar um café na agência, porque era o melhor que ele já havia tomado. Achei que era uma cafeteria interna que cobrava pelo café servido. Qual nada. Era café servido gratuitamente aos clientes.
O estacionamento amplo era gratuito.
Não havia a maldita porta giratória, mentira de detecção de metais existente na grande maioria das agências, que se trava segundo a vontade de um mal treinado segurança. Na verdade as portas giratórias detectam negros e mulheres, quase sem exceção parados e depenados de seus pertences antes que possam entrar.
Um amigo, não dominicano e não cliente do banco, precisava trocar um cheque em dólares para ter algo para gastar em moeda nacional. O banco girou o cheque sob a garantia do gringo que era cliente. E pagaram a cotização corrente, sem taxas ou outras cobranças subreptícias.
A transferência internacional de recursos para que a Conferência se realizasse se deu em menos de uma hora.
Ontem tive que ir a três agências bancárias brasileiras, de três bancos diferentes, dois estatais e um privado. Em todos eles só haviam três ou quatro caixas. Em um deles os três existentes estavam com operadores, mas que, quando perceberam que a fila diminuiu, passaram a fazer outras coisas e não atenderam mais, como se houvesse um número mínimo de clientes que devem ficar na fila, não importa o motivo. Nos outros dois, no que pese haver quatro caixas, em um não havia operador em um deles e no outro faltavam dois. A razão alegada quando perguntei, era que estavam em horário de almoço, no que pese ser este um dos horários de maior quantidade de clientes. Demorei em um deles 35 minutos para ser atendido. No outro, não havia dinheiro no caixa eletrônico dentro da própria agência!!!
Na minha frente havia um correntista tentando sacar um cheque próprio que era de outra agência e não lhe permitiram. Um título vencido só podia ser pago no banco emissor do bloqueto, no que pese a existência do código de barras, uma câmara de compensação de títulos e as instruções sobre multas e juros.
Não havia café, o banheiro, se existe, só um iluminado é quem sabe onde fica, o estacionamento é pago. E quando recebo o extrato, percebo que fui tungado em taxas e tarifas que só um iniciado em siglas e mutretas consegue entender.
Há bancos e bancos. No Brasil eles colocam bancos para a gente esperar sentado. E nós bancamos os maiores lucros da banca internacional.
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CIDADES DE PAZ
Estou aqui na República Dominicana para a Conferência de Igrejas Históricas da Paz, que reúne as três famílias denominacionais de igreja que historicamente tem trabalhado pela paz: a Irmandade, os Quáqueros e os Menonitas.
Gente vinda de 19 países se reuniu aqui naquilo que foi o berço da mal denominada colonização da América, quando em 1492, os espanhóis aqui chegaram e daqui se esparramaram pelo Continente, levando a cruz e a evangelização, e com ela a violência e a exploração.
Nesta terra das Américas muito se fez que atentou contra a paz, nos níveis individuais, familiares, sociais, religiosos. Ouro foi levado aos montes para a Europa e populações inteiras de indígenas foram dizimadas, como o que ocorreu em Cuba e República Dominicana, e outros poucos sobraram em outros países.
Nesta América se teve a primeira nação livre e negra, o Haiti, formada por escravos que haviam sido trazidos para as plantações de cana. Chama atenção o fato de, no que pese o fato de ser a mais antiga nação livre da América e quase totalmente negra, é até o hoje a mais pobre desta América. Não posso deixar de mencionar que sempre achei que esta situação se deve à discriminação racial que se fez e faz em relação a esta nação.
Uma coisa me chamou a atenção: o nível de violência nas cidades latino americanas, os mais altos do mundo. Em parte isto de deve ao tráfico, em parte à corrupção, em parte a uma cultura de violência em que fomos criados e que se perpetua nos meios de comunicação. Mas não poderia deixar de mencionar e ressaltar que também isto se deve à omissão das igrejas que tem pregado um evangelho alienante e alienado, insistindo na salvação das almas e na prosperidade mágica, mas deixando de lado o cerne de que o evangelho é boa nova de paz.
João Driver, teólogo latino americano que tem se notabilizado por sua contribuição sobre a teologia da paz, afirmou aqui nesta Conferência: “se o que pregamos não é o evangelho da paz, não pregamos evangelho algum”. E esta paz não é só a paz com Deus, mas a paz que se estende ao próximo e estabelece novas relações, elimina barreiras, quebra inimizades, perdoa ofensas e dívidas.
Queremos que nossas cidades tenham paz e para tê-la precisamos pregar a paz que o evangelho traz, perdoar e restabelecer relações. Não é uma questão de prosperidade: é uma questão de acabar com a inimizade.
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POR QUE, VOVÔ?
Dia destes sai com meu neto para ir ao mercadinho e andamos pela rua até lá. Ao caminhar, passamos por um local onde pessoas se sentam debaixo de uma árvore para almoçar. No local havia papel, marmitex e garrafa pet jogados ao léu.
Ele ficou indignado e me perguntou: “por que as pessoas sujam o planeta? Será que eles não sabem que isto faz mal para eles e para os outros? Custa muito colocar as coisas no lixo?”
Mal tinha acabado de me perguntar estas coisas, ele pegou a garrafa pet na mão. Eu perguntei o que iria fazer com ela, ao que me respondeu: ”encontrar um lixo para jogar”.
Devo alertar que se trata de uma criança de cinco anos.
O fato me fez refletir e concluir algumas coisas. A primeira delas é que há escolas que estão seriamente empenhadas em ensinar seus alunos a considerar a questão do lixo, da poluição e da ecologia. Graças a Deus ele participa de uma destas escolas.
A segunda é que estes temas não passavam nem ao longe das temáticas que foram abordadas no meu tempo de escola, em nenhum dos graus que cursei, nem mesmo no mais recente, quando do doutorado.
A terceira é que, graças a Deus, há uma nova mentalidade que vem surgindo e ganhando corpo nas novas gerações. Meu neto não é caso isolado. Em muitas oportunidades vi reportagens sobre escolas que estão trabalhando seriamente a temática, crianças que estão crescendo com consciência ecológica, pais conscientes que estão passando isto aos filhos.
A quarta é que há na nova geração uma crítica ao comportamento de adultos que não tem tal consciência. Ele logo perguntou, em tom acusatório, sobre a irresponsabilidade dos que ali fazem seu tempo de descanso diário. Se até a algum tempo os valores que os pais deviam deixar aos seus filhos e netos era a honradez, honestidade e trabalho, hoje, além destas há o cuidado ecológico. As novas gerações, em um tempo não muito no futuro, vão olhar o estrago que estamos fazendo e vão nos acusar de ter destruído o planeta, inviabilizando a vida saudável dele e deles.
Confesso que me arrepia pensar no mundo em que meus netos vão viver quando adultos. Dois estão morando em Beijing, uma das cidades mais poluídas do mundo. É verdade que o governo está tentando fazer algo para reverter o quadro (eu já escrevi sobre isto aqui nesta coluna). Os outros dois estão vivendo em Valinhos, menos poluído. Mas o que será do mundo deles daqui a 20 anos?
Se nossos filhos e netos nos acusarem de irresponsabilidade, a carapuça estará na medida exata da nossa cabeça, porque muito pouco estamos fazendo para minorar o dano.
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Marcos Inhauser
terça-feira, 1 de março de 2011
POR QUE, VOVÔ?
Dia destes sai com meu neto para ir ao mercadinho e andamos pela rua até lá. Ao caminhar, passamos por um local onde pessoas se sentam debaixo de uma árvore para almoçar. No local havia papel, marmitex e garrafa pet jogados ao léu.
Ele ficou indignado e me perguntou: “por que as pessoas sujam o planeta? Será que eles não sabem que isto faz mal para eles e para os outros? Custa muito colocar as coisas no lixo?”
Mal tinha acabado de me perguntar estas coisas, ele pegou a garrafa pet na mão. Eu perguntei o que iria fazer com ela, ao que me respondeu: ”encontrar um lixo para jogar”.
Devo alertar que se trata de uma criança de cinco anos.
O fato me fez refletir e concluir algumas coisas. A primeira delas é que há escolas que estão seriamente empenhadas em ensinar seus alunos a considerar a questão do lixo, da poluição e da ecologia. Graças a Deus ele participa de uma destas escolas.
A segunda é que estes temas não passavam nem ao longe das temáticas que foram abordadas no meu tempo de escola, em nenhum dos graus que cursei, nem mesmo no mais recente, quando do doutorado.
A terceira é que, graças a Deus, há uma nova mentalidade que vem surgindo e ganhando corpo nas novas gerações. Meu neto não é caso isolado. Em muitas oportunidades vi reportagens sobre escolas que estão trabalhando seriamente a temática, crianças que estão crescendo com consciência ecológica, pais conscientes que estão passando isto aos filhos.
A quarta é que há na nova geração uma crítica ao comportamento de adultos que não tem tal consciência. Ele logo perguntou, em tom acusatório, sobre a irresponsabilidade dos que ali fazem seu tempo de descanso diário. Se até a algum tempo os valores que os pais deviam deixar aos seus filhos e netos era a honradez, honestidade e trabalho, hoje, além destas há o cuidado ecológico. As novas gerações, em um tempo não muito no futuro, vão olhar o estrago que estamos fazendo e vão nos acusar de ter destruído o planeta, inviabilizando a vida saudável dele e deles.
Confesso que me arrepia pensar no mundo em que meus netos vão viver quando adultos. Dois estão morando em Beijing, uma das cidades mais poluídas do mundo. É verdade que o governo está tentando fazer algo para reverter o quadro (eu já escrevi sobre isto aqui nesta coluna). Os outros dois estão vivendo em Valinhos, menos poluído. Mas o que será do mundo deles daqui a 20 anos?
