Professor, pastor, teólogo e educador corporativo Textos escritos para a coluna semanal no Correio Popular, da cidade de Campinas e texto escritos depois de 2021, que tratam de temas nacionais, internacionais, sobre igreja e teologia
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quarta-feira, 18 de abril de 2012
Carta de Princípios da Criança Diabética
Há alguns anos presto serviço voluntário junto à ONG Pró-Diabéticos. Fundada em 2005, pela Sra. Claudia Filatro, mãe de uma criança com diabetes tipo1, a ONG Pró-Crianças e Jovens Diabéticos, sediada em Campinas/SP, e com filial em Guarujá/SP, conta com cerca de 30 voluntários, nasceu com a missão de prover amor, orientação e meios aos pacientes portadores de diabetes tipo 1, com prioridade para crianças e adolescentes de baixa renda, e seus familiares.
O Diabetes mellitus (DM) é um dos principais problemas de saúde pública mundial, tendo afetado no ano de 2011 cerca de 366 milhões de pessoas e com uma estimativa de 552 milhões de indivíduos afetados no ano de 2030 se medidas de prevenção não forem adotadas.
O Diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é o distúrbio metabólico mais frequente na infância e na adolescência e caracteriza-se pela deficiência absoluta da secreção de insulina, resultante da destruição autoimune das células beta do pâncreas.
Recentemente a ONG trabalhou dura e arduamente na elaboração da “Carta de Princípios dos Direitos da Criança e do Adolescente com diabetes tipo 1”. Esta é mais uma iniciativa inédita da ONG, cujo papel é defender os direitos, interesses e necessidades das crianças e adolescentes de baixa renda com diabetes tipo 1. A Carta visa garantir os direitos básicos dessa população e para isto precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional. A forma de se conseguir isto é através de Abaixo Assinado eletrônico com 50.000 assinaturas on line.
Com esta carta busca-se o direito de receber cuidados especiais de um Cuidador capacitado em diabetes tipo 1 que ajudará o paciente a receberem os cuidados especiais; que ajudará a criança a gerenciar em nível domiciliar o tratamento medicamentoso do paciente, assim como do plano alimentar de prescrito pelo médico ou de nutricionista; controlará as crises agudas e complicações, manterá registros glicêmicos, estímulo e/ou acompanhamento do paciente nas atividades físicas, visando sempre concentrar esforços no tratamento preventivo.
A ONG lança agora a campanha para as assinaturas sejam colhidas e que podem ser firmadas por pessoas físicas, jurídicas, associações de portadores de diabetes, e demais entidades de defesa dos direitos da criança.
A forma de aderir à campanha e deixar sua assinatura é acessando o site:: http://www.peticoesonline.com/peticao/carta-de-principios-dos-direitos-da-crianca-e-do-adolescente-com-diabetes-tipo-1/456.
Colhidas as assinaturas necessárias, o próximo passo será a entrega da Carta com as devidas assinaturas eletrônicas à Ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário Nunes, ao Ministro da Saúde Alexandre Padilha, Coordenador Nacional de Saúde da Criança e do Adolescente do Ministério da Saúde e ao CONANDA (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), a fim de que sejam implementadas as ações necessárias que assegurem a efetivação dos direitos dessa população.
Marcos Inhauser
quinta-feira, 12 de abril de 2012
MEU TEMPLO É A COZINHA
Meu altar é o fogão.
Minha ceia é o arroz e feijão,
salada e mistura.
A mesa é a celebração da
comunhão.
Os vapores das panelas são o
incenso das minhas orações.
O cheiro é a antecipação do
paraíso.
A reunião é a adoração.
O barulho dos comensais é o canto
de louvor.
Não falo em metáforas, mas na
concretude dos fatos de entender que cada refeição é uma Eucaristia. Cada vez
que entro na cozinha eu o faço com reverência. Gosto de cozinhar e entendo que
fazê-lo é um ato de amor ao próximo. Cozinho não para mim, mas para os meus
familiares, os meus amigos. Esmero-me.
Cortar uma cebola ou um tomate é
um ato de celebrar ao Criador ao ver as texturas, a disposição das sementes, o
cheiro, o gosto. Colher a salsa e a cebolinha é um ato de usufruir do criado e
o prazer do sabor na comida. Mesmo folhas minúsculas, moídas, picadas, esmagadas,
trazem tempero e a delícia da criação ao prato preparado. Temperar uma carne,
um peixe, um frango é um ato de adoração ao Criador que nos deu a comida e a
sabedoria em prepará-las. Que mundo mais
sem graça seria se tudo viesse pronto, como fast food divino. Ele deixou a nós
a liberdade para temperar, acrescentar sabores, mudar formas, variar arranjos.
A cozinha requer uma estola
sacerdotal. O avental é a estola do sacerdote cozinheiro. E cozinheiro que se
preze tem seus instrumentos próprios: tem suas facas, sua chaira, sua pedra de
afiar, a colher de mexer. Não é qualquer faca, nem qualquer colher. Há hora certa
de entrar em cena. Dependendo do que se vai cortar ou mexer, lá vai o
instrumento certo. Há uma liturgia no ato de cozinhar.
