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quarta-feira, 6 de junho de 2012

ASSASSINOS DE CONVERSAS


Fui à festa junina no colégio de meus netos para vê-los participar das atividades. Enquanto esperava fui me irritando com o volume do som. Quatro enormes caixas acústicas “animavam” o ambiente. O encarregado do barulho, em uma barraca ao lado da quadra, estava com o fone de ouvido posto e não sei se tinha noção do quão alto o som estava.
À medida que esperava a apresentação, me perguntava: será que não percebem o dano que podem estar causando aos ouvidos das crianças que aqui estão? Como podem enfatizar a reciclagem, ensinando a selecionar o lixo e evitando a poluição, se eles mesmos promovem a poluição sonora? O som equalizado para reforçar os graves, batia na cabeça como se fosse marreta. Eu que sou movido a música, estava irritado com ela.
Quando terminou a apresentação eu achei que teria alívio. Que nada! Lá estava a “música ambiente” em volume tão alto que dificultava a conversa com as pessoas que conhecia. Um tinha que gritar para o outro para ser ouvido e entendido. Saí de lá antes do previsto, cuspindo marimbondos.
Aquele era um tempo em que as famílias estavam reunidas, que as pessoas se encontravam e se cumprimentavam, um tempo de celebração da amizade que foi atrapalhado por um DJ sem noção, que acreditava que a sua música era mais importante que a amizade e as conversas. Longe do local onde as pessoas estavam, o DJ não percebia o estrago que estava fazendo.
Esta não é a primeira vez que fico irritado com a “música ambiente” que é mais música que ambiente”. Detesto restaurantes com música ao vivo. Quando vou a um deles o faço em companhia da esposa, dos filhos ou amigos e o que quero é conversar, trocar ideias, contar piadas. E lá está o barulho a atrapalhar. Ao final, na hora da conta, ainda querem me cobrar o “couvert artístico”. Querem que eu pague por ter sido atrapalhado na conversa, por ter ficado irritado, por ter ficado com dor-de-cabeça.
Lembro-me de um restaurante no interior do estado de Goiás onde fui jantar. Havia um cara grunhindo, equipado com um vilão que mais parecia arma que instrumento musical, cantando desafinado. Horrível! E ainda tiveram a ousadia de me cobrar R$ 15,00 para ser torturado pelo indivíduo. Não paguei.
Outra feita, em uma festa de casamento, quando as famílias que há tempos não se encontravam e tinham a oportunidade de colocar as novidades em dia, foram literalmente impedidas de fazê-lo por causa de um desajustado, equipado com uma mesa de som, que botou putz-putz para tocar e que ninguém conseguia fazer mais nada que ficar calado e olhando um para a cara do outro. Para mim ele tinha a necessidade de ser notado, mais que a noiva. E conseguiu. Todos o xingaram.
Estes sonoplastas de araque são assassinos de conversas. Matam o diálogo interpondo a violência da altura de seu som. A música ambiente é para suavizar, estabelecer um clima ameno e nunca para agredir. Ela deve facilitar o diálogo, o encontro, a conversa e não matar uma das coisas mais preciosas do ser humano: falar e ouvir.
Marcos Inhauser