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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

CARISMA E ESTIGMA


Em toda família que tenha dois ou mais filhos há um Abel e um Caim. A afirmativa pode parecer ousada e dura, mas me explico.
Todas as vezes que se tiver duas ou mais pessoas juntas, seja em reunião, família ou equipe, de forma natural e não premeditada surgirá um que se destacará como líder, como a pessoa “do bem” e outra que será a que tentará chamar a atenção sobre si com gestos, atos ou comportamento reprováveis ou estranhos. Pode também ser involuntariamente eleita como o bode expiatório de tudo quanto de mal aconteça.
Qual a família que, tendo dois ou mais filhos, não têm o que estuda sem precisar que se cobre isto dele, que arruma suas coisas, que faz o dever de casa; e outro que deixa as coisas bagunçadas, não gosta de estudar e só quer dormir até tarde?
Na história bíblica há vários exemplos: Abel e Caim, Isaque e Ismael, Jacó e Esaú. Davi era o “patinho feio” entre os irmãos, assim como José que acabou vendido a mercadores de caminho ao Egito.
Quem, trabalhando em uma empresa, não tem nela o cara que faz tudo errado, que é mole, acomodado, lento, alvo das piadas e saco de pancada de todos?  Se é mandado embora, outro fatalmente o substituirá.
Estas considerações me vêm à mente porque, no plano internacional, parece que ocorre o mesmo. Há uma extrema boa vontade das nações, indivíduos e religiões cristãs em aplaudir tudo quanto Israel faça, mesmo que seja massacre como foi o caso de Sabra Shatila, a mortandade no barco turco que levava ajuda humanitária, e a opressão e invasão da Palestina.
Por outro lado, o estigma fica por conta da Palestina que, mesmo buscando pelos meios diplomáticos e legais ser inserida no concerto das nações abrigadas no guarda-chuva da ONU, é tratada como nação de segunda, quiçá de terceira categoria.
O simples fato de ter sido recebida pela UNESCO como membro pleno levou o aliado ad eternum (EUA) a retaliar e a cortar as verbas que envia ao órgão, como se a participação dos palestinos fosse mais perigosa que uma bomba atômica jogada sobre Washington.
Temos uma enorme necessidade de ter sempre um bode expiatório para nossas vidas e atos. Ë o irmão ou irmã que encarna meu lado “do mal”, aquele que não tenho coragem de assumir e que transfiro para este meu bode expiatório. Na empresa ele é o culpado pelas minhas falhas e motivo dos meus risos de satisfação pela afirmação nunca proferida de que sou melhor que ele ou ela.
No campo internacional, precisamos de uma nação escolhida por Deus, com um povo eleito para nos dar a esperança de que, aplaudindo tudo quanto façam, alguma benção sobrará para mim. Preciso de um bode expiatório para jogar sobre esta nação, ditador ou déspota todos os males.
Nestes dias nos saciamos com os bodes expiatórios: Mubarack, Gadaffi, Hussein, Bin Laden, Ministro do Transporte, do Turismo, da Agricultura, da Casa Civil, etc.
O único carisma que restou foi o Steve Jobs, beatificado post mortem como o santo da tecnologia, o que fez o que nem em sonho imaginamos que poderíamos fazer.

Marcos Inhauser