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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

DEUS POLICIAL?

No princípio acreditava em um Deus policial, que estava todo o tempo a me vigiar, atento a cada deslize que cometesse, a cada pecado que praticasse. Era um vigilante eterno, que não dormia nunca. Naquele tempo não havia câmeras nem radares a fotografar cada erro cometido e a mandar multas para casa, mas Ele era implacável: castigava de forma dura cada pecado.
Acreditava que Deus me punia cada vez que tropeçava. Se não fosse assim, por que Ele ficava me vigiando e me espreitando? Tinha a sensação de que, quando me "pegava com a mão na botija", Ele me gritava: "te peguei!". Tinha um sorriso de satisfação nos lábios, por ter-me flagrado.
Esta visão de Deus me levou a pensar que Ele tinha prazer em castigar seus filhos. Neste tempo eu usava versos bíblicos que falam da disciplina de Deus, do sofrimento, da privação, da provação. A vida espiritual era para mim o exercício do autocontrole para não tropeçar e para agüentar as conseqüências de haver tropeçado.
Cria neste Deus e ensinava isto a outros. Fazia ver e entender que a vontade de Deus é que sejamos santos, irrepreensíveis e que Ele, para nos levar a esta perfeição, nos castiga quando erramos para nos fazer sentir que o preço do pecado é maior que o preço da obediência.
Ensinava que a pessoa deve orar e ler a Bíblia todos os dias, dizimar, envolver-se nos trabalhos da igreja, que dura coisa é cair nas mãos do Deus vivo. A vida só teria significado quando a pessoa cumprisse com os requisitos da vontade de Deus. Quanto mais orasse, lesse a Bíblia, trabalhasse na igreja, mais satisfeito e feliz seria. Acreditava que devia acordar de madrugada para orar ou passar noites em vigília, porque Deus veria meu esforço e me recompensaria. Havia em mim a ideia de que poderia comprar os favores de Deus, "alcançar a graça" mediante minha dedicação e sofrimentos autoimpostos. Já que Ele se agradava em me vigiar e punir, talvez Ele também se agradasse em me ver autoflagelando.
Mas este tipo de espiritualidade era como um vício. Quando praticava tais atos, me sentia bem, mas depois de um tempo, sentia que faltava algo, que havia um vazio lá no fundo, um medo constante de não estar agradando a Deus. Lá ia eu a tomar outra dose de dedicação, oração, leitura bíblica, oferta na igreja, assistia a tantos cultos quanto possível. E isto não assegurava que não entraria de novo no "down", em uma espécie de ressaca espiritual.
Em um processo lento, gradual, dolorido porque destruía antigas convicções, fui percebendo que Deus não é policial, mas Pai/Mãe bondoso, um Deus da graça. Ele faz o que faz independentemente das circunstâncias, do que faço ou deixo de fazer. Ele não é mais Deus ou menos Deus em função da quantidade de horas que oro, da quantidade de textos bíblicos que leio ou sei de memória, do meu dízimo. Ele me abençoa porque é da Sua essência de um Deus de amor. Ele me amou quando eu era ainda um desgraçado pecador. Não foi, não é e nunca será por mérito. Ele é graça pura, ação incondicional, amor, dádiva sem que haja nada que o obrigue a isto, nem mesmo a minha consagração. Ele me ama como sou, graças a Deus!!!!!!!
Marcos Inhauser