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terça-feira, 27 de novembro de 2012

SE A MODA PEGA



Mais uma vez estou na China juntamente com minha esposa. Minha filha estava nos esperando e fomos para sua casa. Fui tentando reconhecer coisas que havia visto nas vezes anteriores. Descobri uma linha de metrô construída em menos de três anos.
No outro dia saímos, lá pela hora do almoço, com um frio de zero grau. Na avenida perto da casa dela há um novo condomínio sendo construído e na sarjeta havia uns cem trabalhadores sentados ao relento, almoçando. Fiquei arrepiado! Não de frio, mas com a condição deles. Lembrei-me que nesta terra não há fim-de-semana, muitos trabalham sem ter um domingo ou sábado na vida. A maioria trabalha mais de doze horas por dia.
Alguém que nasceu em uma cidade do interior e quer trabalhar em outra onde haja mais oportunidades de emprego e melhores salários, precisa ter um “passaporte interno” com a autorização para trabalhar fora de sua cidade. Se vai sem isto, é ilegal e não tem direito a escola para seus filhos, atenção à saúde, etc.
A grande maioria das empregadas domésticas precisa trazer de casa a sua comida, pois não podem comer onde trabalham. Transporte urbano é bicicleta, mesmo com frio de congelar! Vale refeição, vale transporte, vale-qualquer-coisa não existem por aqui.
Ao regressar à casa abri a internet para ter notícias do Brasil. Deparo-me com uma notícia estarrecedora: um presidiário que tinha por obrigação limpar os banheiros da prisão entrou com uma ação na Justiça do Trabalho reclamando salário, INSS, FGTS e reparação de R$ 100.00,00 por danos morais. Ele ganhou a sentença. Só não levou o pedido de danos morais. O Estado foi condenado a pagar. E vai pagar com o meu, o seu e o nosso dinheiro, arrancado a fórceps dos nossos bolsos.
O agraciado condenado vai pagar as refeições que comeu às nossas custas? E vai também ter redução da pena, proporcional aos dias de trabalho realizado? Vai pagar o custo da sua estadia na prisão? Vai devolver os danos que provocou a alguém, pelo que foi sentenciado?
Certa feita em dia de intensa chuva, passei em frente a um hospital e vi uma mãe com uma criança no colo e mais duas grudadas a ela tentando escapar da chuva. Era um domingo à tarde e imaginei que aquela mulher estava tentando voltar à casa depois de levar um dos filhos para ser atendido. Voltei e ofereci carona. No carro a minha suspeita se confirmou. Mais: soube que o marido estava preso pela quarta vez e que ela preferia vê-lo preso. Perguntei por que. Ela me disse que solto não trazia nada para casa e que preso ela tinha direito a uma ajuda do Estado que dava para “tocar a vida”.
Os endinheirados agora sentenciados pelo STF vão cobrir as despesas da “estadia”? Ou, além de terem “metido a mão no seu, no meu e nosso dinheiro, ainda vão comer, beber e ficar o dia inteiro à toa, às nossas custas? Depois vem o Ministro da Justiça que prefere morre a cumprir uma sentença em cadeia brasileira. Justamente ele, que é o responsável pelo caos!
Algo está errado na China e no Brasil.
Marcos Inhauser