Cada vez que preparo uma comida
posso dizer com toda propriedade e sem nenhuma blasfêmia que “isto é meu corpo
dado por vós”, “isto é meu sangue dado por vós”. Quem nunca saiu de uma cozinha
exausto e moído de canseira? Quem nunca cortou o dedo preparando a comida? Mais
que isto, posso dizer que é meu corpo e meu sangue porque o alimento ali
apresentado teve horas de trabalho, de vida consumida para trazê-lo e coloca-lo
à mesa. E cada vez que apresento o alimento na mesa da comunhão, propicio o
milagre da ressurreição: corpos famintos, esmaecidos pela canseira, tem seu
vigor renovado, sua vida ressuscitada.
Sentar-se à mesa tem um quê de
sacramental. As inimizades não resistem a uma comida fraternal, a unidade é
fortalecida pelo fato de compartilhar da comida. A solidariedade é enriquecida
por ter que desfrutar da comida pensando que o outro também deve comer. Há o
milagre da multiplicação: quantas vezes você serviu uma janta ou almoço e achou
que a comida era pouca? E quantas vezes, apesar disto, sobrou um pouco no fundo
da panela?
Cada vez que juntos comemos,
esperamos a oportunidade de um novo comer, uma nova reunião, uma nova
Eucaristia. Cada almoço e jantar deve ser uma Eucaristia celebrada na
intimidade do lar, no convívio dos queridos e no convite dos que queremos nos
reconciliar.
Marcos Inhauser
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terça-feira, 3 de abril de 2012
A REFEIÇÃO RELIGIOSA
Não é
nenhuma coincidência que a celebração cúltica máxima nos tempos do Antigo
Testamente seja uma refeição e, de igual forma, no Novo Testamento. Todo o
calendário litúrgico da religião judaica estava e ainda está voltada para a
celebração anual da Páscoa. A esta celebração Jesus subiu a Jerusalém, assim
como muitos faziam em Israel para, no templo, participar da festa que conferia
identidade e integridade nacionais.
Todo judeu
devia, ao menos uma vez em sua vida, participar desta festa na cidade santa.
A
centralidade e importância desta refeição comunitária se devem ao fato de ter
sido ela instituída quando o povo ainda estava no Egito, em escravidão por mais
de quatro séculos, e que, depois de nove pragas, são orientados a matar um
cordeiro, vestir-se para viagem, sandália aos pés, porque iniciariam a
peregrinação para a liberdade, conhecida como Êxodo. O sentido de comunhão
estava evidente no fato de que todos da família, inclusive as crianças, deviam
participar. Se o cordeiro fosse muito para uma família, vizinhos deviam ser
convidados para que juntos dele comessem e assim desfrutassem da experiência do
convívio celebrativo da libertação.
A
celebração tinha ainda o caráter rememorativo e educativo, pois, quando os
filhos perguntassem por que celebravam a Páscoa, os pais deviam contar a
história da escravidão no Egito e como o povo foi libertado. Além de educar, também
tinha o objetivo de evitar que os judeus fizessem com outros povos o que o
Egito havia feito com eles.
Já no Novo
Testamento a centralidade da Eucaristia não é menor, nem diferente o seu
objetivo. Cabe ressaltar que Jesus não deixou para Sua igreja a Bíblia, nem o
templo, nem um manual de doutrina, nem rituais definidos e demarcados. A única
coisa que Ele deixou foi a Eucaristia ou Santa Ceia. Ressalte-se ainda que, no
Seu ministério e muito mais depois da Sua ressurreição, ele ceou com seus
amigos, inimigos e apóstolos.
Ele
instituiu a Ceia como forma de comunhão e celebração rememorativa, tal como se
devia fazer na Páscoa. “Fazei isto em memória de mim” e “porque todas as vezes
que comerdes este pão e beberdes deste cálice, anunciais a Sua morte até que
ele venha”. Memória do Seu sacrifício e morte libertadora, assim como na Páscoa
a morte do cordeiro era libertadora.
Há entre
católicos e protestantes divergências quanto ao significado da Eucaristia.
Mesmo entre os protestantes não há consenso, havendo os que a consideram
sacramento e os que a veem como memorial.
Pessoalmente,
seguindo a tradição anabatista, creio que a Eucaristia é compreendida pela
lavagem dos pés, pela refeição comunal e pela celebração recordatória do comer
do pão e beber do cálice e que, a participação nesta celebração é meio de graça
(aqui deixo de ser anabatista e sou calvinista). A Páscoa não é um fim de
semana prolongado para que se possa ir à praia ou viajar. É a celebração da
intervenção divina na história, sempre para nosso benefício e salvação.
Marcos
Inhauser
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quarta-feira, 28 de março de 2012
DOENÇAS: CASUALIDADE OU CASTIGO DIVINO?
