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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

PROFISSIONAIS DA MISÉRIA

Há alguns anos vi uma matéria sobre uma família de migrantes que veio a São Paulo tentar a sorte. O chefe da família tinha um irmão, o endereço dele, mas não o encontrou porque havia mudado. Sem saber o que fazer, ficou com a família na antiga Rodoviária de São Paulo, recebendo ajudas para sobreviver. O assunto foi para a televisão, o irmão foi localizado e o sujeito continuou na rodoviária. Ele o fez por orientação do irmão que percebeu que ele, na rodoviária, ganhava três vezes mais que qualquer trabalho que viesse a arrumar. Lembro-me desta história toda vez que vejo os profissionais da invasão de terras. Vivem de acampamento em acampamento. Tem cesta básica, escola para os filhos, uma ajuda por fora dos dirigentes, e a comiseração da população. Note que falo dos profissionais da invasão. Há ainda os profissionais do desemprego. Dias destes ouvi a conversa de um jovem dizendo que faltava uma semana para completar um ano de empresa e ia pedir para ser mandado embora. Ele alegava que com o dinheiro que receberia daria para viajar no Carnaval e depois ia entrar no seguro desemprego e depois tinha o PIS. Quando acabasse o dinheiro a que tinha direito, buscaria outro emprego. Recebi dia destes um e-mail com as alegações de uma pessoa que não trabalhava, mas conseguia sobreviver com as Bolsas do governo. Também recebi outro com relação das bolsas mais caras do mundo, e ao final citava o Bolsa Família ao custo de 4 bi. Conversei com um fazendeiro da região norte de Goiás que me afirmou estar enfrentando problemas com mão de obra, pois preferem viver pendurados ao Bolsa Família a trabalhar no pesado. Hoje conversava com uma pessoa que conhece bem as favelas e o que ele me dizia me fazia lembrar de uma assistente social de São Paulo, muito amiga, e que assessorou algumas das primeiras damas do município. Elas me falavam dos profissionais da favela, gente que vive ali porque tem mais apoio do poder público que se morasse em outra parte. Gente que sabe tirar proveito da situação e faz disto uma profissão: a de lamentar a miséria como forma de arrecadar fundos. A miséria pode ser uma profissão. Para desgraça dos verdadeiros miseráveis, que precisam da solidariedade e são roubados pelos profissionais. Marcos Inhauser