Se nossos filhos e netos nos acusarem de irresponsabilidade, a carapuça estará na medida exata da nossa cabeça, porque muito pouco estamos fazendo para minorar o dano.
Marcos Inhauser
A DILMA OU A LULA
A eleição da Dilma para a presidência, por suas características e apadrinhamento, impõe a pergunta: o que elegemos? Uma mulher com identidade política própria ou uma versão Lula de saias?
Ao prestar-se atenção às falas do Lula durante o período da campanha, a dúvida permanece e se exacerba, vez que usou frases como: “vou viajar o Brasil e o que eu perceber que não está certo, vou pegar o telefone e dizer prá Dilma – você precisa acertar isto”; “vou colar a faixa presidencial no meu corpo”; “não vou entregar a faixa presidencial à sucessora”. Com estas e outras que poderiam ser aqui elencadas, fica a certeza de que ele terá um longo e doloroso processo de esvaziamento da figura que incorporou como poucos: a de ser o presidente. Ele gostou da coisa e não vai largar assim tão fácil.
O discurso da Dilma logo após a eleição é emblemático e enigmático: emblemático porque procurou se apresentar-se como mulher que conduzirá a nação, mas ao mesmo tempo é conhecida e reconhecida como gerentona, uma característica bastante masculina. Disse que vai dar continuidade à obra iniciada pelo Lula, se emocionou ao agradecer a ele o tempo de trabalho conjunto, exaltou-o ao ponto de o colocar como sábio, e que vai bater à sua porta muitas vezes. Ela assim revela um regime de codependência.
O noticiário, por sua vez, vem dizendo que o Lula já está interferindo na escolha de ministros, sugerindo a permanência do Mantega e Meirelles, e talvez o Haddad. Ela, por sua vez, diz que só comunicará o seu ministério depois de conversar com o presidente, o que significa que ele vai interferir, ou no mínimo participar, do processo de escolha.
Tantos sinais ambíguos geram incertezas e inseguranças, além da tremenda incógnita. Elegemos a Dilma ou a Lula? Só o tempo dirá. Mas um sinal para mim ficou evidente: no seu discurso logo após a eleição ela falava ladeada por homens. A única mulher que ali estava era uma ilustre desconhecida (ao menos para mim). Isto me indica que o governo da Dilma pode até ser presidido por uma mulher, mas ladeado de homens, que certamente terão papel preponderante e marcante no estabelecimento das políticas. Um deles vai coordenar o processo de transição (um que renunciou por causa de um escândalo) e o outro vai negociar com homens, donos dos partidos da coalizão, os nomes para compor os primeiro e segundo escalões e que, com toda certeza serão em sua grande maioria formado de homens.
Assim, a primeira presidente do Brasil, vai ser mais enfeite feminino em um governo masculino.
Marcos Inhauser
DOIS A MAIS OU A MENOS
Nestes dias de campanha eleitoral e profusão de pesquisas, o brasileiro viu incorporar-se ao vocabulário a expressão “margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos”. Na esteira deste jargão pseudocientífico há duas linhas gerais de comportamento. A primeira delas quer nos passar a idéia da cientificidade das pesquisas, a exatidão dos cálculos e da capacidade previsora de tais dados.
Baseados em dados coletados ao longo de anos de pesquisa, tabulados e calculados segundo algoritmos próprios, cada instituto busca a maior exatidão possível, medida pelo diferencial entre os dados levantados e os oriundos das urnas.
Tal exatidão às vezes aparece (considerados os pontos da margem de erro) e outras foge à realidade. Isto, no caso mais recente e evidente, foi a eleição do senador Aloysio Nunes, que estava em terceiro lugar nas pesquisas e veio a ser o mais votado.
De outro lado, há os que veem as pesquisas como meio de manipulação da opinião pública com o objetivo de levar a massa a votar no candidato que mais chances tem de ganhar, uma vez que há em muitos o desejo de “não perder o voto”, como se eleição fosse uma loteria ou campeonato. Para estes há que se considerar que tais pesquisas são contratadas a peso de ouro, cujos contratantes são, via de regra, pessoas ou grupos interessados nos resultados das eleições.
Neste contexto, causa profunda estranheza a recente pesquisa divulgada nesta terça, dando conta que a candidata tem margem de 12 pontos em relação ao concorrente. Tal número destoa de pesquisas feitas por outros institutos e de maneira alarmante, uma vez que, em prazo de dias, a candidata consegue uma margem positiva de 6 a 8 pontos sobre o adversário. A ser verdade, o que teria acontecido de tão significativo que justificasse tal salto? Nada que se tenha notícia.
Na guerra pelo voto, está valendo qualquer coisa. Desde panfleto assinado por bispo católico condenando o aborto e quem tem uma posição minimamente favorável, a pastores Malafala e Wellington Bezerra pedindo votos (de graça que não foi), a demonização das privatizações, alegada incompetência por ter fechado um negócio de 1,99, etc.
Por que não usar também métodos “científicos” para confundir a opinião pública? Que mal há em uma pesquisa com margem de erro fora do padrão? Se mais tarde for comprovada a intenção em apresentar dados não comprovados nas pesquisas, isto não tirará a vitória e diplomação do/a eleita. E assim ficamos, nós os que votamos, como massa de manobra de políticos e marqueteiros inescrupulosos.
Marcos Inhauser
GOVERNO DILCEU
Reveladora e pouco divulgada a fala do Zé Dirceu a sindicalistas na Bahia, quando explicou qual é o propósito do PT em um governo da Dilma. O evento ocorreu no dia 13 de setembro de 2010. Reproduzo alguns trechos.
“A eleição da Dilma é mais importante do que a ... do Lula, porque é a eleição do projeto político, ... a Dilma nos representa. A Dilma não era uma liderança que tinha uma grande expressão popular, eleitoral, uma raiz histórica no país, como o Lula ... ela é a expressão do projeto político, da liderança do Lula e do nosso acúmulo desses 30 anos. ... Se ... queremos aprofundar as mudanças , temos que cuidar do partido e ... cuidar dos movimentos sociais, da organização popular ... da consciência política, da educação política e ... das instituições, fazer (a) reforma política e temos que nos transformar em maioria. Nós temos uma maioria para eleger o presidente até porque fazemos uma aliança ampla... (com 0 ) PC do B, PDT, PSB, PMDB, PT, PRB e PR. ... o Lula é maior que o PT. Eles é que não têm ninguém maior que o partido deles. Ainda bem que nós temos o Lula, que é duas vezes maior que o PT. Mas nós temos que transformar o PT num partido ... O PT tem que se renovar, tem que abrir o PT para a juventude. ... Quem pode ter poder? Primeiro o poder econômico, as forças armadas. As forças armadas estão hoje profissionalizadas, o poder econômico se aliou com qual poder? Com a mídia. E qual é o poder que pode se contrapor ao poder econômico e ao poder da mídia no Brasil? É o poder político, que tem problemas graves de fisiologias, de corrupção, tem desqualificação ... “
O que ele não falou claramente neste discurso é que este PT levou e aparelhou o Estado com petistas e sindicalistas. Ele disse que o PT levou sindicalistas para o governo, mas não disse quantos. Estudo feito pela FGV e publicado pelo GLOBO em junho do ano passado identificou que dos ocupantes de DAS 5 e 6 e de cargos de Natureza Especial (NE), 25,9% desses profissionais eram filiados a partidos políticos, sendo que 80% deles declararam ser do PT. No primeiro mandato de Lula, os filiados eram 24,8%. A pesquisa mostra também que há um grande contingente de profissionais com filiação sindical - 45% no primeiro mandato e 42,8% no segundo.
Se o governo Lula foi do Lula e o da Dilma vai ser do PT, e se o Estado já está lotado de petistas e sindicalistas, o governo Dilma mais Dirceu, o Dilceu, vai aperfeiçoar a obra de transformar o estado num apêndice partidário.
Marcos Inhauser
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terça-feira, 5 de outubro de 2010
LULA, O GRANDE PERDEDOR
A opinião é pessoal e certamente não será endossada por muitos. Para mim, o grande perdedor desta eleição foi o gurumór.
Ele insistiu em fazer uma eleição plebiscitária e não conseguiu. A terceira via veio de onde ele menos esperava, por uma pessoa que ele “engoliu” enquanto esteve no ministério e só não a colocou fora antes por causa da pressão internacional, dado o respeito que ela tinha. Uma ex-militante petista, que representa O PT não lambuzado com as mazelas de mensalão e Erenices, com um tema que não lhe agrada, vez que, vira e mexe ataca o Ibama por causa das licenças ambientais.
Ele fez o PT de Minas engolir uma aliança esdrúxula com o PMDB para assegurar a vitória do Hélio Costa e deu no que deu. Nem o Senador conseguiu fazer. Perdeu de goleada.
Ele investiu na candidatura do Mercadante, veio a público e usou da TV para pedir votos, mas não conseguiu fazê-lo passar dos 30% históricos que o PT tem no estado de São Paulo.
Ele jogou as fichas na candidatura do Netinho e viu o candidato que estava na ponta, segundo as pesquisas, dançar e ficar em terceiro lugar. Ele jogou todas as fichas na candidatura da Ideli Salvati em Santa Catarina e ela amargou uma derrota acachapante.
Investiu no Agnelo Queiroz no DF e, apesar dos escândalos envolvendo o Roriz e a renúncia deste e a substituição por uma candidata laranja, o candidato do PT vai a segundo turno.