O Rev. Kopeska, amigo e irmão por afeição, escreve coisas
que gosto: Aqui vai mais uma (com edições para caber aqui).
Epícuro, filósofo grego, tentou entender Deus a partir do
sofrimento humano: Deus, ou quer impedir
os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode.
Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus. Se pode e não
quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus. Se nem quer nem pode,
é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus. Se pode e quer, que é a
única coisa compatível com Deus, donde provém então existência dos males? Por
que razão é que não os impede? A filosofia epicurista ... reflete ... o
egocentrismo infantil e utópico do ser humano em querer passar pela vida sem ...
ônus, perda ou pesar. Algo impossível para ... (humanos). Não somente Epícuro e
os amigos de Jó interpretaram a doença a partir da existência ou justiça de
Deus. Há um livro (“Teorias Sobre as
Doenças”) que traz a pesquisa
feita em 139 culturas, das quais 135 interpretam as enfermidades como castigo
divino. Trata-se da mistificação das doenças, as quais nossos antepassados
a julgavam como fenômeno "sobrenatural", ... além da compreensão do
mundo, superada, depois, pela teoria de que a doença é decorrente das
alterações ambientais ... que o homem vive. ... saúde e doença são estados de
um mesmo processo, ... Uma avó
ligou para a neta. O bisneto atendeu e ela perguntou por que ele estava em casa
e não no colégio. Ele respondeu: "Vó,
estou descansando no Senhor". Ele estava doente, mas por causa da
convicção religiosa, não podia admitir a doença, pois significava pecado na
vida. Enfermidades não são castigos divinos, reflexo da
falta de fé, sinais de pecados ou indicativos de negligência na comunhão com
Deus. São fatos inerentes da nossa humanidade ... Os que confiamos na soberania
de Deus ... cremos que as enfermidades podem ser instrumentos de Deus para a
sedimentação emocional e espiritual. Assim é o carvalho, usado por geólogos e
botânicos como medidor de catástrofes naturais. Quando querem saber o índice de
temporais e tempestades ocorridas numa determinada floresta, eles observam o
carvalho, que é a árvore que mais absorve as consequências de temporais. Quanto
mais tempestades ele enfrenta, mais forte fica. Suas raízes se aprofundam e o
caule se robustece, sendo quase impossível arrancar ou derrubar. Não é
necessário fazer análises para saber. Basta olhar. Para absorver as tempestades,
o carvalho assume aparência disforme, como se tivesse feito muita força, pode
ter aparência triste. A tempestade para o carvalho é desafio e não ameaça.
Assim somos nós. Devemos tirar proveito das situações contrárias à nossa vida e
ficar mais fortes. Com a aparência abatida, mas fortes! Raízes profundas! O
apóstolo Paulo escrevendo aos cristãos, na antessala do martírio em Roma,
anima-os: ... nos gloriemos nas próprias
tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança,
experiência; e a experiência, esperança.
Marcos Inhauser e Marcos Kopeska
quarta-feira, 21 de março de 2012
ABENSUADO
Não errei na
grafia, não!
O que quero afirmar
é que a benção vem acompanhada de suor, a inspiração tem muito de transpiração,
o sucesso de dedicação. Não há atalhos para as coisas e os atalhos que nos são
oferecidos são fraudes.
Milhões
jogam todas as semanas na loteria, uns poucos acertam e os que levam a bolada,
via de regra, passam a viver um inferno. Ou perdem o que ganharam ou precisam
administrar os “amigos”. Chove na minha caixa postal e-mails me prometendo
ganhar mundos e fundos sem sair de casa e quando os olho com mais cuidado, vejo
que tenho que pagar e fico a pensar e concluir, a partir de experiências
anteriores e de outros que as viveram, que o único ganho garantido é de quem
recebe.
Quem ainda
não recebeu uma carta ou e-mail do tipo corrente? Você conhece alguém que já
ganhou dinheiro com isto a não ser quem iniciou a corrente?
Já li a
biografia de muita gente que se tornou famosa por “a” ou por “b”. Pegue-se o
exemplo de Thomas Edison que fez mais de dez mil experiências até que conseguisse
inventar a lâmpada, que durava não mais de 48 horas. Ele teria afirmado que “Não errei dez mil vezes, apenas descobri dez mil coisas que
não funcionam.” Li também a história de Ernest Henry Shackelton, definido como
o maior líder que a humanidade conheceu. Tentou chegar ao polo sul e nunca
conseguiu chegar lá, mas deixou lições preciosas sobre a obstinação,
persistência e lealdade aos comandados.
Neste contexto preocupa-me a maciça e
massiva pregação religiosa que tem assolado as televisões e templos que abrigam
empreendimentos religiosos. Trata-se da pregação que diz que a pessoa pode se
tornar rica, próspera, do dia para noite, bastando para tanto obedecer a Deus
(obediência nas ofertas e dízimos!). Inúmeros são os relatos de gente que
aparece dando seu “testemunho” de como foram abençoados porque deram o dízimo
ou ofertaram generosamente. Já se questionou a autenticidade de tais
testemunhos, visto que se sabe hoje que vários deles são pagos, de gente que
ganha uns trocados para falar o que interessa ao dono do programa.
