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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

PALAVRA DE DEUS OU HUMANA?

A posição clássica e ortodoxa é afirmar que “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino...”. Por “toda a Escritura” os protestantes e os que neles tem alguma raiz histórica e/ou teológica (batistas, metodistas, pentecostais) vão afirmar tratar-se de todos os livros que fazem parte do cânon bíblico aceito pelas igrejas chamadas de “evangélicas”. Já para os católicos, para os que creem na inspiração plenária das Escrituras, muito provavelmente acrescentarão os livros chamados de deutero-canônicos.
Há, no entanto, um senão nesta postura. Trata-se dos livros dos Salmos e Lamentações de Jeremias. A análise criteriosa deles nos fará perceber que, antes de serem palavra de Deus dirigida aos homens (tal como ocorre nos profetas, por exemplo), trata-se de palavra humana dirigida a Deus.
A grande maioria dos Salmos são orações humanas dirigidas a Deus na forma de pedido, lamentação, louvor, imprecação, etc. Não são strictu sensu Palavra de Deus, mas palavra para Deus, ainda que haja trechos em que explicitamente se afirma ser Deus falando. Da mesma forma as Lamentações de Jeremias. Trata-se de uma coleção de orações, lamentos, falas de arrependimento, que nascem da boca do profeta e são dirigidas a Deus.
A tomada de consciência deste fator é de profunda importância, porque muitos há que, lendo algo que era uma aspiração ou desejo do orador, o transformam em promessa de Deus. Cito o Salmo 23: “O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda. Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre.”
Note-se que não há nele uma única menção a algo que Deus fala ou promete, antes é a fala do salmista. É uma oração de confiança na provisão e cuidado divinos, mas não é promessa de Deus de que ele fará o que ali está escrito. É um desejo humano e não uma promessa divina.
De igual forma se deve tomar o Salmo 37. Não se trata de promessas, mas de aspiração, de confiança. Neste caso, muito mais de exortação à confiança no Senhor: “Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade. Pois eles dentro em breve definharão como a relva e murcharão como a erva verde. Confia no SENHOR e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade. Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará. Fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia. Descansa no SENHOR e espera nele, não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios. Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente, isso acabará mal. Porque os malfeitores serão exterminados, mas os que esperam no SENHOR.”
Por não perceberem isto, muitos há que prometem o que Deus não prometeu. Conheço muita gente que teve o Senhor como seu pastor, mas que passou por dificuldades e não teve pastos verdejantes e nem água tranquila. Outros que confiaram no Senhor e a Ele se entregaram e nem por isto todos os seus desejos foram satisfeitos.
Marcos Inhauser