Pode-se afirmar que ele fez o governador do RS, mas lá, com o desastre da Yeda, qualquer poste falante ganharia a eleição. Ele fez o Jaques Wagner na Bahia, mas me pergunto se a eleição se deu pelo apoio do Lula ou tinha gravidade própria. No Maranhão (estranha aliança com a oligarquia mais longeva deste Brasil, que merece ser estudada por detetives), teve a eleição da Roseana na bacia das almas, assim como também o foi a do Tião Viana no Acre.
A pergunta é por que o Lula, com tão alta popularidade, não conseguiu passar este apoio aos seus candidatos? Eu me pergunto: se o Lula estivesse concorrendo a um terceiro mandato, ele teria 80% dos votos. Toda a discussão sobre os Fichas Limpa tem levado mais gente a ficar atenta às denúncias de corrupção e o caso da Casa Civil foi emblemático.
Mais do que isto, tenho para comigo que o que tirou votos foi a verborragia presidencial e o ódio destilado contra a imprensa. Foi um tiro no pé. Quero um país com liberdade de expressão e de imprensa e não um país a la Chavez e Castro que determinam o que deve ou não ser publicado. Pela liberdade de imprensa, tantas vezes ameaçada por este governo do PT, voto contra.
Marcos Inhauser
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terça-feira, 28 de setembro de 2010
JUSTIÇA ELENTORAL
Estamos no imbróglio jurídico. A Suprema Corte gastou um baita tempo para não decidir nada. Demorou para tratar do recurso impetrado pelo Roriz e quando o considerou, não chegou a lugar nenhum. Repetiu-se na suprema casa o que vem acontecendo nas instâncias inferiores, quando já tivemos eleitos que foram cassados no final de um mandato que nunca poderiam ter assumido.
Esta vagareza jurídica, associada aos meandros advocatícios e a infinidade de recursos e truques para delongar a sentença final tem dado ao povo brasileiro um senso de balbúrdia jurídica.
Mesmo uma lei que foi sancionada sob demanda de quase dois milhões de assinaturas, com a pressão feita aos parlamentares, houve um estratagema malicioso de trocar uma única palavra no texto aprovado pela Câmara, coisa que jogou areia na farofa da festa que se queria fazer com a lei da Ficha Limpa.
Não é a primeira vez que os espertalhões colocam vírgulas ou palavras de sentido dúbio com o objetivo de não fazer a “lei pegar”. Isto não é novidade, uma vez que o Jobim veio a público dizer que, como relator da Constituição de 88, enxertou nela coisas não aprovadas pelo Congresso. E em casas com várias centenas de “atos secretos”, não se pode esperar transparência.
Aliado ao impasse, ao menos para mim, veio a confirmação da suspeita de que os notáveis inventores de sentenças atravessadas, Gilmar Mendes, Toffoli e Marco Aurélio Mello, e o também promulgador geral de habeas corpus (Gilmar Mendes), não frustariam àqueles que esperavam ver o STF dar corda às candidaturas suspeitas. Por outro lado, o presidente, acertadamente não deu o voto de minerva, mas também, e equivocadamente, não proclamou o que deveria proclamar, que a decisão da instância inferior deveria prevalecer.
A lentidão que este processo revela há também a não menos tartaruguice do grumór, quem deveria, em agosto, ter indicado o substituto do Eros Grau e não o fez. Tudo indica que não o fez por conveniência política, para deixar ao próximo presidente, que ele tem certeza será a Dilma (eu tenho minha dúvidas), escolher quem lhe poderia facilitar a vida, tal como aconteceu com a última indicação do notável saber jurídico do antigo advogado de sindicatos.
Com esta e mais aquelas, sugiro que se troque o nome de Justiça Eleitoral para Justiça É-lento-ral. Seria mais justo com a velocidade com que julga as coisas.
Marcos Inhauser
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Toffoli
QUARENTA ANOS DEPOIS
No último sábado tivemos a reunião celebrativa dos quarenta anos de formatura no Colégio Culto à Ciência, que ocorreu no dia 7 de dezembro de 1970. Os antigos adolescentes meio virando jovens alí estavam, com o mesmo pique de outrora, relembrando antigas façanhas e traquinagens.
Creio que não há quem participe destes eventos de rever velhos amigos que não tenha a atitude inconfessa de olhar para os outros e ver o quanto o tempo afetou a anatomia de cada um. É impressionante a capacidade que o tempo tem de presentear com barrigas, roubar ou tingir de prata os cabelos. Uma constatação empírica é que o tempo é muito mais cruel com os homens que com as mulheres. Elas ali estavam sem grandes mudanças quanto ao que eram.
A reunião comemorativa trouxe-me, além da alegria de rever amigos e reviver momentos ímpares da vida, a surpresa ao ver que todos podíamos, quarenta anos depois, ainda cantar de memória o hino do nosso colégio. Isto mostra que o Culto à Ciência foi algo marcante na vida dos que ali tiveram a oportunidade de estudar.
Digo isto porque por muitas vezes eu afirmei a amigos e conhecidos que tive a honra de ter sido o pior aluno de uma das melhores classes brasileiras do Científico. O CECC era referência, padrão de educação para outros, ali estavam os melhores professores e o ingresso se dava por um vestibulinho. E até hoje não entendo como consegui fazer parte desta turma.
Nas conversas recordamos professores, seus modos e tiques. Não podíamos deixar passar as recordações do Milton Urubu e seu indefectível terno preto que, segundo a lenda, vinha sozinho ao Colégio, tão acostumado estava. Outro tema constante foram os antigos comerciais, produtos e guloseimas. Falamos de Glostora, Óleo de Quina de Petróleo, Conga, Xarope São João, Grapette, Pasquim, entre tantas outras coisas.
Ali sentado e conversando eu me perguntava aos botões: haverá este tipo de comemoração para a geração que hoje está se formando no segundo grau? Não tenho muita vivência nas escolas de hoje para aquilatar com precisão, mas tenho a impressão de que hoje os alunos não tem mais este sentido de pertencimento ao Colégio onde estudam, a escola não é mais tão marcante como o foi na década de 70.
Passar de ano era uma façanha digna de comemorações etílicas. Nem passava pelas nossas cabeças a tal da aprovação automática. Colar nas provas era uma engenharia digna de filmes de 007. Tirar boas notas era façanha a ser conquistada a cada mês em todas as disciplinas.
Não quero ser saudosista, mas o sendo: já não se fazem professores, diretores e Colégios como os que tivemos no CECC nos 60 e 70!
Marcos Inhauser
QUEREMOS SOCIEDADE E NÃO AGLOMERAÇÃO
Recebi o seguinte artigo do meu amigo Marcos Kopeska, que o uso com pequenas edições para caber neste espaço:
Para os que sonham com uma sociedade justa, o Projeto de Lei “Ficha Limpa” foi um bom começo, mas ainda começo. Talvez possa uma dose de ópio para acalmar os ânimos dos mais pessimistas. Sonhamos com ética na política. Em 2005 circulou a sátira que reflete este anseio: “Haverá um dia em que todos voltaremos a ser felizes. Será o dia em que Rosinhas serão apenas flores... Garotinhos apenas crianças... Genuínos serão coisas verdadeiras... Serra será apenas um acidente geográfico ou uma ferramenta... Genro apenas o marido da filha... Lula apenas um molusco marinho... E Severino, apenas o porteiro do prédio"
O estudioso da ética, John Rawls, diz que "uma sociedade em que certo mínimo de valores não seja partilhado pela grande maioria não só não é democrática, como não é uma sociedade. É uma aglomeração".
Creio sim, que o cristianismo pode contribuir com a política, apontando para a ética e acordando a sociedade para a retomada dos valores mais nobres da sociedade. Necessitamos urgentemente de uma reinterpretação da presença profética da igreja na sociedade, não fazendo alianças políticas corruptas e egocêntricas, mas orientando processos transformadores.
Segundo a clássica definição do filósofo grego Aristóteles, (328 a.C.), “política é a ciência, arte, técnica e estratégia de administrar para o bem comum; mais decisivo do que o bem individual”. Sob esta ótica não tenho nenhum peso de consciência em dizer que quem faz alianças políticas pensando em ganhar ônibus, materiais para construir templos ou concessões de rádios, estão sendo anti-éticas (por definição), para não dizer “partidárias da corrupção gospel”.
Como cristãos articulemos e trabalhemos para que nossos governantes e legisladores:
• Vejam na política não uma ambição do poder pelo poder num jogo de interesses pessoais, familiares ou corporativos;
• Estejam profundamente comprometidos com a cidadania, o povo, os necessitados, explorados e marginalizados;
• Façam parcerias, não com detentores costumeiros do poder, mas com quem serve ao povo (universidades, igrejas, uniões e organizações de classe capazes de procurar o bem comum);
• Tenham decência, lisura e honestidade que constituem o contrário da corrupção ativa ou passiva;
• Tenham competência, conhecimento profundo das formas, métodos e práticas políticas, sem o qual de nada adianta a decência;
• Tenham experiência administrativa ou legislativa;
• Tenham coerência entre o ser humano e o homem político; vida pessoal e democrática e o exercício do poder;
• Tenham a eficiência, habilidade e capacidade de realizar de um projeto político para o bem comum.
Assim sendo, seremos mais do que aglomerado; seremos sociedade.
Marcos Inhauser
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Marcos Kopeska
PARADOXOS BRASILEIROS
Um semialfabetizado que sucede um acadêmico reconhecido, termina seus dois mandatos com níveis de popularidade nunca alcançados pelo antecessor.
