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terça-feira, 10 de agosto de 2010

PETULÂNCIA

O excêntrico cientista americano J. Craig Venter, e sua equipe do instituto que leva seu nome, dizem ter desenvolvido a primeira célula controlada por um genoma sintético. O estudo, publicado na revista Science, pode representar o início de uma nova era na biologia sintética e na biotecnologia. A equipe liderada por Venter havia conseguido sintetizar quimicamente o genoma de uma bactéria e feito um transplante de genoma de uma bactéria para outra. Agora juntaram as duas técnicas para criar a "célula sintética", onde apenas o genoma é sintético, mas a célula que recebeu o genoma é natural, não sintetizada pelo homem. A façanha alvoroçou a equipe e outros envolvidos na manipulação genética, ao ponto de se afirmar que "isto se torna um instrumento poderoso para que possamos tentar determinar o que queremos que a biologia faça. Temos uma ampla gama de aplicações (em mente)", disse Venter. Eles planejam criar algas que absorvam dióxido de carbono e criem novos hidrocarbonetos. Eles também procuram formas de acelerar a fabricação de vacinas, a criação de novas substâncias químicas, ingredientes para alimentos e métodos para limpeza de água. Indevidamente, houve quem afirmasse que se havia criado a vida a partir de informações genômicas guardadas em computador, o que, para os leigos, parecia computador virando vida. Mas o que me chamou a atenção foi a discussão acalorada que se deu em seguida, com cientistas apressando-se em afirmar que isto provaria que não foi Deus quem criou a vida, que ela é fruto do acaso pela aleatoriedade que permitiu que um dia, em determinado lugar, se juntassem todos os elementos indispensáveis à vida e esta surgiu espontaneamente e daí adiante por reprodução e evolução. Ouvi um deles afirmar que se Deus criou algo, o que Ele criou foi, no máximo, uma “gosma biológica” que evoluiu para se ter a vida no nível que hoje se conhece. Não estou negando nem afirmando o evolucionismo, nem o criacionismo. Estou me rebelando contra a petulância de quem se julga capaz de, com um arroubo de retórica a la Lula, decretar a inexistência de Deus. Para mim é muito mais fácil acreditar que Deus criou do que acreditar que o acaso produziu condições para que milhares, se não milhões de variáveis, se harmonizassem para que a vida surgisse. É muita sorte e acaso envolvidos. Marcos Inhauser