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terça-feira, 10 de agosto de 2010

SINDICALISMO PELEGO

Ficou patente neste primeiro de maio a diferença entre os sindicatos ao redor do mundo e o sindicalismo brasileiro. O noticiário trazia manifestações em várias partes do mundo, todas enfocando direitos e reivindicações dos operários. Talvez, a mais candente delas tenha sido a dos sindicatos gregos que convocaram os operários para protestar contra o anunciado corte de salários e aumento de impostos. Tanto em Atenas quanto em Tessalônica a coisa esquentou nos enfrentamentos entre manifestantes e polícia. Na Espanha a coisa também foi movimentada. Com uma taxa de desemprego nas alturas, sindicatos chamaram às ruas para protestas contra as políticas do governo. Na Alemanha não foi diferente. Lá também a polícia teve de intervir. Países como Portugal, Suíça e Áustria também tiveram suas mobilizações e protestos por conta do dia do trabalho. Aqui, na terra da República Sindicalista, a coisa foi bem diferente. Centrais Sindicais, endinheiradas com o imposto sindical onde cada trabalhador brasileiro, sindicado ou não, contribui compulsoriamente com um dia de trabalho, fizeram festa chapa branca. Financiados por estatais, promoveram shows, sorteios e transformaram o palco das apresentações em palanque de candidatura oficial. O sindicalista-mor foi ao evento e se gabou de “nunca na história um presidente se apresentou em uma concentração de trabalhadores depois de sete anos de governo”. Dinheiro público, via estatais e bancos, pagaram a conta de um sindicalismo que tem seus dirigentes e ex-dirigentes lotados nas Diretorias de Estatais, ganhando polpudos subsídios pela contribuição que dão nestes Conselhos Deliberativos. Tente saber onde estão estes sindicalistas. Vamos a alguns exemplos: Jair Meneguelli ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC foi promovido Presidente do Conselho Nacional do Sesi. Heiguiberto Navarro, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC é assessor do Secretário Nacional de Estudos e Políticas da Presidência da República. João Vacari Neto ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo é membro do Conselho Nacional de Itaipu. Paulo Okamoto, ex-tesoureiro da CUT é presidente do SEBRAE. Luis Marinho, ex-presidente da CUT, acabou virando ministro da Previdência e atualmente é prefeito de São Bernardo. Wilson Santarosa, do Sindicato dos Petroleiros de Campinas, é gerente de comunicação da Petrobrás e membro do Conselho Deliberativo da Petros. João Antonio Felício, ex-presidente da CUT é membro do conselho do BNDES. O Vicentinho virou prefeito Outros mais poderiam ser citados. Salário médio destes novos dirigentes do capitalismo de Estado: R$ 25.000,00 mensais. Deste jeito fica fácil achar patrocínio oficial para os convescotes de primeiro de maio, pois estão todos lotados em áreas “estratégicas”. O sindicalismo chapa-branca e pelego se transformou na militância político partidária, com dirigentes pelegos apoiando a candidata oficial. Marcos Inhauser