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terça-feira, 3 de maio de 2011

ATO FALHO?

Há poucos dias o presidente dos Estados Unidos veio a público fazer sua crítica ao Mouammar Kadhaf e, entre outras coisas, saiu-se com esta: “ele perdeu a legitimidade”. A frase me levou a algumas considerações, todas devidamente alicerçadas em antigas afirmativas de presidentes estadunidenses. Lembrei-me do Jimmy Carter e sua cruzada pelos Direitos Humanos, quando dizia que os EUA não podiam tolerar governos que violassem os direitos essenciais. Lembrei-me das muitas vezes em que afirmavam que não podiam apoiar ditadores, mas derrubaram o Allende legitimamente eleito e colocaram/permitiram o Pinochet. Ajudaram a derrubar o Goulart e apoiaram as Forças Armadas nos seus anos de ditadura. Investiram contra o Noriega e mataram mais de três mil no bairro dos Chorrillos, na cidade do Panamá. Há décadas submetem o povo cubano a um massacre econômico porque não podem apoiar uma ditadura. Criaram o Hussein, que trabalhou para eles e para a família Bush, e depois fizeram uma guerra para derrubá-lo e “levar a democracia a todo o mundo”. Apoiaram por mais de trinta anos o Mubarack e na hora agá, quando a coisa ficou feia, vieram com o discurso da democracia. Agora vem o Obama dizer que o Kadhaf perdeu legitimidade. Isto quer dizer que antes ele tinha a tal da legitimidade? Que legitimidade é esta? Um governo, fruto de um golpe militar em setembro de 1969, que encastela a família nos palácios e vive da grana desviada? Que legitimidade tem se só nos EUA a família teve mais de 50 bilhões de dólares bloqueados? Quem legitimava este ditador? Quem retirou dele a legitimidade, se é que a tinha? Para mim, a fala do Obama revela como os Estados Unidos tem um discurso hipócrita, camaleônico, interesseiro. Levanta a bandeira dos Direitos Humanos na China, mas tolera a corrupção e a violação nos países árabes. Recebe e se beneficia dos bilhões de dólares investidos por ditadores árabes (seja lá que título tenham) e africanos, e quando a coisa aperta, faz a “revolução antes que os outros a façam”. Para mim sempre foi claro e agora o é ainda mais: que a legitimidade é uma questão de posicionamento do império. Do alto de sua arrogância e prepotência eles dizem que é legítimo o que lhes interessa. Quando as coisas já não mais interessam, eles retiram o apoio e a pessoa perde legitimidade. Este tipo de legitimidade imperial, dada pelos que se julgam polícia do mundo, é uma farsa. Ainda bem que na história da humanidade não houve e nem haverá impérios eternos. E este já está caindo pelas tabelas.