Um sindicalista feito presidente que consegue transformar a democracia representativa em república sindical, onde líderes dos trabalhadores mamam salários de elite.
Sindicatos que fazem política partidária e transformam causas trabalhistas em questões semânticas e negociações com benesses por baixo da mesa.
Um governo que consegue a façanha de cada vez arrecadar mais impostos e entregar menos serviços à população.
Um país onde se paga duas ou três vezes pela segurança: via imposto, via taxas condominiais e via segurança privada.
Um país onde o que mais cresceu nos últimos tempos foram câmeras para flagrar desvios nos trânsitos, via radar, e multar abestalhadamente o máximo que se pode, sem, contudo, diminuir os índices de acidentes e mortes no trânsito.
Um país que sustenta nababescamente a Senadores e Deputados, com salários nominais baixos, mas ganhos superlativos nas comissões e extras (por cima e por baixo da mesa), mas que discute meses a fio o aumento de merrecas no salário mínimo e aposentados.
Um país com a segunda maior frota de helicópteros no mundo, mas que só consegue construir uma dúzia de quilômetros de metrô a cada decênio.
Um país com uma penca de bitributação: IPVA + pedágio, ISSQN no local da prestação do serviço e no local sede da empresa; imposto para saúde + planos de saúde; impostos para escolas + mensalidades de escolas privadas; previdência social + previdência privada; etc.
Um país com uma miríade de taxas de todos os tipos: para emissão de passaporte, para emissão de segunda via de qualquer declaração, de transferência, de permanência, de anuência, de ausência. Faltam as taxas para insistência e sobrevivência.
Um país onde o presidente se orgulha de não ter estudado, e que se gaba de ser o que mais escolas construiu.
Um presidente que elege uma novel em política e sai fazendo shows Brasil afora para angariar votos para a sua eleita.
Um governo que sair da oposição e que ganhar a eleição e que, depois de oito anos, a considerar-se em perspectiva os dados das pesquisas, não mais terá oposição, mas um bando de fisiológicos querendo mamar na teta da vaca Brasil.
O país da legislação Ficha Limpa, com um sem fim de fichas sujas alardeando santidade e pedindo votos, amparados na leniência e morosidade da justiça.
Um país com votação eletrônica, que tem sistemas públicos de rede de dados que ficam “fora-do-ar” mais de três dias.
Um país com tantos milagreiros prometendo a prosperidade e tanta gente na pobreza. Com tantos templos e a secularização e o ateísmo crescendo a olhos vistos.
Marcos Inhauser
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terça-feira, 17 de agosto de 2010
UNÇÃO DE MELQUISEDEQUE
Deu a louca no mundo gospel! Os loucos da fé andam pirados e mais parecem que andam fumando um baseado antes de ministrar (com o perdão do termo).
Aí está o José Luis de Jesus Miranda com seu movimento religioso “Crescendo em Graça”, quem afirma ser Jesus Cristo homem, que prega que o pecado não existe e que Deus não nos vê em carne, mas como “alma vivente” e que, por isto, podemos fazer o que quisermos com este corpo. O tal gosta do luxo, usa o número 666 em suas adorações e afirma não ser este o número do anticristo. Ele é chamado de “pai” pelos seus seguidores. Ele afirma ter recebido do próprio Jesus a missão, os seus seguidores acreditam que ele não vai morrer e que seu corpo, tal como o de Jesus, será glorificado, e ainda afirma que os seguidores da Crescendo em Graça não vão morrer.
Outro loucodafé foi aos Estados Unidos receber de um parceiro de delírios a unção de Abraão. O Terranova, que também se faz chamar de “pai apóstolo” (qualquer semelhança com o outro loucodafé que se diz ser Jesus Cristo Homem não é mera coincidência), recebeu do Morris Cerullo a tal unção e depois disto andou distribuindo unções a torto e a direito, fabricando apóstolos em série. Mais, anda ungindo tudo, a ponto de ter feito uma viagem a Dubai e ungido a cidade toda, porque “É uma verdadeira ilha de idéias fantásticas! Podemos ver que os filhos do deserto tem a bênção do Eterno!”, “Dubai desafia nossa alma e denuncia a nossa mediocridade no poder de criar coisas novas. Estamos sendo ampliados! Hoje estivemos em muitos lugares, o deserto floresceu mesmo, Dubai é profético e bíblico... Hoje vimos em Dubai muita coisa, ungimos toda cidade profetizamos, fizemos atos proféticos em pontos estratégicos, e ministramos a alguns... De fato essa terra tem a mão de Deus para tanta riqueza está brotando do solo e dos aranha-céus!!! Hoje, junto com alguns guerreiros em Dubai, levantamos o nome de Yeshua! Nas adorações de afronta, entramos em intercessão para que o Reino de Deus chegue a Dubai!!!!” (palavras do próprio loucodafé e paiapóstolo).
Quero entrar nesta onda. Quero a unção de Melquisedeque: “Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, ... saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava ... e o abençoou; a quem também Abraão deu o dízimo de tudo...” Esta unção me habilitaria receber os dízimos de todos os que tem a “unção de Abraão”. Juro que repartiria algumas migalhas com os pobres, mas antes compraria um canal de televisão, uma Ferrari, um relógio Patek Philippe cravejado de diamantes, uma cobertura em Dubai.
Marcos Inhauser
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
COLCHA DE RETALHOS
Lá pelos anos setenta eu batia na tecla de que a música e os cânticos nas igrejas precisavam deixar de lado o ranço anglosaxônico e assumir o sabor dos ritmos brasileiros. Eu não estava só nesta empreitada, haja visto que muitos, como eu, batíamos nesta tecla.
Algumas coisas começaram a surgir. Um xote aqui, um samba ali, um baião, etc. Paralelo a isto, havia um outro grupo que sustentava que os cânticos deviam ser os mais bíblicos possíveis, e muitos se dedicaram a musicalizar trechos inteiros dos salmos e outras partes bíblicas. Não há que negar que houve uma forte efervescência e renovação na hinódia.
Nestes dias tenho prestado atenção aos cânticos que as igrejas estão cantando e há algumas coisas que me chamam a atenção. A primeira delas é a saturação de cânticos de louvor e adoração, em detrimento de outros temas como confissão, consagração, crescimento espiritual, etc. Um amigo liturgista que toma o Pai Nosso como modelo litúrgico afirma que os cânticos só ficam no “Pai Nosso que estás nos céus” e se esquecem das demais petições da oração dominical. Isto leva a uma religiosidade alienada e alienante. Outro que toma o texto de Isaías ¨, afirma idêntica coisa, dizendo que a parte do “Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios” não entra mais na liturgia das igrejas.
O segundo aspecto que me tem chamado a atenção é o uso e abuso de jargões, quase todos tirados de trechos das Escrituras, fazendo com que as letras dos cânticos se tornem em verdadeiras “colchas de retalho” de fragmentos bíblicos. Temos como o poder de Deus, a santidade de Deus, a onipotência, são repetidos ad nausean, sem que tais letras acrescentem absolutamente nada ao que já se tem. Com isto, estes cânticos não traduzem a reflexão de alguém, o teologizar. É como se juntassem frases soltas relacionadas a um mesmo tema e disto fazem a letra “inspirada” de um cântico.
A terceira coisa é que o momento dos cânticos domina boa parte do tempo de culto, em detrimento do tempo de ensino da Palavra, com cantores/pregadores de sermonetes que são repetições dos mesmos jargões cantados nos hinos. Com isto o culto, na grande parte das igrejas empobreceu, para não dizer que faliu. Há quantidade de música e pobreza de teologia. Há ministração de louvor sem ministração da Palavra.
Depois me perguntam porque muitos já não querem mais ir às igrejas.
Marcos Inhauser
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AGÊNCIAS PARA NADA
A recente crise aérea com a Gol, que causou mais de 400 cancelamentos de vôos e inúmeros atrasos, vem, uma vez mais, e de forma contundente, revelar a incompetência, incapacidade, incúria e inutilidade deste e de outros cabides de emprego. No apagão aéreo a inépcia já se tornou visível, a inutilidade patente e explícito o incesto das agências reguladoras com as empresas que por elas deveriam ser reguladas, supervisionadas, fiscalizadas e multadas.
Quem já teve a experiência de buscar algum amparo na ANAC, ANATEL, ANTT, ANVISA, ANS e quejandas, teve a triste constatação de que o que menos interessa a eles é atender ao cidadão. No meu caso, logo após a regulamentação dos callcenters, quando estes deveriam atender em um minuto às chamadas, liguei para a ANATEL e fiquei pendurado mais de uma hora nas várias tentativas, pois não só não atendiam como derrubavam a chamada.
Certa feita, em função de problema com uma viagem interestadual de ônibus, busquei a ANTT, onde protocolei a denúncia e por mais de dois anos cobrei resposta, sem nunca haver recebido qualquer notícia do andamento do processo. Nos vários problemas que enfrentei (e ainda enfrento) com a NET, seja na televisão, no telefone ou na internet, por duas vezes acionei a ANATEL e me deram um número de protocolo. Ao tentar saber resultado da denúncia, havia a informação de que a operadora comunicou a solução do problema, quando o mesmo persistia. Davam o caso por encerrado sem que, ao menos, a outra parte fosse ouvida. O mesmo aconteceu quando recorri à ARTESP, por causa de problemas com uma viagem intraestadual. Nada de nadica.
Em problema com o plano de saúde, busquei a ANS e esta disse que não atendia a casos particulares e nem recebeu a reclamação.
