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segunda-feira, 15 de março de 2010

CORPO ESQUARTEJADO

Não foram poucas as vezes em que, tendo buscado atenção médica para um problema de saúde, me senti esquartejado. Cada médico cuidava de uma parte de mim e não via ninguém me vendo como um todo. O advento das especialidades médicas teve o condão de dar a cada especialista mais conhecimento sobre uma porção cada vez menor do corpo humano. De uma experiência de internação, cirurgia, infecção hospitalar e convalescência prolongada, fiquei com outra sensação de mal-estar: eu era paciente, não um ser humano completo. Era o paciente da gastro, não o ser humano inteiro. Revisei uma tese doutoral no ano passado onde a autora traz esta inquietação à tona e o faz a partir da sua prática no campo da fisioterapia. Recusando a prática de tratar o paciente como uma pessoa lesionada em uma das partes de seu corpo, percebeu que este mesmo ser humano que ali estava tinha uma vida, relações familiares e sociais, sentimentos, auto-estima, sonhos, frustrações, medos, ansiedade e que este conjunto de variáveis interfere de maneira consciente e inconsciente no tratamento e na recuperação. Na busca de uma abordagem holística, ela percebeu que quanto mais cuidava do ser integral e não somente da parte lesionada, melhores e mais rápidos eram os resultados. Esta sua experiência relatada de forma clara, objetiva, desafiadora, fazendo-o no campo conceitual traz o relato de suas experiências na clínica. Ao sua tese notei o quanto a medicina e ciência correlatas deixaram de lado o humano para tratar do paciente. Esta é a reclamação mais constante do atendimento na rede pública de saúde. Não há quem, tendo mais idade, não sinta saudades do médico de família, aquele que atendia a todos e a tudo, mas que ao entrar no seu consultório, nos conhecia pelo nome e se lembrava das coisas que tivemos e, como que tivesse uma bola de cristal, já sabia por que ali estávamos. Tive a felicidade de ter alguns destes médicos para me atender e a meus filhos e esposa. Dois pediatras, que mais que médico eram amigos, são até hoje procurados pelos meus filhos quando se defrontam com algum problema com seus filhos. Mesmo a filha que mora na China, vira e mexe liga para o Tio Moimando (que é como eles o chamavam como crianças). Já falei aqui do dr. Luís Belintani que atendeu minha filha e possibilitou que ela nos desse a benção de um neto e uma neta e que salvou a outra de complicações seríssimas. Em outra oportunidade falei aqui do Dr. Brasilino (se não erro o nome) que se interessou por um problema de minha filha e fez dela um estudo de caso. Mas ainda tenho o Dr. João Carlos (cardio), o Lysias (Uro) e o Edson (gastro e cirurgia), o Danilo (psiquiatra). Mais que médicos, são amigos. A eles minha gratidão. Marcos Inhauser