Esta semana surgiu a notícia de que a Uniesp (União
das Instituições Educacionais do Estado de São Paulo) firmou convênios com
igrejas comprometendo-se a pagar dízimo pela indicação e matricula de fiéis em
seus cursos universitários. Haja criatividade! Aposto que ofereceram à
Uniesp que receberiam de volta dez vezes mais do que dizimariam! Os
espertalhões por trás de tal negociata querem o bem$ão sem suar a camisa. Usam
o nome de Deus para o seu enriquecimento.
Eu, orientado pelo sábio Cirino (boia fria, negro, dos meus
tempos de infância que me ensinou algumas lições preciosas) vou botar minhas
barbas de molho. Acredito que o que comemos deve vir do suor do rosto. Querer a
benção sem suar é comer do suor dos outros, que vão trabalhar mais do que devem
e precisam para sustentar a opulência de espertalhões travestidos de
sacerdotes, pastores, bispos e apóstolos.
Marcos Inhauser
quarta-feira, 14 de março de 2012
AMOR TERCEIRIZADO
Ela tinha certa capacidade
financeira. Dona de um próspero negócio e metida a madame, frequentava uma das
igrejas que pastoreei. Cada vez que tínhamos algum evento na igreja, fosse ele
hospedando alguma reunião ou congresso, ou mesmo para angariar fundos para
alguma instituição social, as mulheres e homens da igreja se cotizavam para ajudar.
Uma vez era um churrasco beneficente, outra um jantar para angariar fundos, ou
uma simples confraternização entre membros da igreja. Todos se cotizavam e se
dispunham, menos a madame. Ela vinha para mim e dizia: arruma alguém para fazer
em meu lugar que eu pago.
Um dia eu estava meio
atravessado e disse a ela que não queria gente que pagasse a outros para amar
no lugar dela. Ou ela viria ou então não precisávamos do seu amor terceirizado.
Ela nunca mais apareceu na igreja.
No tempo em que estive indo
quase diariamente à casa de repouso para visitar meu sogro e depois meu pai,
revi esta cena muitas vezes. Vi nestas casas gente que ali foi colocada pelos
filhos que nunca voltaram para fazer uma visita ao pai ou mãe. Era gente que
acreditava que pagando a mensalidade já cumpriam com sua missão. Ouvia história
de um homem que foi colocado, pagaram três meses adiantados e nunca mais deram
o ar da graça, nem para pagar o restante, nem para levar o pai a outro local.
Um deles me contou que tinha seis “tranqueiras na família” e que só uma
sobrinha era quem tinha algum cuidado com ele.
É mais fácil terceirizar que
sentar-se ao lado e ouvir a mesma história quatro ou cinco vezes em uma hora de
convivência. É mais fácil saber que há alguém para cuidar e que se paga para
fazer isto.
É verdade que há situações
em que a situação de saúde da pessoa exige cuidados especiais e locais
apropriados. No entanto, isto não exime os familiares de visitar, se fazer
presente, ouvir as histórias.
Há gente que não demonstra
amor nas relações pessoais, mas contribui com organizações que representam
causas nobres, e estas então amam por elas e assim se sentem isentas de culpa.
Apesar de ser nosso dever
contribuir para estas organizações que se propõem a aliviar miséria e
sofrimentos humanos, estamos cometendo grave erro se acreditamos que estas
contribuições nos livram de nossas responsabilidades pessoais de demonstrar
amor ao próximo.
Um filho ou filha, que
recebeu dos pais os cuidados na infância, que noites mal dormidas por eles
foram por causa do cuidado que deram em momentos de enfermidade, não tem o
direito de se ausentar ou mesmo de pagar para que outros amem no seu lugar.
O mesmo se pode dizer de
pais que contratam babás para amar em seus lugares, ou mandam para a escolinhas
para que lá sejam abraçadas e reconhecidas.
O amor ao próximo é
intransferível. Não há como passar procuração. É uma responsabilidade
individual, intransferível, inalienável. Amar é altamente recompensador e tem a
capacidade de dar significado à vida.
Marcos Inhauser
quarta-feira, 7 de março de 2012
A VOZ FEMININA CALADA PELA INQUISIÇÃO
Não é
de hoje que conheço e admiro o trabalho de pesquisa histórica que a professora
Rute Salviano Almeida desenvolve, recuperando vozes femininas caladas pela
Igreja. Ela traz a público mais um trabalho de sua lavra e pesquisa.
Lança amanhã
seu livro “Uma voz feminina calada pela Inquisição”, no qual apresenta o
contexto do final da Idade Média, o papel feminino e a vida das beguinas,
mulheres que se dedicaram ao cuidado dos menos favorecidos, tornando-se mestras
da vida e artesãs da alma.