Se se olha os salários que tais marajás recebem, as mordomias que tem (recordem-se das passagens aéreas que os antigos membros da ANAC desfrutavam), do status, da possibilidade de empregar parentes, há que se reconhecer que, além de inúteis, são impostoras: ganham e cobram para fazer o que não fazem.
Exemplo disto é a INFRAERO, que tem a incumbência de administrar aeroportos, que cobra taxas de embarque exorbitantes, mas presta serviço de rodoviária de cidade decadente.
No entanto, como o guru nunca sabe de nada, decidiu criar mais uma para “supervisionar” a exploração do préssal. A conta, com certeza, será salgada.
Marcos Inhauser
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LUGAR DE ANJO É NO CÉU
Aprendi no Seminário que os anjos são imortais, mas, hoje, tenho lá minhas dúvidas: a mãe Izolina morreu. Ela foi o anjo que Deus colocou em minha vida para, de várias maneiras e em diversas oportunidades ser o canal de benção de Deus para mim e para a minha família.
Lembro-me como se fosse hoje aquele domingo que vim fui à igreja, o primeiro depois de minha conversão. Há três dias eu não comia nada, sem dinheiro para pagar ônibus ou comer algo. Terminada a Escola Dominical, ela já ia indo embora, quando voltou-se, veio até mim e me perguntou:
— Onde você vai almoçar?
— Não sei, respondi eu.
— Venha almoçar comigo.
— Mas eu não tenho dinheiro para o ônibus.
— Eu sei disso.
Fui e almocei. Naquela dia ela me adotou como filho. Durante quase um ano todos os domingos eu ia à sua casa almoçar, ela lavou minha roupa e me apoiou.
Mais tarde, quando já estava no seminário, minha esposa e eu havíamos jantado uma porção de pipoca sem sal, porque era a única e última coisa que tínhamos para comer. À meia noite batem à nossa porta. Vou abrir e era a mãe Izolina, feito anjo do Senhor, trazendo uma oferta para nós, lá naquele fim de mundo onde estávamos.
Quando minha primeira filha nasceu em Campinas, havíamos programado retornar a São Paulo na quinta-feira e isto eu comuniquei à mãe Izolina, pois eu queria que ela fosse uma das primeiras a ver a nenê. Por uma série de razões, regressamos na quarta à tarde. Chegando em casa minha sogra me pediu que eu comprasse uma série de coisas que não havia na casa: arroz, leite, canjica, açúcar, etc. Eu não tinha um centavo para comprar aquilo tudo que ela me pedia e não queria dizer à minha sogra que eu não tinha dinheiro para comprar comida para a minha família. Fui a um canto orar. Logo depois batem à porta. Era mãe Izolina com uma cesta de mantimentos. Era tudo o que estava na lista da minha sogra. Quando lhe perguntei porque ela tinha vindo na quarta sabendo que nós tínhamos planejado vir na quinta, mãe Izolina me respondeu:
— Eu estava em casa e uma coisa me disse lá dentro de mim: Vai prá casa do Marcos e leva comida. E eu vim.
Era outra vez que o anjo do Senhor vinha ao nosso socorro.
Mãe Izolina foi o anjo de Deus para suprir, para admoestar, para disciplinar, para acariciar. Quantas vezes e por quantas horas desfrutamos um do outro nas conversas, nos cafés que tomamos juntos, nas horas em que ela foi avó de meus filhos.
O anjo morreu. Mas as bençãos que ela trouxe, a benção que ela foi para minha vida e para a minha família ainda está viva.
Lugar de anjo é no céu. Ela foi pro seu lugar.
Marcos Inhauser
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Marcos Inhauser
O DIÁLOGO NA CONSTRUÇÃO DA RELAÇÃO
Somos produto da relação de um “eu” e um “tu”. Aprendemos a ser gente na relação com dois “tus”: um pai e uma mãe. Somos frutos da relação de diálogo, sentimentos, emoções, corpos que se relacionaram com corpos que nos fizeram. A base da vida é o fato de que há um homem e uma mulher que se relacionaram e como fruto disso nascemos.
Não há como pensar no ser humano como ilha, isolado dos outros, da sociedade, do contexto em que vive. Para que possamos nos conhecer é necessário que conheçamos as relações que mantemos com outras pessoas que formam nosso sistema. O “eu” é conhecido na medida em que se conhece os “tus” com os quais este “eu” se relaciona.
O namoro é um “eu” que se relaciona com um “tu” procurando conhecer os “tus” do outro “tu”. Quando se conversam uma moça e um rapaz, querem saber o que outro é. Como se vai saber quem é? Fazendo perguntas. O mesmo é verdade para a construção de equipes de trabalho.
Cada vez que encontramos alguém e começamos a conversar, procuramos explorar, conhecer as relações que esta pessoa tem, o que ela faz, com quem trabalha, o que estudou, o que gosta e não gosta de fazer. Da mesma forma é o aconselhamento.
Quando se começa um aconselhamento, o que se faz é ouvir e não falar. O verdadeiro aconselhamento é aquele que tem a disposição de conhecer as relações que uma pessoa tem, de conhecer o sistema onde esta pessoa está inserida.
Quando uma pessoa sai à procura de alguém para namorar, existe na sua cabeça, inconscientemente, um quê (eu não tenho outro jeito de dizer), e a pessoa vai se sentir atraída por alguém que tem mais ou menos o mesmo modelo de relação familiar que a pessoa teve ou tem. Isso é mais do que lógico e normal. Se vai constituir uma família, que família conhece para servir de modelo? Se foi se acostumou a dormir em colchão de mola, na noite que dormir em um colchão de espuma vai se sentir mal. Vai buscar alguém para casar-se que tenha um “ninho” mais ou menos igual aquele que é o seu.
Isto é tão inconsciente, tão simbólico, tão invisível que é difícil explicar. Por exemplo: bati o olho em alguém, gostei e pergunto alguma coisa. A maneira como ela me responde, o tom de voz como responde, se for mais ou menos parecido ao tom de voz que estou acostumado a ouvir, entro em sintonia com a pessoa e vou procurando saber se o ninho dela é mais ou menos igual ao meu. Então a levo para conhecer a minha família, a sogra olha e se ela disser sim, amém. Se ela torcer o nariz é porque aquele pato não faz parte daquela patada.
Quantos casamentos tiveram problemas e passaram por duras penas ou separaram e que a gente constata que os pais de um ou de outro tinham restrições, porque a linguagem, os modos, a forma de falar, o tom de voz, a cosmovisão não batiam?
Assim, o diálogo prescrutador é de vital importância na construção de relacionamentos duradouros.
Marcos Inhauser
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MARIO GATTI DA GRAÇA
Popularmente o chamam de Mario Grátis, por se tratar de hospital público. Confesso que nunca olhei para ele com simpatia, exatamente por ser público e atender ao SUS, o que, pela mídia, se sabe do descalabro que é.
No entanto, por força da internação do meu pai no HMMG, decidi acompanhá-lo durante os dias em que esteve hospitalizado para uma cirurgia menor, poupando minha mãe e irmãos que moram fora de Campinas do incômodo das viagens e do custo dos pedágios entre Indaiatuba e Campinas (verdadeiros roubos, e ainda o Serra fica irritado quando perguntado sobre este triste capítulo da administração tucana).
A pequena cirurgia de meu pai se complicou em função de um infarto seguido de edema pulmonar. Fiquei indo, vindo e permanecendo no hospital por treze dias.
Desta experiência, que não é nova porque eu mesmo fiquei mais de mês em hospital, também em função de cirurgia e complicações posteriores, quero vir a público, da forma que tenho acesso, para dizer o que ali constatei.
Fiquei admirado, surpreso e gratificado por ver o carinho, atenção e dedicação da equipe de enfermagem dos segundo e terceiro andares, bem assim da UTI. Confesso que não vi nem ouvi da parte de nenhum deles (e não são poucos os que ali conheci) uma única palavra de reclamação, não percebi falta de vontade, comportamento reativo às solicitações. Muito pelo contrário, o que vi foi alegria, brincadeiras com os pacientes, gestos de afago e encorajamento. Tenho certeza de que no rebanho da enfermagem deve ter a ovelha negra, mas eu não a vi nem a reconheci. Antes, com os estagiários, quando fui agradecer o que haviam feito e o cuidado com meu pai, o que vi foi um sorriso nos lábios e a frase; “quem deve agradecer somos nós, por nos sentirmos úteis”.
O mesmo quero dizer dos médicos da Urologia e da UTI. Não se furtaram a dar as informações solicitadas, abriram o jogo quando a situação estava grave, foram solícitos às demandas do paciente e familiares e, principalmente, reverteram o quadro, mesmo quando o paciente era não colaborativo.
Diante disto, deixo aqui, de público, o meu reconhecimento pela excelência da equipe que conheci, e a declaração pública de que mudei minha opinião sobre o Mario Gatti. Da ignorância, passei à vivência da manifestação da graça de Deus, no serviço ao próximo.
Marcos Inhauser
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TIPOS DE LIDERANÇA
Fiquei pasmo ao saber hoje, através de uma emissora de TV, que a vitória da África do Sul foi a primeira vitória do Parreira comandando uma seleção que não fosse a brasileira. Nunca entendi muito bem como este senhor chegou onde chegou, porque nunca consegui ver nele méritos. Não consigo entender como esteve em seis Copas do Mundo, duas vezes dirigindo a Seleção Brasileira e outras quatro. Uma vez foi campeão com a brasileira em um jogo que não foi ganho, mas entregue pelos italianos em dois pênaltis chutados fora. Em 2006 foi o desastre que todos sabemos. Nunca jogou bola, escreveu um livro sobre futebol que depois se descobriu ser plagiado de um inglês. No entanto, a mídia globalizada o aponta como senhor técnico. Ele é o líder pastel chinês: grande, mas sem recheio.
