Leia mais

Há outros artigos e livros de Marcos e Suely Inhauser à sua disposição no site www.pastoralia.com.br . Vá até lá e confira
Coinfira também dicas de economia em www.ondecharoque.com.br

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

PAZ VERDADEIRA

A paz segura não se consegue pelo processo de dissuasão mútua. Quando ambos estão sem mais argumentos um para com o outro, não significa que a paz está reinando. O máximo que se pode dizer é que está se prevenindo a guerra por tempo limitado. Este processo até pode servir a um propósito, mas nunca será solução permanente. O mesmo se pode dizer do cessar-fogo temporário ou a trégua. Interrompem, por um tempo, o ciclo de violência, mas não estabelecem a paz!
A paz permanente é a vontade de Deus para toda a sua criação. Com isto estou afirmando que a paz tem dimensões ecológicas também. É a paz entre os seres humanos e a paz destes com a criação. Não há paz verdadeira enquanto os seres humanos se agridem e matam, nem enquanto eles agridem a criação, a maltratam e a matam. Não há paz enquanto houver gente passando fome, gente sofrendo enfermidades para as quais se conhece a medicina, crianças morrendo de diarreia, animais sendo extintos, rios sendo poluídos, etc. Não há paz enquanto houver racismo, sexismo, intolerância religiosa.
A paz na sociedade e entres seus grupos se realiza quando o estado de justiça é reciprocamente reconhecido. Não há, no entanto, uma medida absoluta e eterna que diga o que é justo para sempre. A justiça é uma justiça contextual e processual. Por isto, a lei do amor deve ser mais abrangente que a prática da justiça porque “a letra da lei mata, mas o amor edifica”. A justiça que não contemple as variedades culturais não é justiça, porque intolerante.
Para o cristão, a paz não é uma opção: é uma imposição do evangelho e da práxis cristã. Cristão não comprometido radicalmente com a paz deve ser questionado no seu cristianismo. Amar ao próximo é conditio sine qua non para a justiça e a para a paz. São tão essenciais na vida cristã que a ausência deles é a negação de Jesus Cristo. No entanto, estas práticas não são naturais no ser humano, mas algo que é fruto do Espírito na vida daqueles que experimentaram o amor renovador e transformador de Jesus Cristo.
O cristão autêntico não empurra para debaixo do tapete as questões espinhosas que afetam a vida plena da paz, antes, tal como os profetas veterotestamentários, os traz à luz e os denuncia para que haja mudanças. Percebe-se com isto que a paz não é uma condição estática, tal como a pensavam os gregos, nem a ausência de guerras, como queriam os romanos. Para estes, a vitória sobre o inimigo era o estabelecimento da paz. Este mesmo conceito, em certa medida, está presente nos textos históricos do Antigo Testamento.  Os estóicos entendiam a paz como uma disposição mental e espiritual, de harmonia interior, com certa resignação diante dos fatos que atentavam contra a paz. Vencer era estabelecer a paz. Por isto mesmo, uma paz unilateral e deficitária. A verdadeira paz é uma busca constante e incessante de um estado pleno de harmonia.
Este é o sonho do profeta Isaías: “Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do SENHOR e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do SENHOR, de Jerusalém. Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra. (2:3,4)
Que me perdoem os militares, mas eles vão perder o emprego no Reino de Paz.
Marcos Inhauser