A
personagem central de seu livro é Margarida Porete, beguina itinerante que foi
a primeira mulher queimada pela Inquisição francesa, em 1310. Ela ousou
escrever e divulgar suas ideias na língua do povo, quando a permitida era
somente o latim, considerada língua sacra. O livro apresenta o Tribunal da
Inquisição, com textos da época, bulas condenatórias e o processo que levou
Margarida à morte.
Como
em seu primeiro livro “Uma voz feminina na Reforma”, a escritora destaca o
silêncio das mulheres na História e o alto preço pago pela ousadia de falar,
pois o discurso público da mulher equivalia a uma perversão no cenário da Idade
Média.
No
livro são apresentadas as mulheres como mães, esposas e “escravas da moda”,
mostrando como o sexo feminino sempre sofreu em nome da beleza. As mulheres
medievais depilavam os cabelos da testa com cal, devido à moda do penteado
alto, no qual tinham que mostrar uma testa exageradamente grande.
Na
conclusão, a autora reflete sobre as diferenças e semelhanças entre aquela
época e a atual. Mais que isto, há que considerar-se que no meio religioso
(tanto cristão, como muçulmano e judeu) a mulher continua calada. Poucos são os
espaços em que ela pode expressar o que sente e pensa. Ao negar-lhe o acesso ao
sacerdócio e à ordenação pastoral, calam suas vozes, mesmo quando elas
representam, em média, 67% de todas as igrejas cristãs e religiões.
Na Idade
Média, apesar de enfrentar pestes, inundações, guerras e crer que Deus era juiz
vingativo e cruel, não queriam ser afastadas da fé, pois ela lhe dava segurança
em meio à vida cheia de temores. Nesta pós-modernidade, por seu turno, acha-se
vergonhoso crer nas doutrinas, preferindo “desconstruir” dogmas. Ao fazer isso,
não conseguem colocar nada no lugar e acabam vivendo perdendo a esperança. Talvez
isto explique a falta de empolgação, de brilho nos olhos da nossa geração, gente
disposta a levar às últimas consequências seus ideais.
Se a
Idade Média foi uma época de temores, hoje o sofrimento é a pobreza, violência,
corrupção e desemprego. A fé continua a ser o único esteio da humanidade; se
dava esperança ao homem medieval, continua a dar ao homem de hoje.
Uma pessoa que dedicou a vida a recuperar a voz das
mulheres silenciadas, merece o apoio até dos homens. O livro pode ser encontrado no site da Hagnos (www.hagnos.com.br)
Marcos
Inhauser
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
HÁ FUNCIONÁRIO E FUNCIONÁRIO
Quando da internação do meu pai no PS São José,
escrevi dois textos. Em uma destas vezes recebi um e-mail de um funcionário do PS,
que segue abaixo, com algumas edições:
“Provavelmente o senhor não se lembra de mim,
mas fiz Raio-X do senhor Milton quando ele estava internado no São Jose. Meu
nome é Wagner, sou técnico de Raio-X no PS há 11 anos. Muitas coisas já
presenciei naquele local, histórias tristes e alegres, de perda e dor, de superação
e humanidade.
Tenho orgulho do meu trabalho naquele local. Inúmeras
vezes, depois de um plantão exaustivo, saí de lá jurando que na primeira oportunidade
pediria transferência, mas até hoje, sempre que uma vaga em outro lugar aparece,
acabo dispensando e continuo no bom e insano PS São Jose. Não estamos
acostumados com elogios e reconhecimentos. Geralmente levamos apenas pedradas
como o senhor mesmo presenciou enquanto cuidava do seu pai. Quantos xingamentos,
quantas escarradas no rosto já levei naqueles plantões! Não estou falando no
sentido figurado, mas literal. Já fui pra casa levando o DNA de pacientes
nervosos, drogados, exaltados, que não se contentaram em ofender...rsrsrsrs. Não
tem jeito.
Aquele lugar realmente nos mostra que temos uma
missão a cumprir, que precisamos estar ali, mesmo que for para passar por essas
agruras.
Quando vemos uma criança chegando toda roxa sem
ar e depois saindo de lá sorrindo, bem de saúde, não tem dinheiro que
pague”.
Há aqui algumas coisas. A primeira é o senso de
dever para com o próximo que o Wagner tem (e muitos outros). Já escrevi aqui
sobre “Um Exército de Anjas” para falar de quem trabalha no Cândido Ferreira e “Mario
Gatti da Graça” para reconhecer o cuidado que meu pai ali teve quando foi
operado.
A segunda é que este pessoal trabalha sem
recursos e há os que colocam dinheiro e equipamentos pessoais para poder
atender à população.
A terceira é que os profissionais de saúde estão
expostos à violência. Ela tem duas fontes: os que chegam alterados pelo álcool ou
pela droga e os que, achando-se com algum direito superior aos demais, ofendem,
xingam e agridem. São comportamentos insanos, como relata o Wagner.
Quarto é que causa revolta ver profissionais
dedicados lutando com a falta de recursos e o dotô e quadrilha levando os
milhões que o Ministério Público está dizendo que levou. Vi gente virando
plantão para poder ganhar uns trocados a mais e porque não havia profissionais
suficientes. Outros, sem nada fazer além das tramoias, levam malas do nosso
dinheiro.
