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quinta-feira, 20 de junho de 2013

NÃO UMA QUESTÃO DE CENTAVOS, MAS DE DIREITOS

Este é um país sui generis. Não há igual. Já contei aqui que em uma visita que fazia à Guatemala, a capital estava em pé de guerra com pneus queimando, barricadas e manifestações porque haviam subido o preço do ônibus em alguns poucos centavos (algo em torno de R$ 0,05). No Equador, onde vivi, um aumento de centavos na gasolina fazia o país parar.
Durante bom tempo fiquei a me perguntar por que os brasileiros são lenientes e coniventes com a enorme quantidade de fatos que vêm à tona a toda hora, dando conta de sobrepreços, propina, desvios de recursos. Por que não há uma revolta social de magnitude com esta corrupção toda?
Hoje tenho que dizer que me dou por satisfeito. E mais que satisfeito: uma manifestação sem a comandância dos focos de podridão que são os partidos e os sindicatos.
Ademais, a mobilização foi possível por causa da terrível incapacidade da Polícia Militar em lidar com manifestações. Depois de vinte anos sem ter que fazer frente à mobilização das massas, a PM (talvez por herança do período da ditadura ou por nunca ter se afastado dos métodos de outrora), achou que acabaria com a coisa com gases lacrimogênio e pimenta, com cassetete e truculência. Deu no que deu. Mais gente saiu à rua e tudo indica que o movimento crescerá.
A repercussão internacional e as manifestações de solidariedade havidas em várias partes do mundo, com a imprensa internacional reverberando os fatos aqui ocorridos, colocou o governo central em alerta de que a coisa está feia e pode piorar. Como o lulo-petismo quer a todo custo a reeleição da sua camarilha, um movimento destes pode botar água no chopp.
Por outro lado, se a cada denúncia há uma convulsão nacional, qual o grau de maturidade do povo brasileiro? A pessoa e a nação maduras se conhecem pelo equilíbrio em lidar com as emoções e em dosar as reações diante dos fatos desagradáveis ou trágicos. Reações desproporcionais, emocionalizadas, são evidência de imaturidade. Ao ter uma reação de espera, de cobrar explicações via meios comunicação, ao usar a rede social para manifestar sua indignação e irritação, ao assistir aos telejornais com vívido interesse, ao ler os jornais e analisar os fatos, a nação mostra maturidade. Maturidade está na manifestação pacífica e ordeira. Imaturidade está na ação de uns poucos radicais que usam do momento para extrapolar.
Gostaria de ver incluída na pauta destas reivindicações a indignação do brasileiro com a tentativa de golpe que o petismo está pretendendo dar no Ministério Público, ao impedi-lo de investigar, uma vez que, na história recente, os deputados e senadores levados à barra dos tribunais o foram por obra do MP.
Marcos Inhauser