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terça-feira, 3 de maio de 2011

UM PASTOR PARADIGMÁTICO

Nestes dias tive experiências com um “pastor” que me mostraram como elas são paradigmáticas de um tipo bastante comum de “pastores” que a gente encontra por toda a parte. Estávamos em um carro em cinco pessoas e eu o conheci já dentro do carro. Foi-me apresentado com um pastor de um país latino-americano. Havia quatro. A viagem que era longa, teve um tempo inicial de apresentações e perguntas básicas, seguido de silêncio. O que estava dirigindo, amigo do “pastor”, foi à casa de câmbio trocar uns dólares, voltou e entregou a parte que correspondia a cada um, quando o “pastor” disse que lhe parecia que naquela cidade não se usava muito o dinheiro, porque lhe haviam dado algumas notas novas em folha. Houve alguns comentários e eu, para entrar na conversa, disse que no Brasil também estavam fazendo novas cédulas para evitar a falsificação, e que estavam pensando em colocar um chip nas notas como forma de garantir a autenticidade. Foi o estopim! O indigitado disse que isto era o sinal da besta apocalítica, pq no Apocalipse está escrito que o 666 é um sinal que não vai permitir que se compre ou venda sem que se tenha tal sinal, que estão implanto microchips nas mãos de pessoas e só falta começarem a implantar na testa para que a profecia se cumpra. Conhecendo este tipo de conversa “escatológica”, me arrependi de haver dito algo. O indigitado fez mais um monte de afirmações estapafúrdias e se virou para mim e me perguntou: e você? O que pensa do 666? Eu, querendo acabar com o assunto, disse que a única certeza que tinha era que já havia ouvido mais de 666 interpretações sobre o assunto. E para dar um ar meio irônico, afirmei que a que a que mais gostei foi a que o Bush era o 666. O indigitado se enfureceu. Prevendo o andar da carruagem, arrematei: uma coisa me chama a atenção neste assunto e é que os grandes teólogos da igreja, reconhecido como tais, como Agostinho, Aquino, Lutero, Calvino não se meteram a fazer afirmações peremptórias sobre predições apocalíticas. Ainda mais enfurecido, o indigitado me disse: sabe por que eles não falaram? Porque eles não se dedicaram a um estudo profundo de Daniel e Apocalipse. Para se entender estas coisas a gente precisa ir estudar com jejum e oração. Eu já imaginava o que viria pela frente. Não me enganei. Começou um festival de asneiras e presunção. Ele disse que estudava há anos os livros de Daniel e Apocalipse, que se dedicou a isto, que o Senhor lhe revelou que isto e que aquilo, disse que o 666 para Bush era adivinhação, que o espírito do anticristo já está no mundo, que o anticristo vai nascer no mercado comum europeu, que estamos perto da grande tribulação. Desfilou um rosário de barbaridades de forma compulsiva como se ele fosse o único que sabia destas coisas. Eu estava mudo e orando a Deus a Ele que me desse um jeito de mudar o assunto porque a coisa estava horrorosa. O gringo me perguntou, ironicamente, porque eu estava calado. Como falou inglês e os demais não entendiam, eu disse que estava pensando. Ele me perguntou se eram bons ou maus pensamentos e eu respondi: Deus que os julgue. Nunca ouvi tanta besteira com tanta arrogância e presunção. Orando para que se mudasse o assunto, o carro quebra. O assunto acabou e agora era como consertar o carro. Mas o indigitado, do alto de sua arro(t)ância, disse que o diabo é quem havia quebrado o carro porque ele não gosta de saber que será derrotado e que a gente não chegaria ao local a tempo para que ele pudesse pregar suas “verdades”. Não fiquei para ouvir o sermão....