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terça-feira, 28 de setembro de 2010

PARADOXOS BRASILEIROS

Um semialfabetizado que sucede um acadêmico reconhecido, termina seus dois mandatos com níveis de popularidade nunca alcançados pelo antecessor. Um sindicalista feito presidente que consegue transformar a democracia representativa em república sindical, onde líderes dos trabalhadores mamam salários de elite. Sindicatos que fazem política partidária e transformam causas trabalhistas em questões semânticas e negociações com benesses por baixo da mesa. Um governo que consegue a façanha de cada vez arrecadar mais impostos e entregar menos serviços à população. Um país onde se paga duas ou três vezes pela segurança: via imposto, via taxas condominiais e via segurança privada. Um país onde o que mais cresceu nos últimos tempos foram câmeras para flagrar desvios nos trânsitos, via radar, e multar abestalhadamente o máximo que se pode, sem, contudo, diminuir os índices de acidentes e mortes no trânsito. Um país que sustenta nababescamente a Senadores e Deputados, com salários nominais baixos, mas ganhos superlativos nas comissões e extras (por cima e por baixo da mesa), mas que discute meses a fio o aumento de merrecas no salário mínimo e aposentados. Um país com a segunda maior frota de helicópteros no mundo, mas que só consegue construir uma dúzia de quilômetros de metrô a cada decênio. Um país com uma penca de bitributação: IPVA + pedágio, ISSQN no local da prestação do serviço e no local sede da empresa; imposto para saúde + planos de saúde; impostos para escolas + mensalidades de escolas privadas; previdência social + previdência privada; etc. Um país com uma miríade de taxas de todos os tipos: para emissão de passaporte, para emissão de segunda via de qualquer declaração, de transferência, de permanência, de anuência, de ausência. Faltam as taxas para insistência e sobrevivência. Um país onde o presidente se orgulha de não ter estudado, e que se gaba de ser o que mais escolas construiu. Um presidente que elege uma novel em política e sai fazendo shows Brasil afora para angariar votos para a sua eleita. Um governo que sair da oposição e que ganhar a eleição e que, depois de oito anos, a considerar-se em perspectiva os dados das pesquisas, não mais terá oposição, mas um bando de fisiológicos querendo mamar na teta da vaca Brasil. O país da legislação Ficha Limpa, com um sem fim de fichas sujas alardeando santidade e pedindo votos, amparados na leniência e morosidade da justiça. Um país com votação eletrônica, que tem sistemas públicos de rede de dados que ficam “fora-do-ar” mais de três dias. Um país com tantos milagreiros prometendo a prosperidade e tanta gente na pobreza. Com tantos templos e a secularização e o ateísmo crescendo a olhos vistos. Marcos Inhauser