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terça-feira, 3 de maio de 2011

UM DIÁCONO ÍMPAR

Ele era membro da igreja que eu pastoreava. Um dia, depois da Escola Dominical (aos domingos pela manhã) ele esperou que todos saíssem e todo desenxabido veio me pedir licença para morar na torre da igreja por alguns dias. Aquilo era um pombal, sujo, cheio de penas e alguns objetos descartados. Perguntei a razão do pedido e ele me disse que quando acordou naquele dia, percebeu que sua esposa e filho tinham ido embora, deixando só a cama para ele. A situação era tanto mais aguda quando se sabia que ele era portador de hanseníase. Compadeci-me dele e disse que ele não podia morar na torre da igreja, mesmo por uns dias, mas que ele iria morar na minha casa. Eu tinha uma edícula vazia e para lá ele foi. Passou a ser parte da minha família pelo ano ou mais que ali morou. Tinha o dom de consertar pequenas coisas, de eletrônicos a aparelhos elétricos. Com as mãos deformadas pela enfermidade, com muito sacrifício fazia estes pequenos consertos. Mas parece que quanto mais difícil era, mais alegria ele mostrava ao servir às pessoas. Este seu jeito serviçal e prestativo levou a diretoria a convidá-lo a morar nas dependências da igreja, sendo um diácono de tempo integral. Ali estava para servir aos que buscavam alguma ajuda, e aos membros que precisavam de alguém para pequenos consertos. Ele esteve ali por mais de cinco anos. Certa feita, um moço japonês esteve na igreja no domingo à noite e o “Seu Pedro” veio me dizer que o conhecia e que ele estava pedindo para dar uma palavra à igreja. Estes pedidos eu os tinha a toda hora e costumava não atender. Mas não sei por que, naquele dia perguntei o que a pessoa queria dizer à igreja e o Seu Pedro disse que ele queria agradecer. Assenti e no meio do culto ele veio à frente e disse que queria agradecer à igreja por ter posto uma pessoa que tinha tempo para ficar sentado na soleira da porta e com disposição para ouvir. Ele contou que estava disposto a suicidar-se, que passou por ali, que recebeu um boa tarde tão caloroso que voltou, sentou e que ficou horas conversando, sem que Seu Pedro desse sinais de cansaço ou aborrecimento. E que voltou muitas outras vezes. Ele queria agradecer por estar vivo e por estar trabalhando e ter constituído família, graças às palavras simples de um homem simples. Há outras histórias que eu poderia contar dele. Todas de um homem que soube ser amado pelo seu dom de serviço. Deixei a igreja para atender a outro ministério e ele se casou novamente. A igreja construiu para ele uma casinha. Voltei e o encontrei várias vezes, sempre com seu sorriso e jeito prestativo. Na semana passada Seu Pedro faleceu. Morreu um homem simples com o dom do serviço e uma pessoa que aprendi a amar e admirar pela sinceridade do seu caminhar com Cristo.