Quinto: o governo central, no ensejo de pagar os
juros para os agiotas internacionais, decidiu fazer cortes no orçamento. Não
cortaram verbas do Senado ou Congresso, nem das emendas parlamentares. Mas da
Saúde. E o ministro tem a cara de pau de vir a público dizendo que os cortes
não vão representar queda na qualidade do atendimento. São 5,5 bilhões a menos.
Pensando bem, acho que o Ministro não mentiu: é
impossível piorar o atendimento médico público. Se algo funciona é pelo denodo
de funcionários como o Wagner e outros que conheço.
Marcos Inhauser
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
FICHA LIMPA SEM CINZAS
O calendário litúrgico coloca esta quarta como sendo de
“cinzas”, a raiz da prática semítica de mostrar o arrependimento usando sacos e
se cobrindo de cinzas. Exemplo mais emblemático e conhecido desta prática é Jó,
o personagem bíblico que suportou tamanha provação e privação. Diz o texto que
“Jó tomou um caco para se raspar com ele; e estava assentado no meio da cinza”
(Jó 2:8).
Ela era o sinal externo de um arrependimento interno, de uma
prática de devoção que implicava na mudança de hábitos de vida. Na prática
cristã a inclusão de uma data no calendário para que se faça esta contrição e
arrependimento tem uma longa história, que não cabe aqui recontá-la.
O que quero é mostrar a relação entre a Ficha Limpa, lei
recentemente considerada constitucional pelo STJ e a quarta-feira de cinzas. A
lei nasceu do desejo e anseio populares de dar um basta aos larápios do erário,
que se reelegiam e assim davam continuidade a seus atos de rapina no carnaval
da política nacional. E a lei entra em vigor nestes dias.
Havia um carnaval na política brasileira. Escolas de samba
com gente fantasiada de senador, deputado, governador, prefeito, vereador, que
desfilavam seus brilhos, pumas e paetês na passarela da política nacional. Era
a escola dos políticos doidos, que acreditavam que o Carnaval não tinha fim. A
plateia, do alto das arquibancadas do sambódromo político, decidiu que o
Carnaval da corrupção tinha que ter fim.
Houve mobilização, abaixo assinado, coordenação e a coisa
foi parar na presidência da Escola de Samba do Planalto. Pressionados pelo
calor das vaias que ouviam, decidiram dar um tempo no samba, crendo que era
questão momentânea. Acharam que as vaias para a performance grotesca de suas
alegorias e samba seriam, como sempre foram, relegadas a um segundo plano. Ledo
engano. O coro e as vaias cresceram.
Decidiram pedir ajuda a outra escola de samba para que interferisse
e dissesse se a coisa valia ou não. Os togados, também pressionados por vaias
para a desafinação de alguns integrantes que estavam movimentando mais grana do
que a ética, a decência e os salários permitiam, decidiram que o Carnaval das
propinas estava levando um tranco e que o samba teria que ser outro.
Os foliões que estavam atravessando na harmonia, foram
cirurgicamente impedidos de renovar suas participações no sambódromo político
nacional.
Ocorre que estes foliões atravessados e bêbados pelo sangue
do povo não conhecem o que é contrição e arrependimento. Nunca se vestiram de
pano de saco, nem se cobriram de cinza. Ainda querem passar a ideia de são
vítimas das notas de jurados incompetentes que não lhes dão notas dignas de sua
ilibada performance. Eles perderam nos itens harmonia, comissão de frente,
samba enredo. Podem ter alguns pontos em criatividade, fantasias, hipocrisia,
evolução patrimonial.
Não esperemos que venham a público vestidos de saco e
cobertos de cinza, por mais cristãos que afirmem ser. Fazer isto seria devolver
ao erário o que roubaram. Nisto o Zaqueu, chefe dos publicanos era mais cristão
que estes. Decidiu devolver o que havia tomado indevidamente.
Marcos Inhauser
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
O SUCESSO É SUICIDA
Elvis, Elis Regina, Kurt Cobain, Amy Winehouse, Ray Charles,
John Nash, Nelson Gonçalves, Jimmy Hendrix, Lindsay Lohan, Michael Jackson, Marilyn
Monroe, Nick Nolte, George Michael, Charlie Sheen, Maysa, Bob Marley, Fábio
Assunção, Marcelo Antoni, Kate Moss, Stuart Cable, Heath Ledger, Jim Morrison,
Janis Joplin, Billie Holiday, Mike Tyson, etc.
O que há em comum com todos eles? Foram ou são famosos e
tiveram envolvimento com drogas e álcool. Muitos dos citados morreram por
overdose ou por complicações advindas do uso prolongado delas ou do álcool.
A lista não é completa. Nesta semana fomos informados de
mais uma celebridade que se envolveu com drogas e álcool e teve morte
prematura. Ainda que a causa mortis não tenha sido oficialmente declarada,
ninguém nega que o uso de drogas e álcool acabou com a vida da Whitney Houston.
