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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

TU ÉS PEDRO!


Tu és Pedro e sobre esta pedra se edifica a Babel política de Campinas!
O ex-presidente da Câmara, agora prefeito tampão de Campinas, assumiu o cargo de Prefeito e, salvo muita boa argumentação contrária, acredito que ele realizou um sonho de infância. Será também o “candidato natural” para assumir a prefeitura em um mandato tampão mais longo, pois não acredito que ele tenha se enfiado de corpo e alma nesta empreitada sem deixar amarrado os nós futuros.
Confesso que não posso acreditar neste prefeito tampão e nem nos paladinos da ética pública dos vereadores. Até as pombas do Largo do Rosário sabiam que algo de podre havia no reino doutor prefeito. No entanto, a Câmara só se mexeu depois que o Ministério Público fez as suas investigações e trouxe à luz as negociatas que rolavam.
Mais: como acreditar no comandante em chefe da decisão que autoconcedeu-se o escandaloso aumento de 126%. O meu raciocínio é: a questão do aumento foi proposta, discutida, aceita e aprovada nos bastidores, bem assim a maneira sorrateira de aprovar. Também foi decidida a ordem dos fatos: primeiro o aumento, depois o arremedo de acerto com o corte de verbas. Se a votação fosse feita na ordem inversa, correriam o risco de ter cortado a verba e não poder aumentar os salários.
Há outro raciocínio: a ser verdadeira a informação de que o aumento foi proposto e inicialmente negociado pelo líder do PT, o Josias Lech, surge a suspeita de que teria sido uma tentativa de abrandar a sanha de cassação e esta um tiro que saiu pela culatra dos articuladores petistas.
Causou-me espanto as afirmações do agora prefeito tampão, primeiro de que o aumento era para que houvesse independência do legislativo (e já argumentei que isto é uma confissão de promiscuidade, que se o aumento vigorará só a partir de 2013 significa que os vereadores continuarão a negociar com a Prefeitura, agora capitaneada pelo capitão do aumento). Em segundo lugar, na entrevista concedida à EPTV no dia seguinte à cassação, o ex e agora tampão, ao ser questionado sobre o aumento, disse que a população estava mal informada, que não representa incremento de gastos e que ele (agora em tom agressivo e contundente) nunca toleraria aumento de despesas. Vamos por partes: se a população não está bem informada, por que não se discutiu o assunto abertamente, mostrando a matemática do “ajuste”? Se a população precisava estar bem informada, por que se fez a votação de forma escusa, enviesada? Por que todos os vereadores, imediatamente após a votação deram chá de sumiço? Por que, quando puderam esclarecer (no episódio do CQC), expuseram a cidade ao mais completo ridículo, deixando a Câmara com cara de circo?
Pedro: você merece ser vigiado pela população, porque a Câmara não cumpriu seu mandato a contento no período do doutor e não fará agora, dependente que ainda é do executivo, segundo sua própria afirmação. De minha parte, farei o que me está ao alcance!
Marcos Inhauser

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

PEDRO? SERÁ-O-FIM?


Poderia ter colocado o título na afirmativa: Pedro será-o-fim. Ou na exclamativa: Pedro: será-o-fim! Ou na meia interrogativa: Pedro: será-o-fim?
Escrevo na terça à tarde quando a Câmara de Vereadores inicia o processo de leitura do relatório da Comissão Processante, dado que não houve acordo entre as partes. Serão 1440 páginas de leitura protocolar, para as moscas ouvirem, fato que ninguém estará atento ao inteiro teor do relatório. Mais: me atrevo a afirmar que é protocolar porque o veredicto está dado. E é aqui onde entra a interrogação, exclamação ou afirmação do título.
Na interrogação a pergunta quer saber se com isto acaba a novela em que se transformou a política campineira. Duvido! Se na afirmativa, há duplo significado: a constatação de que pode ser o fim da novela, como também pode ser irônico, insinuando coisas que ficam a critério do leitor imaginar. Na exclamativa está o assombro de ter que engolir o Pedro como prefeito não eleito por um período de um ano.
Digo assombro por duas razões: a primeira óbvia, já explicitada na frase anterior e a segunda decorrente dos fatos recentes. Pode uma pessoa que preside um legislativo e que comanda 33 vereadores para uma votação feita à sorrelfa, só possível pelos conchavos anteriores entre os beneficiados, ser guindado a um posto que vaga porque o ocupante é acusado de tramoias? Que moral tem o Pedro de vir a público dizer que vai administrar com lisura se na presidência da Câmara não foi transparente, nem escorreito? Como pode vir a ser prefeito o homem que justificou o golpe aos cofres públicos dizendo que era para que o legislativo tivesse independência? Qual a dependência havida até então ou até o início da vigência do novo salário em 2013? Significa que estaremos com um legislativo cabresteado pelo executivo até lá? Que tipo de conluio haverá entre o novo chefe do executivo, ex-chefe do legislativo, que se mancomunou para um presente de 126% e que teve o desplante de justificar com o engodo da independência?
Como a Prefeitura e a Câmara não são conventos com santos reclusos (conclusão que faço à luz dos fatos), mas estão mais para ofidiários do Butantã, coloco minhas barbas de molho. Entre o De Metro Viagra e o Pedro Será o Fim, fico com o primeiro, porque, ao menos terá oposição a vigiar o que ele faz.
Marcos Inhauser

