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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

AMOR MAIOR

O evangelho de João traz uma palavra de Jesus que diz: “O meu mandamento é este: amem uns aos outros como eu amo vocês. Ninguém tem mais amor pelos seus amigos do que aquele que dá a sua vida por eles”.
Diante da tragédia de Santa Maria e dos inúmeros comentários e análises já feitos, pouco ou nada a mais tenho a acrescentar, reafirmando, no entanto, que não há efeito (tragédia) produzido por uma única causa. As muitas causas já foram levantadas (projeto inadequado, superlotação, material inflamável, falta de saídas de emergência, imprudência da banda, extintores que não funcionaram, etc.).
No que pese toda a tristeza que o fato gerou, há uma coisa que merece ser destacada como positiva: as várias pessoas que, mesmo tendo conseguido sair da boate, para lá voltaram para resgatar a outras pessoas e várias delas acabaram morrendo. Deram suas vidas por amor ao próximo. Há os que foram em busca de amigos e namoradas, há os que se atiraram para salvar quem pudesse, há os que não saíram, mas ajudaram outros a sair.
O caso do soldado que salvou quatorze pessoas e não conseguiu se salvar, o caso de um dos que, à marretadas, abriu buracos na parede e inalou os gases e acabou internado em estado grave, são dignos de nota e elogios.
Se é verdade que houve quem visasse só o lucro, permitiu a multidão que superlotou a casa e não permitiu a saída imediata do pessoal porque deviam mostrar a comanda paga, é verdade muito mais evidente que houve quem se sacrificasse para salvar vidas.
Outro aspecto altamente positivo foi a solidariedade mostrada, quando centenas, talvez milhares de pessoas se dispuseram, dentro das suas forças e habilidades, a ajudar no que podiam e era preciso. É o caso do pedreiro que se voluntariou a fechar os túmulos porque não havia gente suficiente para todos os caixões que deveriam ser sepultados. Gente que fez o café para quem estava no velório, gente que abraçou, acolheu, chorou junto com os que haviam perdido familiares e amigos. Gente abanando feridos e asfixiados em plena rua, gente carregando a outros, gente que ajudou pessoas caídas a se levantar para que não fossem pisoteados, como é o caso do músico da banda. Quem o ajudou não olhou se era ele o culpado ou não.
Em um país marcado pela corrupção, impunidade e mau caráter (como os casos candidatos à Câmara e Senado, enrolados até o pescoço em denúncias várias), onde mensaleiros julgados pela opinião pública e STF reafirmam suas inocências, o exemplo deixado pelos atos de heroísmo em Santa Maria, devem nos orgulhar e enaltecer os valores do amor, mesmo que seja ele sacrificial.
Eles mostraram que o que Jesus ensinou pode ser verdade não só na vida do Mestre, mas também na vida de seus discípulos.
Marcos Inhauser