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terça-feira, 3 de maio de 2011

INICIATIVA

Uma coisa que não tenho ouvido ou lido com frequência sobre o Natal é que ele se trata essencialmente de uma reconciliação. A inimizade que o pecado trouxe e que separou o ser humano de Deus veio abaixo em um processo que se iniciou com o Natal. Há que se salientar (e isto também não tenho visto suficientemente enfatizado) que a iniciativa para o Advento não teve nenhum concurso humano. Ele tomou a iniciativa. E o fez quando quis e da forma como quis. No que pese a espera do povo em que um Messias viria, ninguém podia prever, nem determinar cooperativamente a forma como tal se daria. Deus fez do jeito que quis. Isto mostra que Deus agiu em função da Sua graça. A Sua ação foi imotivada, não em resposta a isto ou aquilo que porventura alguém tenha feito, mas sim em função exclusiva da Sua vontade e amor. O seu atuar foi inovador, criativo e, ao mesmo tempo, denunciador. Em uma sociedade machista onde as mulheres nem eram contadas como gente, Deus escolhe alguém para ser mãe sem o concurso de um homem. Ainda que vá contra a interpretação majoritária, especialmente a católica, eu não acredito que Maria tenha sido escolhida por ser merecedora, por ser alguém que estava sendo recompensada por suas atitudes ou comportamento. Acredito que era uma jovem tão comum como tantas outras. A única diferença é que nela a graça se manifestou. Ela teve uma gravides não copular, não participativa do casal. Uma gravides que usou do vaso fraco (mulher, tal como era considerada na época) e desprezou o sexo forte, que se cria senhor e acontecedor das coisas. Não é para menos que José tenha querido fugir quando soube da gravidez inexplicada de sua esposa. A anunciação não se deu nos palácios, junto aos poderosos. Antes, a graça se manifestou no impensado: um grupo de pastores em uma noite, a quem anjos cantaram as novas: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra para as pessoas ...” Assim são as reconciliações e os processos de quebrar inimizades, trazer paz, viver em harmonia: alguém deve tomar a iniciativa! E deve fazê-lo mesmo quando as circunstâncias não favoreçam. Deve ser um ato de graça. Isto se aplica às relações pessoais, profissionais, de gerência e liderança, a quem trabalha com gente, a quem tem a função de pensar no ser humano como um ser em relação com outros. Que neste Natal a mensagem de reconciliação possa ser vivida neste dia e em todos os demais da vida e que a paz e harmonia sejam emanadas a partir das iniciativas em promover a paz a partir de onde você está e trabalha.