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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

ACABOU

Para quem não gosta de Carnaval, a chegada da quartafeira de cinzas é algo abençoado. E as razões para isto são muitas. A primeira delas é que acabam as apresentações da mesmice na televisão, com o desfilar de pessoas, muitas bebendo ou bêbadas, ou de fantasias as mais elaboradas até às mais ridículas. O segundo motivo é que o desfile das escolas de samba, para quem não curte a coisa, é a variação da mesmice, com o cantar repetitivo e monótono dos sambas enredo. Confesso que, mesmo tentando colocar atenção aos enredos que cada escola apresenta, parece-me que as coisas são sempre as mesmas, variando os carros alegóricos. O terceiro é que, acabado o Carnaval, parece que o brasileiro se dá conta de que tem que trabalhar para sobreviver. Ouvi certa vez de um latino americano que falava arranhadamente o português de que “no Brasil, do Natal ao Carnaval é puro bacanal”. É impressionante como as empresas, repartições públicas, projetos, execuções são adiadas para “depois do carnaval”. Há uma inanição cultural no verão. É verdade que trabalhar em pleno verão com tantas praias e com o calor que faz e que, especialmente este ano foi às alturas, não é nada prazeroso. O quarto é que, acabado o Carnaval, parece que as pessoas se dão conta de que a vida normal é mais sensata, regrada, disciplinada, com horários e afazeres, deveres e responsabilidades, mais cidadania. O quinto é o desfile de pré e eternos candidatos usando dos festejos para aparecer e fazer média com o público. Neste quesito a candidata da república sindicalista foi campeã. Visitou tudo o que pode, carregou criança no colo, dançou com gari na avenida e posou ao lado da Madona. O outro, Serra, mais discreto é verdade, também fez questão de aparecer em Salvador e Recife, como para fazer média com os nordestinos onde sua penetração como candidato é pífia. O sexto é a licença para o vandalismo que alguns sentem que o Carnaval dá. A julgar pela quantidade de ônibus depredados em Campinas e que não creio seja característica desta terra, há os que soltam o seu lado animalesco depredando o transporte que irão usar nos outros dias do ano. Parece que a racionalidade se perde e a lógica não se aplica ao não perceberem que ao depredar estão trazendo prejuízos a si mesmo e à população como um todo. E para concluir, agora se pode dormir sem o barulho dos trios elétricos que infernizavam a vida da gente. Mesmo morando longe do palco das ações, não podia deixar de ouvir o infernal barulho que tais máquinas de decibéis faziam noite adentro. Tenho meu direito ao sono restabelecido. Marcos Inhauser