Outro tipo de liderança é a do francês Domenech. Um cara sem nenhuma competência relacional é guindado ao posto máximo no futebol francês, arruma um monte de confusão, o Anelka lhe diz umas poucas e boas, o grupo sai em defesa do Anelka contra o técnico, instala-se o caos, perdeu dois jogos, empatou um e só marcou um gol. Triste liderança. Ele é o líder “casaca de ferida”: cada vez que mexe, sangra.
Há o líder holofote, aquele que, mesmo sem jogar, traz todas as luzes e holofotes sobre ele. É o Maradona. Gosta de microfone e declarações polêmicas como poucos, porque sabe que isto lhe dá audiência e holofote. Ele está aparecendo mais que o Messi, o melhor jogador do mundo. De salto alto, como sempre esteve em toda a sua vida, mesmo quando o internaram por vício em cocaína, vai conseguindo alguns resultados e espero que ele não tenha que cumprir a promessa que lhe renderá mais holofotes: desfilar nu em Buenos Aires.
Há o líder “casca grossa”. O Dunga é o exemplo acabado desta liderança. Tudo que pode influenciar, interferir ou ser considerado vazamento para a imprensa, ele se irrita e sai ofendendo em balbucios e rosnadeiras. Assim foi com a Alex Escobar na última coletiva que deu, obrigado pelo regulamento. Adepto do “só eu no comando”, mostra insegurança. Seu comportamento infantil provém de uma cosmovisão de que “boas cercas produzem ótimas comunidades”, lema preferido de certo grupo religioso. Na versão Dunga “isolamento produz boa equipe”. É verdade que a seleção melhorou no segundo jogo, mas também é patente que ele não foi competente para tirar o Kaká de campo quando se via a irritação que redundaria em expulsão. Preferiu deixar ser expulso, talvez porque assim pode colocar no time um outro peixinho seu, o Júlio Batista.
Com estas e outras, algo se aprende com esta Copa.
marcos Inhauser
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SOFRI....SOFREMOS....
Sofreremos....
Foi duro ver o jogo da seleção do Dunga. Não que eu esperasse mais de uma seleção com um técnico campeão do mundo em uma seleção que ganhou o título porque o Paulo Rossi chutou para fora o pênalti. Ele nunca me convenceu como jogador e muito menos como técnico.
Mas, tinha lá eu alguma esperança, considerando o fato de que a Coréia do Norte é uma das mais fracas seleções desta Copa do Mundo. Achei que se poderia marcar uns quatro e não levar nenhum.
Mas, quando terminou o primeiro tempo sem gols, minha tênue esperança ruiu. A quantidade de vezes que o Kaká errou passes me deu a impressão de que estava com a camisa errada e jogava para a Coréia. O Luis Fabiano era mais banheira que atacante, pela quantidade de vezes em que esteve impedido. O Robinho mais parecia galo ciscando no galinheiro que fazendo algo construtivo.
A vitória construída com gols não feitos pelos atacantes, a meu ver, mostra o que se pode esperar desta seleção: nada. Um futebol burocrático, feio, sem arte, sem criatividade. Acho que o Dunga tem tanto medo da criatividade que isto o levou a não convocar o Neymar e o Ganso, porque poderiam inventar coisas que não estavam na sua tabuleta e nem no seu script de jogo. Ele quer a eficiência mínima: ganhando de um é certeza de três pontos, que é o que interessa.
Pior do que ver o jogo da seleção é vê-lo com a narração do Galvão Bueno e os comentários do Casagrande. Fui ver o jogo na casa da filha, e como a casa não era minha, me submeti à escolha da maioria. Tive que agüentar o festival de patriotadas do garoto-propaganda da CBF e do Kaká. Mais de uma vez ele chamou a atenção para o fato de que o Kaká se movimentava em campo, como se isto fosse uma grande coisa e não o natural e o esperado dele em campo. Ouvi-lo dizer que o time viria forte para o segundo tempo e ver o que se viu, só pode ter vindo da boca de um narrador cuja credibilidade há muito se perdeu.
Esta patriotada do Galvão casa muito bem com a do Dunga. Ele acha que patriotismo, orgulho de vestir a camisa, treino secreto e resposta zangada às perguntas dos jornalista é receita infalível de vitória. Talvez isto ele tenha aprendido nos livros de autoajuda do Augusto Cury. Ouvi-lo depois do jogo dizer que houve evolução, fez o Darwin se retorcer no túmulo.
Poucas vezes na minha vida consegui dormir assistindo a um jogo. Hoje isto aconteceu nos minutos finais e não porque eu quisesse, mas a seleção é enfadonha. Ou ENFADUNGA?
Marcos Inhauser
AMIGOS DE JÓ
Certa feita recebi a notícia de que um garotinho de seis anos que estava trazendo a família à igreja havia falecido por afogamento. A notícia me pôs em estado de choque. Mal refeito do susto, a primeira coisa que passou pela minha cabeça naquele momento foi: o que falar para os pais para consolá-los.
Tenho a impressão que esta pergunta ou similar já foi feita por muita gente. É nestas horas que se conhece uma pessoa que é líder de uma que é gerente, liderada ou comandada.
Quero apresentar um exemplo bíblico de pessoas que se envolveram com situações difíceis e como se saíram.
O exemplo é o dos três "amigos" de Jó. O texto bíblico nos narra que "combinaram ir juntamente condoer-se”de Jó pois este passara por provação muito grande. Estavam preocupados com as perdas que Jó havia sofrido (bens, propriedades, filhos), sabiam que ele estava em depressão, não estava comendo e se lamentava o dia todo. Para consolá-lo lá se foram os amigos. Mas o que se vê depois de sete dias e noites de silêncio é uma seqüência de repreensões a Jó, receitas e expliacções dos atos de Deus. Era um interminável falar, repreender, censurar, insinuar. Os amigos queriam explicar o que Deus tinha feito, queriam que Jó se conformasse com a tragédia. Jó lhes disse: "Já ouvi tudo isto antes; em vez de me consolarem, vocês me atormentam. Será que estas palavras ocas não têm fim? Porque vocês não param de me provocar? (Jó 16.1-3, Bíblia na Linguagem de Hoje) .
Muito embora houvesse neles a disposição ajudar num momento de crise, não o lograram porque se preocuparam em explicar Deus, em censurar a Jó e em dar receitas de como Jó deveria agir para sair de tal situação. Não se identificavam com ele na dor que tinha, não houve neles a solidariedade com o amigo sofredor, não conseguiram sentir na própria pele a dor pela qual passava o amigo. Não exerceram efetivamente a consolação porque tinham somente um palavrório, um "receituário", uma coleção de explicações para os atos de Deus.
Nas vezes em que Jó quis expressar seus sentimentos diante da perda de seus filhos e bens, foi repreendido, exortado.
Há muitos que se sentem tão entendidos de Deus que reproduzem o martírio de Jó ao se colocarem na situação de seus amigos. Explicam o inexplicável, interpretam o imprevisto, tentam colocar lógica no absurdo.
Que Deus nos livre dos amigos de Jó e suas interpretações que nos culpabilizam ainda mais. O Deus da graça não precisa de inquisidores, nem acusadores. Ele nos dá colo, o que muitos profissionais da religião não sabem fazer.
Marcos Inhauser
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ASSASINATO DE ESTADO
Esta é a forma como alguns governos estão classificando o ataque de Israel à frota de ajuda humanitária que buscava chegar à Zona de Gaza. O que aconteceu é digno de nota e repúdio. É inadmissível, sob quaisquer argumentos e pretextos, que uma ajuda humanitária levada por mais de 500 pessoas de várias nacionalidades, seja impedida e de cumprir com seu cometido.
Se se considera que o evento deu-se em águas internacionais e que a ajuda se destinava a uma região massacrada pelo estado de Israel, que tem impedido de forma sistemática que as ajudas, mesmo as da ONU cheguem aos necessitados, o caso se reveste ainda de maior gravidade. O assassinato não só se deu em alto mar, mas se dá a cada dia quando mulheres, crianças, jovens e velhos são impedidos de receber o que o mundo lhes destina.
O que Israel tem feito com os palestinos na Faixa de Gaza é o que aprendeu com os alemães nazistas nos campos de concentração. Replicam o que condenam sistematicamente, mostrando-se como vítimas de um genocídio praticado por Hitler, mas fazem isto para extermínio dos palestinos, por crer na superioridade da raça, por crer-se nação eleita. Se na Alemanha de Hitler a supremacia era vendida na genética ariana, em Israel a supremacia é vendida na superioridade religiosa.
E causa espanto a leniência dos Estados Unidos e a fraqueza da ONU em condenar as sucessivas violações cometidas por Israel. Tivesse o barco sido atacado pelo Irã, os sionistas sairiam em coro pedindo a guerra e destruição do Irã. Se o ataque fosse árabe, montanhas de papéis de condenação seriam produzidos. Mas como é o estado queridinho dos EUA e de várias nações européias, o que se vê é uma condenação formal e um pedido de investigação imparcial. Haja ingenuidade de nossa parte para agüentar este teatro mais uma vez.
Não estou aqui defendendo os árabes, nem judeus. Estou querendo mostrar que o discurso da “nação eleita, povo escolhido de Deus”, pode ter sido aplicado a Israel pelos antigos, mas, tenho a convicção que não se aplica a este estado pós 48. Pode um estado destes ser abençoado? Só se o é pelo analfabetismo bíblico de pregadores autoordenados e praticantes de uma espiritualidade cega e sionista. É um estado tão podre como o é outros que são achacados, e com razão, pela mídia e pelo público. Vide Coréia do Norte, Zimbabue, Irã, Venezuela e etc...