As perguntas que muitos se fazem nesta hora e que a fizeram
nas outras vezes em que isto aconteceu é: como uma pessoa tão bem de vida e tão
reconhecida pelo público, faz uma besteira destas? Porque há tanta gente do
meio artístico envolvido com drogas?
Respostas já foram dadas às centenas e não pretendo trazer
nenhuma novidade. Quero apenas trazer um paradigma bíblico para talvez colocar
alguma luz neste assunto. A Bíblia relata que houve um paraíso, o Éden, que
nele estavam Adão e Eva, e que no paraíso havia duas árvores: a da vida e a da
ciência do bem e do mal. Tentados a serem mais do que eram, querendo ser iguais
a Deus, tomaram do fruto proibido e foram expulsos do paraíso e morreram.
Todos estamos todos os dias tendo que decidir entre a árvore
da vida e a da morte. No mundo artístico e das celebridades parece que o fruto
da morte está mais tentador e mais facilmente ao alcance. Usam e abusam da
árvore da morte e morrem por overdose.
Mas há no paradigma bíblico outro aspecto: querer ser mais
do que são. Tenho para comigo que o ser humano foi feito para viver na relação
de amor com o próximo e ser celebridade lhe dá um status que altera esta
relação de igualdade. Não fomos criados
por Deus para o estrelato, para o sucesso, para a exposição midiática. Ele nos
fez para a convivência fraternal, para o desfrute das pequenas coisas, para a
humildade, para o serviço ao próximo. O sucesso parece que tira dos famosos e
celebridades o sentido da vida. Morrem prematuros porque a vida perdeu seu
significado maior: o outro, o próximo.
A alegria dos fãs, a música enlevante, as declarações de
amor de muitos, o assédio, não eram satisfatórios. Para muitos, os aplausos
entorpecem, anestesiam, mudam o foco da vida. Fama é carreira de cocaína: cada
vez precisa ser mais recheada, mais longa, mais constante, até matar. Aí está o
BBB e a busca desvairada pelos cinco minutos de fama, a qualquer preço. A
internet está cheia de vídeos de pessoas querendo ser famosas.
A fama que consagra é a da Madre Teresa de Calcutá, Francisco
de Assis, Ghandi, Mandela, Luther King, Betinho, Zilda Arns, Monsenhor Romero, e
tantos outros que comeram do fruto da árvore da vida que é o amor ao próximo em
ações concretas de ajuda.
Marcos Inhauser
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
DESLUMBRADO
A
fritura que o ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte, foi submetido, teve
elementos interessantes de serem analisados. Ele foi fritado por causa da sua
incúria administrativa. Sua gestão era
considerada sofrível, pois algumas das bandeiras da gestão Roussef estavam sob
a responsabilidade do Negromonte, como é o caso da Minha Casa, Minha Vida e que
parcela ínfima de recursos havia sido destinada e usada. Dos R$ 22,2 bilhões autorizados pela
presidente o órgão gastou R$ 2,3 bilhões, ou seja, pouco mais que 10%. E isto em
uma pasta que deveria dar visibilidade e fazer propaganda para o Governo. O
Programa de Aceleração do Crescimento na Mobilidade Urbana ficou na promessa.
A segunda razão é que ele não conseguiu fazer a
articulação política, pois não unificou a sua base de sustentação e foi alvo do
fogo amigo da própria bancada. Ruim de gestão e de negociação.
A terceira razão é que distribuiu benesses a amigos
e parentes. O caso do superfaturamento do TAV de Campo Grande é exemplo.
A quarta razão é o desejo do líder da bancada
de ser o Ministro das Cidades. O deputado Aguinaldo Ribeiro, também do PP. Era
seu sonho de infância ser ministro de alguma coisa. Ele tem em comum com o
antecessor, não só pertencerem ao mesmo partido, mas serem alvos de denúncias
várias. O novo ministro é dono de construtoras não declaradas ao Tribunal
Eleitoral. Ele aumentou seu patrimônio em 2,5 vezes entre 2006, quando se
elegeu deputado estadual na Paraíba, e 2010, quando foi eleito para o primeiro
mandato na Câmara dos Deputados. As declarações de bens que entregou ao
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teve uma variação patrimonial de 164,6%: saltando
de R$ 1.350.998,50 para R$ 3.575.093,38. Só para comparar, a média de valorização do patrimônio dos deputados
federais entre 2006 e 2010 foi de 5,2%. Nesse período em que esteve na
Assembleia Legislativa de seu estado comprou dois imóveis, entre eles uma casa
de R$ 410 mil, além de dois terrenos e três carros de luxo. No mesmo período
também investiu em cabeças de gado, ações e aplicações em renda fixa.
Tamanha capacidade administrativa agora é
dedicada ao gerenciamento do Ministério das Cidades!!
