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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

PALAVRA DESUMANA

Com algumas exceções, por que elas sempre existem, houve certo consenso em recriminar mensagens, postagens, memes, teorias de conspiração e manifestações animosas quando da enfermidade da sra. Marisa Letícia. Causou indignação e muita gente de bem, independentemente da predileção ou partido político que tivesse censurou as manifestações. Também vi manifestações de religiosos condenando tais postagens e afirmando tratar-se de comportamento execrável.
Nos mesmos dias em que isto se dava, por uma prática que adotamos na Igreja da Irmandade de estudar um livro da Bíblia em sequência e lermos os Salmos também em sua sequência numérica, estive lendo alguns salmos entre o 40 e o 48 e fiquei pasmo com algumas afirmações neles constante. Pesquisei um pouco mais e cito aqui alguns trechos dos salmos: “Sobrevenha-lhes inesperadamente a destruição, e prenda-os o laço que ocultaram; caiam eles nessa mesma destruição”” (35:8); “Os ímpios têm puxado da espada e têm entesado o arco, para derrubarem o poder e necessitado, e para matarem os que são retos no seu caminho. Mas a sua espada lhes entrará no coração, e os seus arcos quebrados. Mais vale o pouco que o justo tem, do que as riquezas de muitos ímpios. Pois os braços dos ímpios serão quebrados” (37:14-17); “Deus meu! pois tu feres no queixo todos os meus inimigos; quebras os dentes aos ímpios”. (3:7); “Deus afiará a sua espada; armado e teso está o seu arco; já preparou armas mortíferas, fazendo suas setas inflamadas. Eis que o mau está com dores de perversidade; concedeu a malvadez, e dará à luz a falsidade. Abre uma cova, aprofundando-a, e cai na cova que fez. A sua malvadez recairá sobre a sua cabeça, e a sua violência descerá sobre o seu crânio.” (7:12-16); “Ah! filha de Babilônia, devastadora; feliz aquele que te retribuir consoante nos fizeste a nós;  feliz aquele que pegar em teus pequeninos e der com eles nas pedra” (137:8-9); “Ó Deus, quebra-lhes os dentes na sua boca; arranca, Senhor, os caninos aos filhos dos leões. Sumam-se como águas que se escoam; sejam pisados e murcham como a relva macia. Sejam como a lesma que se derrete e se vai; como o aborto de mulher, que nunca viu o sol. Que ele arrebate os espinheiros antes que cheguem a aquecer as vossas panelas, assim os verdes, como os que estão ardendo. O justo se alegrará quando vir a vingança; lavará os seus pés no sangue do ímpio”. (58:6-7)
Diante destes textos fico com a pergunta: é justo regozijar-se com a desgraça do inimigo ou daqueles que nos causaram problemas? Quando vejo pessoas que defendem a ferro e fogo e inerrância e infalibilidade das Escrituras e que tudo nela é Palavra de Deus, e ao mesmo recriminam o que foi dito da Marisa Letícia, acho que há profunda incoerência, pois o salmista nos ensina a fazê-lo. Se os Salmos são Palavra de Deus e regra de fé e prática, quem ironizou, zombou ou fez chacota da enfermidade da Marisa Letícia, teve comportamento bíblico. Ou seriam estes textos exemplos de comportamentos humanos e que se tornaram clássicos porque muita gente se vê neles e no desejo de ver a ruína do malfeitor? Não faz parte do DNA humano se alegrar com a desgraça do inimigo?
No que pese o fato de ser isto algo muito humano, não significa que é aceitável, nem mesmo nos salmistas. Devemos condenar suas palavras e desejos, da mesma forma como criticamos quem postou as mensagens. E acima de tudo, devemos condenar em nós mesmos os desejos de vingança e prazer na desgraça alheia.
Marcos Inhauser