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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

ELE FARIA 102 ANOS

Meu sogro, que foi um pai para mim, completaria nesta semana, se vivo estivesse, 102 anos de vida. Parece que não entendia porque se dá tanta importância às datas redondas (50, 100, 150, etc.). Certa feita, vendo uma reportagem sobre os 500 anos de algo ele me perguntou se 500 era diferente de 499 anos ou 501 anos. Podia ter escrito algo sobre ele quando faria 100 anos, mas, por respeito a isto, deixei para mais tarde.
Ele era uma pessoa especial. Tão especial que quero transcrever aqui o que recebi de uma jovem da Igreja Menonita, que ele frequentava. Seu nome é May Euzébio.
“No primeiro domingo do mês é sempre o domingo de celebrar a ceia na Igreja que frequento. Um momento simbólico, onde juntos tomamos o cálice de suco de uva, no lugar do vinho, e repartimos o pão, símbolos do sangue e corpo de Cristo, vertido e partido por todos nós.
Hoje, durante essa celebração, algo diferente me ocorreu. Eu segurava o cálice e o pão, e os olhava de uma forma como há muito não olhava. Meu coração encheu-se de uma nostalgia, de forma que cada recanto de mim foi inundado de saudade. A saudade tinha nome: "Seu Leone”. Descobri que meu olhar naquele momento era aquele com o qual eu olhava para a Ceia quando criança. Era o olhar novamente de uma criança!
Lembrei-me de que, quando pequena, após a Ceia dos adultos, as crianças eram convidadas a ir ao salão social da Igreja, aprender sobre a Santa Ceia e participar de uma forma simbólica. Foi deste jeito que, desde criança, ouvi sobre o sacrifício de amor incrível que Jesus fez por mim.
Seu Leone foi o primeiro, e por muito tempo o único, a levar as crianças para a Ceia, explicar cada elemento, cada significado e, com muito amor, orar por todos nós. Quanta gratidão, senti hoje ao tomar a Santa Ceia! Como foi importante para mim, ouvir na minha infância, sobre o sacrifício de amor do meu Jesus!
Foi aquele senhorzinho, humilde e dono de uma alma linda que, por tanto amor à Palavra e aos pequeninos da Igreja, me permitiu conhecer e experimentar o amor do nosso Deus. Quanta gratidão eu senti por aquele homem! Quanta vontade de abraçá-lo e agradecê-lo. Hoje ele descansa nos braços do Pai. O que pude fazer foi fechar meus olhos, diante do pão e do cálice, e agradecer com todo o meu ser, sabendo que a Eternidade me espera, e que um dia eu poderei dizer tudo isso olhando nos olhos tão amorosos do "Seu" Leone.” (May Euzébio)
Ele nunca pediu autorização para fazer isto. Não acredito que a igreja o tenha autorizado, mesmo porque ele o fazia de forma tão espontânea e sincera que seria crueldade impedi-lo.
Eu também sinto saudades dele. Muitas vezes, quando nos sentamos à mesa no espaço da casa que era sua cozinha, lembro da música: “nesta mesa está faltando ele e a saudade dele está doendo em mim”. Saudades das suas piadas, do seu jeito meigo e às vezes duro, saudades das gozações que fazia com ele porque era são-paulino e eu corintiano. Saudades de uma pessoa especial e que soube ser especial para mim e para muito mais gente.
Marcos Inhauser