Marcos Inhauser
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PETULÂNCIA
O excêntrico cientista americano J. Craig Venter, e sua equipe do instituto que leva seu nome, dizem ter desenvolvido a primeira célula controlada por um genoma sintético. O estudo, publicado na revista Science, pode representar o início de uma nova era na biologia sintética e na biotecnologia.
A equipe liderada por Venter havia conseguido sintetizar quimicamente o genoma de uma bactéria e feito um transplante de genoma de uma bactéria para outra. Agora juntaram as duas técnicas para criar a "célula sintética", onde apenas o genoma é sintético, mas a célula que recebeu o genoma é natural, não sintetizada pelo homem. A façanha alvoroçou a equipe e outros envolvidos na manipulação genética, ao ponto de se afirmar que "isto se torna um instrumento poderoso para que possamos tentar determinar o que queremos que a biologia faça. Temos uma ampla gama de aplicações (em mente)", disse Venter. Eles planejam criar algas que absorvam dióxido de carbono e criem novos hidrocarbonetos. Eles também procuram formas de acelerar a fabricação de vacinas, a criação de novas substâncias químicas, ingredientes para alimentos e métodos para limpeza de água.
Indevidamente, houve quem afirmasse que se havia criado a vida a partir de informações genômicas guardadas em computador, o que, para os leigos, parecia computador virando vida.
Mas o que me chamou a atenção foi a discussão acalorada que se deu em seguida, com cientistas apressando-se em afirmar que isto provaria que não foi Deus quem criou a vida, que ela é fruto do acaso pela aleatoriedade que permitiu que um dia, em determinado lugar, se juntassem todos os elementos indispensáveis à vida e esta surgiu espontaneamente e daí adiante por reprodução e evolução.
Ouvi um deles afirmar que se Deus criou algo, o que Ele criou foi, no máximo, uma “gosma biológica” que evoluiu para se ter a vida no nível que hoje se conhece.
Não estou negando nem afirmando o evolucionismo, nem o criacionismo. Estou me rebelando contra a petulância de quem se julga capaz de, com um arroubo de retórica a la Lula, decretar a inexistência de Deus.
Para mim é muito mais fácil acreditar que Deus criou do que acreditar que o acaso produziu condições para que milhares, se não milhões de variáveis, se harmonizassem para que a vida surgisse. É muita sorte e acaso envolvidos.
Marcos Inhauser
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GOLS NA PRORROGAÇÃO
Gols na prorrogação não são fatos isolados, acontecem com certa frequência e trazem muita alegria e tristeza, dependendo do time para o qual se torce. O time ganhador verá nos minutos adicionais a providência divina para salvar o time da derrota. Para o perdedor, fica o gosto amargo de ter sido roubado, vítima de erro da arbitragem e tudo o mais que se pode atribuir ao fato.
No que se refere à Copa de 2014 há indícios de que algo parecido está para ocorrer. Nas negociações para quer o país fosse o escolhido para sediar a Copa, muitas cidades se apresentaram como candidatas a sede dos jogos, com promessas de estádios construídos ou reformados, prazos factíveis estipulados, cálculo de custos com as obras, promessa de que não haveria dinheiro público na empreitada, etc.
Passados meses de tais promessas, da escolha das sedes e da largada para o evento, nada ou quase nada foi feito em termos de se atender ao que prometido foi.
Onde se vê alguma coisa sendo feita é na iniciativa privada, em estádios a eles pertencentes. Na esfera pública a coisa vai a passos de cágado. Em muitos casos nem a licitação ainda foi feita.
Isto leva a uma prática comum nos governos municipal, estadual e federal: deixar as coisas para última hora para depois contratar sob regime de urgência, quando preços e sobrepreços sobem astronomicamente. Tal ocorreu por ocasião dos Jogos Panamericanos, quando o orçamento inicial foi estourado várias vezes e até hoje ninguém foi punido. Ao preço elevado das obras em regime de urgência, há também um relaxamento na fiscalização, porque os prazos precisam ser cumpridos e as obras devem ser levadas a “toque de caixa”. Gente extra precisa ser contratada, turnos noturnos são necessários e isto tudo favorece o desvio, a corrupção e o enriquecimento de uns poucos e financiamento de campanhas políticas.
Quem acompanha os noticiários com certa acuidade, notará que as empreiteiras são alvo de denúncias constantes. São também as maiores contribuintes “por dentro” e “por fora” dos partidos e políticos. Não há mês que não apareça alguma investigação que se depare com a participação nada transparente das construtoras, sem que nunca sejam punidas.
A muitas vezes pedida CPI dos Corruptores nunca saiu do papel. O lobby é poderoso e generoso. Há a denúncia de que uma delas pagou as aventuras amorosas e o sustento do filho de um senador, também exímio criador de gados, tendo tudo para ser enquadrado no Guiness pelos sucessivos recordes de produtividade animal. O senador continua lépido e faceiro, dando as cartas na república sindicalista.
Marcos Inhauser
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PEDOFILIA EVANGÉLICA
Tenho constatado certa alegria disfarçada entre alguns pastores e membros de igrejas chamadas evangélicas com as recentes e crescentes denúncias de pedofilia por parte de clérigos católicos.
Há na atitude uma ingênua avaliação de que tal não ocorre nos arraiais evangélicos porque grande parte destas igrejas prega a santidade e seus pastores são casados. Apontam ainda o fato de que, até agora, nenhum caso foi revelado e os que o foram não ganharam repercussão.
Ledo engano. Sendo minha esposa alguém que atua na área do aconselhamento e terapia familiar há mais de vinte anos, posso afirmar que os casos são bem mais constantes do que faz supor o certo silêncio sobre o assunto que paira sobre tais igrejas. Resguardado pela ética do trabalho feito, só posso afirmar que, sim, há casos de pastores pedófilos, de membros de igrejas que são abusadores e estupradores. A igreja evangélica não está livre das estatísticas que mostram ser os familiares os principais abusadores.
Neste sentido mostra-se significativo a convocação para o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes para 18 de maio, no qual será feita uma marcha com o intuito de mobilizar as crianças, adolescentes, sociedade e governo, a combater essa violação de direitos. A convocatória é feita pela Comunidade do Estudante Universitário (CEU), como comunidade cristã que realiza projetos junto à comunidade universitária em Campinas, especialmente no distrito de Barão Geraldo, e a Makanudos de Javeh, ONG que atua nas escolas públicas realizando projetos que visam a reforma social pelo resgate de valores éticos. Em Campinas, os trabalhos foram iniciados na escola Hilton Federici, situada em Barão Geraldo. Também foi criado o site www.estaacontecendoagora.com.
O principal objetivo da marcha em Campinas é impactar e alertar a população acerca da problemática, com finalidade de impulsionar discussões e ideias para que a sociedade e as igrejas evangélicas possam enfrentar e atacar essa realidade de maneira mais efetiva. A saída da marcha está prevista para as 10:00 horas no largo do Rosário.
Além da marcha, as igrejas e pastores estão sendo convidados a introduzir o tema em suas prédicas e aulas de Escola Dominical.
Marcos Inhauser
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SINDICALISMO PELEGO
Ficou patente neste primeiro de maio a diferença entre os sindicatos ao redor do mundo e o sindicalismo brasileiro. O noticiário trazia manifestações em várias partes do mundo, todas enfocando direitos e reivindicações dos operários. Talvez, a mais candente delas tenha sido a dos sindicatos gregos que convocaram os operários para protestar contra o anunciado corte de salários e aumento de impostos. Tanto em Atenas quanto em Tessalônica a coisa esquentou nos enfrentamentos entre manifestantes e polícia.
Na Espanha a coisa também foi movimentada. Com uma taxa de desemprego nas alturas, sindicatos chamaram às ruas para protestas contra as políticas do governo. Na Alemanha não foi diferente. Lá também a polícia teve de intervir. Países como Portugal, Suíça e Áustria também tiveram suas mobilizações e protestos por conta do dia do trabalho.
Aqui, na terra da República Sindicalista, a coisa foi bem diferente. Centrais Sindicais, endinheiradas com o imposto sindical onde cada trabalhador brasileiro, sindicado ou não, contribui compulsoriamente com um dia de trabalho, fizeram festa chapa branca.
Financiados por estatais, promoveram shows, sorteios e transformaram o palco das apresentações em palanque de candidatura oficial.
O sindicalista-mor foi ao evento e se gabou de “nunca na história um presidente se apresentou em uma concentração de trabalhadores depois de sete anos de governo”. Dinheiro público, via estatais e bancos, pagaram a conta de um sindicalismo que tem seus dirigentes e ex-dirigentes lotados nas Diretorias de Estatais, ganhando polpudos subsídios pela contribuição que dão nestes Conselhos Deliberativos. Tente saber onde estão estes sindicalistas. Vamos a alguns exemplos:
Jair Meneguelli ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC foi promovido Presidente do Conselho Nacional do Sesi. Heiguiberto Navarro, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC é assessor do Secretário Nacional de Estudos e Políticas da Presidência da República. João Vacari Neto ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo é membro do Conselho Nacional de Itaipu. Paulo Okamoto, ex-tesoureiro da CUT é presidente do SEBRAE. Luis Marinho, ex-presidente da CUT, acabou virando ministro da Previdência e atualmente é prefeito de São Bernardo. Wilson Santarosa, do Sindicato dos Petroleiros de Campinas, é gerente de comunicação da Petrobrás e membro do Conselho Deliberativo da Petros. João Antonio Felício, ex-presidente da CUT é membro do conselho do BNDES. O Vicentinho virou prefeito
Outros mais poderiam ser citados. Salário médio destes novos dirigentes do capitalismo de Estado: R$ 25.000,00 mensais.
