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quarta-feira, 3 de junho de 2015

ENVELHECER EM COMUNIDADE

Tenho para comigo que um dos grandes erros do cristianismo foi trocar a experiência e vivência com uma pessoa (Cristo) pela adesão a um código de verdades. O que deveria ser uma experiência diária se transforma em uma ideologia religiosa onde a discussão ganha vitamina por querelas doutrinárias, cada qual defendendo o seu ponto de vista.
A vida cristã é mais que a adesão a um determinado conjunto de verdades. É a vivência constante e diária do amor ao próximo nas suas necessidades, no agir motivado pelo amor em direção a quem necessita de amparo, colo, ouvido, sentido de pertencimento, reconhecimento. A igreja deve ser formada por cristãos comprometidos com Cristo e com o próximo, beneficiando-os pelo exercício dos dons dados por Deus.
À igreja não basta promover e realizar cultos, ter momentos de adoração, súplicas, confissão, mensagens. Ela não se plenifica no ministério de um pastor ou sacerdote. Não é o número dos congregantes que transforma a reunião em igreja, a plateia em congregação. O mais importante elemento na vida da comunidade é a comunhão dos seus membros. Uma igreja deixa de ser igreja quando há alguém dentro dela que não se sabe o nome, não se conhece as suas lutas e problemas. Os membros da comunidade vêm trazendo suas dores e perguntas e é na comunhão que possibilita o compartilhar, o abrir o coração, que se tem respostas de fé para cada uma das necessidades.
Nos aglomerados religiosos, nas mega-igrejas, ninguém conhece ninguém. Se alguma resposta é dada a algum dos problemas específicos que este ou aquela tem, é por acaso. Nas pequenas comunidades, nos pequenos grupos há pertencimento. Cada um dos que participa percebe sua importância para a comunidade porque percebe o cuidado dos demais para consigo e, ao mesmo tempo, pode ser de ajuda aos outros. A vida vivida em comunidade se torna, pois, significativa no duplo sentido: sou ajudado a significar a minha vida e ajudo aos demais a significar as suas.
Há a metáfora da família que se usa para descrever a comunidade dos cristãos. Ela mostra que na igreja deve haver a relação fraterna, igualitária, respeitosa, onde o amor incondicional deve ser a tônica. Na igreja, as barreiras de cor, gênero, idade são transpostas. As crianças vivem em companhia com os jovens e anciãos. Negros, pardos, brancos e amarelos juntos podem ter comunhão. Há na convivência da diversidade que a igreja propicia, uma riqueza ímpar porque possibilita a troca de ensinamentos vindos das mais variadas fontes. A criança e o jovem aprendem do velho e este é levado a pensar na sua experiência e reformular seus conceitos à luz do momento atual, porque para isto é desafiado pelos mais novos a quem ama. Os mais novos têm as respostas às suas inquietações dadas pelos mais velhos porque estes já passaram pelos caminhos que agora aqueles estão passando.
O envelhecer solitário é dramático e traumático. O envelhecer em comunidade e em família é abençoador. Ter uma comunidade onde se possa envelhecer e ao mesmo tempo, sentir-se amado e útil, é cereja no bolo da vida. 
Marcos Inhauser