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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

FÉ? O QUE É ISTO?

Há enorme quantidade de gente que, perguntada sobre o que é a fé, não hesitariam em responder com a afirmação constante no livro dos Hebreus: “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11:1). No entanto, a definição acima traz dificuldades intrínsecas, uma vez que só se aplica às coisas que se esperam e às que se não veem. Interpretada a definição literalmente, não há fé nas coisas passadas e nem nas que se veem.
Se ela só se aplica ao que se espera, como ter fé no Jesus histórico que veio e que é fato do passado? Como crer nos relatos bíblicos da libertação do povo de Deus do Egito, nas pragas, na passagem do Mar Vermelho e outras narrativas do passado? Se são passado, já não são alvo de espera e se não o são, não são objeto da fé.
Como fica a narrativa de Tomé que precisou ver para crer? “Se eu não vir o sinal dos cravos nas suas mãos, e não meter o dedo no lugar dos cravos, e não meter a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei” (Jo 20:27).
Se olharmos para o Antigo Testamento e para as narrativas de fé que ali se encontram, vamos perceber que não há nele um manual de crenças, ou um compêndio de teologia conceitual. Antes, pelo contrário, vamos encontrar uma coletânea de narrativas de fé de que Deus estava agindo na história a favor do seu povo. Parece mais uma página de um diário de fé nos atos de Deus. Criam no Deus da história que faz dela o seu palco revelacional. Deixar de ver nas minúcias dos atos históricos concretos o agir de Deus é cegar-se à revelação.
Pasma-me que os púlpitos e os cânticos em moda nos templos pouco ou nada façam desta leitura do agir de Deus na história hoje. Parece que as prédicas ensinam um Deus que morreu no passado, ou em um Deus catatônico que deixou de agir e está paralisado. Ficou mudo no dia em que, sábios teólogos concluíram quais os livros que fazem parte do cânon e depois disto proibiram Deus de continuar falando e se revelando.
Olham para o passado para encontrar histórias bonitas de como Deus agiu, mas são cegos para o presente e para os atos de Deus na história brasileira, latino americana e mundial do ano de 2016. O Deus mudo e catatônico das modernas pregações se limita a curar enfermos, expulsar demônios e dar prosperidade aos bispos de igrejas gananciosas.
Deus encolheu. Foi exuberante no passado, mas perdeu seu brilho e vigência no século da tecnologia. Como discípulos devemos viver das glórias do passado, ir aos templos que são museus a contar histórias antigas, preservar a memória de um povo, e acreditar que um dia a glória será restabelecida na mesma Jerusalém de antanho. Ele fazia milagres e hoje ... bem .... hoje ... é diferente.
Mais que pregadores, deveriam ser “leitores da história”. Como disse o Karl Barth, um bom pregador é o que tem a Bíblia em uma mão e o jornal na outra. Um iluminando o outro. O jornal trazendo luzes para a leitura bíblica e a Bíblia iluminando o entendimento dos acontecimentos atuais.
Um Deus fora da história é marionete nas mãos de pregadores analfabetos e inescrupulosos.

Marcos Inhauser