PAPAI NOEL GENEROSO


Nada melhor que dar-se presente com o dinheiro dos outros. Ainda mais quando este dinheiro é público!
A Câmara Municipal de Campinas, no melhor dos espíritos natalinos, decidiu dar-se um belo presente: aumento nos salários de 126%! É impressionante como todo final de ano e por meios nada claros, os nossos políticos se concedem reajustes pornográficos. Qual o índice usado para que eles aprovassem os 126%? E por que foi feito em uma aprovação às surdinas e de forma sorrateira?
Com a presença cidadã que havia na Câmara para a votação da Macrozona 5, abrir o assunto  e discutir a elevação dos salários de forma clara e transparente, com certeza, enfrentaria a ira popular, como de fato aconteceu quando souberam da esperteza praticada pelos “nobres edis”. Os ovos atirados mostram a indignação dos presentes com a manobra. Populares foram detidos porque demonstraram a indignação atirando ovos. Os vereadores, protegidos pela Guarda Municipal, deram um bote nos cofres públicos e nenhum deles foi detido ou será punido par tal ato.
São estes vereadores que querem passar por paladinos da moralidade pública, abrindo Comissões Processantes para averiguar a moralidade do executivo e dos contratos da Sanasa. Que moral tem tais vereadores se na calada da noite, de forma imoral e antiética, se beneficiam ao legislar em causa própria? Como poderão denunciar contratos escusos se a elevação dos salários teve o mesmo condão?
Nos tempos do Collor eu morava fora do país. Em uma viagem que fazia ao Brasil, sentei-me ao lado de um grande empresário e durante a viagem viemos conversando. A certa altura, por perceber que ele sabia das coisas de Brasília, eu lhe perguntei a razão para o impeachment do Collor, que tinha acabado de acontecer. Ele, didaticamente, me explicou: “há um bolo e cada membro da família tem direito ao seu pedaço, coisa estabelecida e respeitada há tempos. Um dia um deles, por se julgar com autoridade ou melhor que os outros, decide que seu pedaço deve ser maior que todos os outros. A briga se instala e os outros membros tem duas opções: ou negociam ou destituem o membro. Foi o que aconteceu. O Collor mexeu na fatia do bolo dos políticos, deu briga e ele dançou.”
Tenho a sensação de que o que está ocorrendo na política de Campinas é um rearranjo nas fatias do bolo. Um já dançou, o outro está com a valsa pronta para dançar e outros conseguiram aumentar a sua fatia, talvez por inveja do tamanho da fatia dos que tinham o poder.
Marcos Inhauser

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

MOVIDO A MÚSICA

Em casa havia um dito: se o rádio está ligado, o Marcos está em casa. Desde pequeno andei fuçando para ter música à mão. Lá nos idos, eu fiz rádio de galena (pequena engenhoca que pegava uma única estação, sem uso de pilha ou outra fonte de energia) e ficava à noite ouvindo música.
Dei um jeito de ter um rádio na cabeceira da cama. Por reclamações com o som dele, tirei os falantes e coloquei debaixo do travesseiro para não atrapalhar os irmãos. Muitas destas rádios desligavam às onze ou meia-noite e eu ficava bravo por não ter música para ouvir. Arrumei um de Ondas Curtas porque podia ouvir até mais tarde, sem ter que desligar à meia noite. Tive uma vitrolinha portátil que ficava até tarde da noite ligada, tocando a meia dúzia de compactos e LPs que tinha.
Fiz das tripas o coração para ter como pegar FM, quando só havia estação em São Paulo. Queria ouvir a Eldorado porque me disseram que só tocava músicas. Consegui, mas nem sempre com recepção boa. Comprei um rádio portátil à pilha e descobri quão caro era ficar trocando-as por ficarem todas as noites até tarde ligado.
Uns colegas diziam que eu tinha um rádio muito bom e que para leva-lo para todo lado eu colocava rodas. Assim foram meus carros. O advento do walkman foi o céu. Tive vários, todos trocados por quebrar ou por modelos menores. A fita cassete me deu a chance de levar minhas músicas preferidas por todo lado, ainda que tivesse que carregar uma caixa. O Discman foi outra coisa que usei aos montes. Tive mais de 200 CDs. Veio o MP3 e aí me arrumei como sempre sonhei. Leve, portátil, econômico, usa pouca pilha. Achei que tinha tudo, até que peguei o IPod.
Digo estas coisas porque entramos na estação que mais músicas maravilhosas tem a ela dedicado: o Natal. Fico impressionado com a quantidade e qualidade das músicas natalinas e fico a pensar que só pode ser por Deus que tanta gente compôs tanta maravilha para falar do evento maior da humanidade. Ontem fiquei horas no Youtube vendo corais cantando canções natalinas. Tenho que confessar que lágrimas rolaram mais de uma vez.
No universo das músicas natalinas só tenho um reparo: a composta pelo Beatle John Lennon. Ela é linda, mas conseguiu escrever e cantar algo sobre o Natal sem mencionar a Jesus Cristo. Ainda bem que existe o Messias de Haendel, o Surgem Anjos Proclamando e tantas outras.
Obrigado Deus pela graça da música, aperitivo do céu!!
Marcos Inhauser