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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

ZILDA ARNS

Fui criado em uma igreja protestante, com forte presença familiar e de corte conservador e puritano. Nela, o ser protestante era um diferencial a ser ostentado com orgulhos das minorias, pois a presença católica era enorme. Na escola, quando havia aula de religião, era o único da classe a sair para não receber instrução católica. Aprendi que ser católico era ser idólatra. Mais tarde, quando fui ao primeiro seminário onde estudei, fundamentalista, outras características foram incorporadas para que eu execrasse a Igreja Católica e os católicos. Depois de uns dez anos no pastorado com esta visão maniqueísta (protestante igual a salvação, católico igual a perdição), tive meus primeiros contatos com o movimento ecumênico e comecei a perceber que os que antes eu demonizava não eram tão ruins quanto eu pensava e cria. Aprendi a admirar e respeitar a muitos sacerdotes e leigos católicos e aprendi muita coisa da vida cristã com eles. Foi nesta caminhada que percebi que mais importante que a afirmação doutrinária correta está a vida cristã de amor, que amar ao próximo e mais e melhor que as melhores afirmações. Aprendi que amar ao próximo não se faz falando ou abraçando, mas doando-se a quem precisa. Nesta caminhada aprendi a respeitar profundamente o trabalho da Dra. Zilda Arns. Nunca a conheci pessoalmente, nunca li algo que tivesse escrito, mas ouvi e vi muita gente que tinha sido alcançado pelas suas bênçãos, como a multimistura. Vi crianças que renasceram porque receberam a atenção e o amor de dedicadas voluntárias da Pastoral da Criança. Quando depois de vários anos fora do país voltei e decidimos trabalhar por um Natal Sem Fome, criamos uma Comissão Ecumênica que levantou algumas dezenas de toneladas em alimento e decidimos doar isto à Pastoral da Criança. Nós os pastores que fazíamos parte e que tomamos esta decisão, fomos duramente criticados: vocês estão pegando doações das igrejas “evangélicas” para fazer o trabalho e a promoção católicos. Nunca tive dúvida daquele ato, porque nunca duvidei da motivação cristã da Zilda Arns e dos que com ela trabalhavam. Ela, mais que qualquer outro cristão que tenha conhecido, soube amar ao próximo “de fato e de verdade”, sendo a benção da salvação para muitos. Ela, mas que ninguém que eu tenha conhecido, soube levar o Cristo Salvador a quem estava morrendo ou em desespero ao ver a desnutrição do filho. Vai-se Zilda, que se eternizou na vida dos que foram abençoados e certamente ressuscitará nas ações de quem a toma por exemplo. Milagre da vida e da ressurreição feitos concretos Marcos Inhauser