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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

UM MISTO DE SENTIMENTOS

Pela primeira vez pude ter reunidos para as festas de final de ano a todos os meus netos, um dos meus dois genros e minha nora. São catorze anos desde que minha primeira filha se casou e depois deste tempo todo, poder celebrar o Natal juntos, ver a criançada pulando, gritando, aprontando, foi uma experiência indescritível. Ao mesmo tempo em que desfrutava, ouvia no noticiário e constatava as mudanças climáticas e uma pergunta vinha à mente de forma inevitável: que mundo vamos deixar para eles?
Vi a posse dos governadores e da Dilma. Ouvi parte dos discursos e me bateu aquele ar de frustração por perceber que todos os candidatos que prometeram o paraíso, acenavam com frituras na administração. Ouvi alguma coisa do que os ministros disseram e, na expectativa de mudanças, o que vi foi a perpetuação da mesmice.
Ouvi sobre as mudanças que se propõe para o Salário Desemprego e Auxilio Doença e acreditei que haveria alguma seriedade na área econômica e mudanças para evitar o Auxilio Preguiça que o Salário Desemprego se transformou. Mal acabei de ouvir, veio a notícia de que a coisa não passa pelo Congresso, porque a base aliada está descontente com as nomeações feitas pela presidente.
Ouvi o ministro Barbosa dizer que faria mudanças no cálculo do salário mínimo. Vibrei porque, ainda que seja analfabeto em economia, sei que a fórmula arrebenta os gastos públicos, uma das mazelas deste governo. No outro dia li que o ministro veio a público dizer que não disse o que havia dito, pressionado que fora pela presidente em férias. O príncipe virou sapo pela intervenção da bruxa.
Tomou posse o mais antigo ministro não empossado, o Levy, aquele que foi nomeado e nunca empossado para dar tempo ao ministro-das-eternas-desgraças praticar a sua contabilidade criativa, feito Mandrake escondendo o descalabro das contas públicas.
Olho na minha estante e vejo um livro que o tenho e o li há mais de 20 anos. Está em inglês e o título e "Para uma Esperança Melhor". O autor, Hauerwas, trabalha a questão de manter acesa a esperança de dias melhores e que isto e possível. Creio nisto, mas, com esta política que vejo, com os Renans, Sarneys, Zés Dirceu, Delubios, Vacaris, Vacarezzas, Youssef, Duque e aliados, parentes e clones, fico em dúvida se esperança melhor poderemos ter.
Isto me leva a pensar que, nos tempos de Seminário, na minha formação teológica, fui ensinado a ter e comunicar certezas, especialmente a de melhores dias e a do Reino de Deus ao fim de tudo. No entanto, vejo que a vida é como barco ao sabor das ondas, levado para todo lado. Como ter certezas neste mundo de mudanças radicais a cada minuto? O mundo ficou liquido, volátil, multiforme.
Em meio às incertezas, viver é uma aventura. Viver com e pela fé é loucura. Ao menos não posso dizer que não fui avisado: o apóstolo Paulo já havia alertado que o evangelho é loucura.
Marcos Inhauser