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terça-feira, 3 de maio de 2011

MAGIA

Sei que o tema não é novo nesta minha coluna, vez que já o abordei outras vezes, ao longo destes onze anos. Trata-se da expectativa generalizada que se cria no final de ano de que, à meia noite do dia 31 e zero hora do dia 1º. as coisas mudam e para melhor. Nada contra a renovação das esperanças, coisa salutar e necessária para vencer barreiras e obstáculos. O que me angustia e até me irrita e ver a quantidade de atitudes mágicas que se assomam, produzindo comportamentos os mais esdrúxulos. Uma comentarista de renome, filha de família de educadores e pastores, comentava hoje na rádio que ela se veste de branco na passagem de ano porque isto lhe dá sorte. A outra respondia que vestiria verde porque necessita de esperança. Isto me faz recordar a mãe de amigos que tive na adolescência que, em pleno baile de réveillon, mal dadas as badaladas da meia noite, saía ela com uma marmita de lentilha a nos obrigava a comer, porque isto nos daria prosperidade no ano entrante. Pelo tanto de lentilha que comi deste jeito, deveria estar milionário. Mas qual o quê. O gerente do banco anda querendo saber quanto ganho para escrever esta coluna, porque quer que eu aumente os pagamentos mensais da dívida que tenho com a instituição. Já estive na praia várias vezes na passagem de ano e não vi nada mais antiecológico que o que se faz nas areias durante o réveillon. Velas, taças quebradas, toneladas de flores lançadas ao mar, rojão de todo o tipo soltando fumaça até não se poder mais ver os fogos de artifício, gente bêbada. Tudo em nome de uma felicidade buscada na virada do ano. Outra coisa que me irrita é que todo o ano é a mesma coisa: uma sucessão infindável de restrospectivas. Na televisão, na rádio, nas revistas, nos jornais. Parece que o mundo para, que se congelam os acontecimentos e todo mundo fica olhando e revendo o que passou. Mais que isto, a Globo, em um arroubo de criatividade, há mais de duas décadas coloca o mesmo cantor cantando as mesmas músicas que ouço desde a adolescência. Parece videotape. Ainda tem os numerólogos, tarólogos, horoscopistas, astrólogos e tantos outros que a si mesmos se chamam de “videntes”, predizer o que será. Como ninguém tem como conferir e cobrar deles a veracidade ou chute de suas previsões, ano após ano eles desfilam o rosário de suas predições. No ano passado, elas diziam que o Brasil seria Hexacampeão em futebol. Só que ninguém conseguiu enxergar que nem os astros deram conta da teimosia e insensatez do Dunga. Creio, ensino e faço a avaliação dos meus atos a cada período e fim de ano é um deles. Creio, ensino e renovo minhas esperanças, mesmo nas passagens de ano. Mas daí achar que as coisas vão acontecer milagrosamente, é uma distância enorme. Quem quiser crer na magia, que o creia. Eu prefiro crer no suor, na transpiração, no comprometimento, e, também, na benção de Deus. Se isto é ser rabugento, a Ione tem razão.