Deste jeito fica fácil achar patrocínio oficial para os convescotes de primeiro de maio, pois estão todos lotados em áreas “estratégicas”.
O sindicalismo chapa-branca e pelego se transformou na militância político partidária, com dirigentes pelegos apoiando a candidata oficial.
Marcos Inhauser
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RUIM DILMAIS
Estava girando os canais da televisão para encontrar algum que estivesse dando notícias e eis que me deparo com o programa do Datena (na minha opinião, devia ir para o Guiness pela capacidade de repetir as mesmas frases ad nausean). No início, confesso que não a reconheci. Quando a reconheci, fiquei com dó. Mais parecia a Dona Xepa. Um figurino do tipo comprado em camelô, uma postura de quem estava desconfortável. Fui forçado a reconhecer que era ela, a candidata nascida a fórceps.
Sua presença, postura e fala foram ruins dilmais. Ela parecia mais um ET que uma candidata a presidente. Senti insegurança, desconforto e falta de molejo para responder às perguntas. Sofrível.
Comecei a me perguntar o que será do horário eleitoral gratuito. Aguentar o Serra tentando ser professor, a Dilma vendendo ser cria do Lula (mas que nem com DNA se acha traços de parentesco), a Marina com seu discurso monótono-ambietalista.
As perspectivas de se melhorar o quadro com os vices parece que também que está fadada ao enfadonho. Temer, Dornelles e Guilherme Leal. Deste jeito, a cada programa que assistir, vou tomar um Prozac.
Mas a cara de ET da Dilma deve ser vista junto com algumas outras coisas. A cara que ela tem hoje, não é a cara que ela tinha e deveria ter ao natural. A plástica que fez mudou a cara (acho que o mesmo cirurgião plástico que fez as plásticas da Elza Soares fez a da Dilma e a da primeira dama). O seu currículo acadêmico também passou por uma plástica, que arredondou formas incluindo um doutorado em Ciências Econômicas na Unicamp que nunca fez. Depois soube-se que seu relatório sobre as obras do PAC também tinham cirurgias plásticas, indicando realizações não feitas. Nas andanças com o gurumór, inaugurou obras inacabadas, plástica de mostrar o que não existe. O PAC2 rejuvenesce obras do PAC1, outra obra plástica.
Nestes dias descobriu-se que ela é ruim dilmais também na net: colocou em seu site (http://www.dilmanaweb.com.br/) uma foto de juventude que não é sua, mas da Norma BengelL, participando de passeata no Rio. Os desavisados vão engolir gato por lebre e achar que ela é quem está na foto do meio, porque a da esquerda e da direita são dela.
Confesso que recebi outra foto da Dilma, em uniforme militar e com um charuto na boca. Nesta ela estava mais à vontade que diante das câmeras do Datena e mais natural que a foto da Norma Bengell.
Parece que o povo simples é quem está com a razão: é a Vil-má Duxefe!
Marcos Inhauser
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PALAVRAS MÁGICAS
Quero falar palavras mágicas. Quero falar da educação com sua realidade de um sistema educacional elitizante, gerado por empresários-educadores, que vendem a peso de ouro o diploma que habilita ao exercício de uma profissão, pago às custas da fome dos filhos, embrulhado com palavras mágicas como "doutor", "bacharel", etc..
Quero colocar minha inquietação com o currículo que se obedece nos anos de estudo, quando ensinam palavras mágicas como "competição", "competência", "excelência", "carreira profissional". Ensinam a obediência a processos, mas sem nos alertar que procedimentos, normas, princípios, podem ajudar na execução ou amarrar e escravizar.
Fazem-nos entendidos em processos, mas não em pessoas. Ensinam-nos a lidar com as palavras, mas não nos mostram como trabalhar com o próximo. Um ensino que não nos leva a ver no próximo, ser humano, imagem e semelhança de Deus, mas a considerá-lo funcionário, cliente, paciente. E cliente é palavra mágica: ela provoca o aparecimento do dinheiro.
Dinheiro, palavra mágica. Tem o poder de comprar o direito e de assassinar a justiça. Compra pareceres, fabrica laudos, acelera o andamento processual, mas também pode paralisá-lo. Compra favores, corrompe, lubrifica engrenagens burocráticas, aluga horas de carícias e amor. A palavra dinheiro transforma pessoas em milionários. A palavra dinheiro abre portas antes fechadas, incrementa o número de amigos.
Pobre. Eis aqui uma palavra, a única talvez, que não seja mágica. A palavra pobre não tem poder, não cria coisas, não abre portas. Pobre não é cliente: é paciente; não é cliente: é réu. O pobre não tem advogado, tem "assistência jurídica" que a magia das palavras dos ricos transformou em "justiça gratuita". Mas a magia das palavras revela coisas. Se há "justiça gratuita", há "justiça paga”, e seria isto eufemismo para "justiça comprada"?
Pobre. Objeto de desprezo, pessoa jurídica portadora de deveres e obrigações, nunca de direitos. Elemento indesejável nas ante-salas de consultórios e escritórios. Palavra amorfa e inócua. Pobres não tem casa, terra, comida, saúde, médico. Não tem direitos, não recebe justiça, não tem advogado.
Advogado. Palavra com apelo: provém de "ad" mais "vocare" no sentido de "chamar ao lado de", "chamar para estar junto de". A idéia está ainda mais clara no grego "parácleto", que comporta a idéia daquele que ajuda, anima, intercede, defende a causa alheia". Advogado, portanto, está mais para sinônimo de amigo, na dimensão daquele que se dá a favor do próximo, principalmente o próximo necessitado. Advocacia é algo muito próximo do sacerdócio, do ministério de servir, de amparar necessitados, de lutar pelos direitos de outrém.
Ocorre que, pela prática de alguns (e o plural aqui é significativo porque abrangente) conseguiram a mágica de transformar a advocacia, sinônimo de amizade e sacerdócio, em algo que induz a pensar em trambique. Advocacia-sacerdócio e advocacia-amizade aprende-se nos bancos escolares e no convívio com mestres e profissionais do Direito que vivem a realidade da verdadeira advocacia. Quais verdadeiros sacerdotes e amigos, servem eles de exemplo e modelo.
Marcos Inhauser
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
A MAGIA DAS PALAVRAS MÁGICAS
Eu não entendia bem. Era muito prá minha cabeça: por que tanta celeuma sobre o orador da turma? A minha confusão aumentou ainda mais quando decidiram pedir uma prévia aos possíveis oradores. Eu me perguntava: prá que tanta coisa, tanto medo, tanto controle se o que orador fará é ir à frente, num dia de festa, prá dizer algo a um auditório desatento e a formandos em vias de despedir-se? Prá mim, ser orador da turma era o cumprimento de uma formalidade, um dizer por dizer, um falar às paredes.
Mas se o orador da turma profere discurso tão inócuo quanto eu cria, era muito prá minha cabeça o processo que estávamos vivendo prá ver se me deixavam falar às paredes no dia da formatura.
Então surgiu-me a suspeita de que, ainda que nem todos ouçam o que diria, isto tem poder muito grande sobre os que prestam atenção. Poderá ser pequeno frasco com poderoso veneno ou suave aroma reconfortante.
Se pode ser veneno ou perfume, o problema se resume nas palavras empregadas. Tudo vai da escolha certa das palavras para o momento certo. Seria julgado se escolhi bem ou mal as palavras. Mais recentemente pensei que estas meditações antigas se aplicavam também a escrever semanalmente esta coluna.
Palavras. Proferir ou escrevê-las. Esta é a minha missão. Tenho consciência de que usar palavras transcende ao emitir sons ou grafar com tinta. Não é o concatenar palavras de forma a dar sentido ao que falo. O mundo das palavras é um mundo mágico, que faz aparecer o oculto, cria sensações, ilude, esconde. Magia é a tentativa humana de manipular os deuses.
Palavras mexem com os deuses e eles podem não gostar. Palavras tiram os véus que encobrem e trazem à luz o que estava oculto e isto pode não agradar. Palavras revelam, diagnosticam, amaldiçoam e bendizem, fazem revoluções e guerras, celebram acordos, estabelecem a paz.
Palavras provocam iras e paixões; amor e ódio; ofendem e acariciam; destroem e constroem.
Palavras constroem mundos, realizam sonhos, concretizam a Utopia. Compram votos com oferta de empregos. Palavras entram no coração do ser humano. Palavra, a maior ferramenta que alguém possui, traço indelével da obra criadora de Deus.
Não emito sons. Não falo às paredes. Não sou orador porque orador é quem fala bonito, esperando o aplauso e o elogio ao final da fala. Não discurso. Discurso é próprio de palanque, onde a verborragia fácil vende ilusões, qual camelô vendendo ervas medicinais.
Gosto da magia. E qual mágico que de sua cartola e fraque tira coisas escondidas, quero também eu tirar da cartola do meu coração inquietações, coisas que muitos não sabem que lá existem. Qual mágico, quero tirar para fora do meu coração, não as pombas brancas, meigas e dóceis, mas a dura realidade de um país onde uma minoria de latifundiários, banqueiros e empresários mata à fome parcela da população, usando para escamotear a realidade palavras mágicas como "justiça social", "reforma agrária" "desenvolvimento", "produtividade" e outras mais.
Marcos Inhauser
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