Mas o que mais me chamou a atenção neste
episódio foi a cara de deslumbramento do Aguinaldo quando chegava ao Palácio do
Planalto para aceitar o convite depois da sua autoindicação. Quem teve a
oportunidade de vê-lo diante das câmaras de televisão pôde perceber a cara
deslumbrada do novel ministro, com um sorriso maroto nos lábios, como que
querendo dizer: “agora eu sou o cara”. Mais que isto, sua fala logo após a
audiência foi de tal arrogância e prepotência, consolidada pelo nariz empinado
e palavras de que no fundo queriam dizer: “agora vou arrasar e fazer o que o
Negromonte não fez”.
Eu, de minha parte, vou sentar a arquibancada e
ver quanto tempo dura. Mas acredito mais no versículo bíblico: “a arrogância
precede a queda”. Chegou de salto alto, vai quebrar o tornozelo!
Marcos Inhauser
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
NÃO SE DISCUTE?
Recebi
do meu amigo Rev. Marcos Kopeska, o seguinte texto que reproduzo na íntegra: “Por muitos anos ouvi o jargão: ´religião, política e futebol não se
discute.´ Acontece que por não discutirmos religião deixamos uma lacuna enorme
de omissão numa sociedade tão carente de orientação espiritual. Esta vacuidade
passou a ser preenchida por crendices cegas com o nome de devoção, manias e
histerias espiritualistas com o nome de avivamento, religiões que aparecem e
desaparecem com nome de evangelização, mercenários da fé que adoram resultados
e cifras com o nome de apóstolos e pedófilos embebidos de fantasias com o nome
de sacerdotes.
Quando deixamos de discutir deixamos de refletir.
Henri Paincore, filósofo, dizia: “Duvidar de tudo ou crer em tudo. São duas
soluções igualmente cômodas, que nos dispensam, ambas, de refletir.” Não
discutir é cômodo, mas é trágico.
Dizem que discutir religião leva as pessoas à
intolerância e fanatismo. Discordo! A falta de reflexão aberta leva ao
ostracismo e o ostracismo ao radicalismo. E discutir política? Nem me fale! Por
falta de discussões amplas com as bases é que continuamos a eleger os mesmos
“ratos do Congresso” que a cada mês nos surpreendem com novos escândalos, que
pagam toda a dívida externa e emprestam para o FMI às custas da maior carga
tributária já imposta, que dão uma nova roupagem ao velho e vergonhoso passado
a cada quatro anos.
Não discutir política leva a sociedade a crer na
mídia tendenciosa e achar que os projetos assistencialistas eleitoreiros são
prioritários, enquanto nos hospitais faltam leitos e médicos. Por não
discutirmos política a massa é omissa e aceita o ópio do BBB, carnaval; e
espera pelo bolsa família que os brasileiros que trabalham pagam com seus
suados impostos.
E discutir futebol? Ah sim! Temos 180 milhões de
técnicos falando das decepções que os mega contratos trouxeram. Temos 180
milhões de administradores preocupadíssimos com os atrasos nos cronogramas de
construção e reforma dos estágios para a Copa. Acontece que poucos destes 180
milhões sabem que este atraso está custando próximo a 6 bilhões de reais, quase
o triplo dos R$ 1,95 bilhão, estimativa quando da candidatura do Brasil junto a
Fifa.
Nunca antes foi tão importante discutir religião,
política e futebol. Não se esqueça: O verdadeiro cristianismo passa pelo viés
da cidadania.” (Marcos Kopeska)
Assino o que ele diz. E porque me sobra um pouco de
espaço, acrescento que o cristianismo brasileiro viveu e vive uma
marginalização alienante, onde temas corriqueiros são proibidos. Áreas onde a
mensagem evangelizadora precisa dar sua palavra, a igreja se cala, como é o
caso da sexualidade, do modelo econômico, dos salários, dos direitos humanos,
da corrupção, etc. Vamos trabalhar estes temas!
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012
FÁCIL, SUPERFICIAL E RÁPIDO
Quero compartilhar uma constatação que faço, depois de muitos
anos dando aulas. Tenho mais de 35 anos como professor em vários níveis e em
diferentes locais. Como trabalho com uma área que envolve abstração (conceitos
teológicos e filosóficos), venho percebendo, ao longo dos anos, uma acentuada
deterioração na capacidade dos alunos em conseguir trabalhar conceitos e certa
aversão pelo aprofundamento de temas.
Expressão como “isto é baboseira”, “estudar estas coisas é
perda de tempo”, “o que eu ganho sabendo isto”, “estou cansado de teologia,
quero vida cristã”, “não preciso de teologia, preciso de poder para expulsar
demônios e curar”, “de que adianta um sermão bem estudado se a igreja não enche
de gente?”, “para encher a igreja de gente não é necessário saber teologia” são
por mim ouvidas com frequência cada vez maior.
Confesso que me arrepiam estas afirmações (e outras mais que
não elenquei por falta de espaço). Estamos vivendo, não só no campo teológico,
mas em todas as áreas, um processo de superficialização do saber. Cada vez mais
sabemos menos sobre menos coisas. O que interessa é o fácil, o intuitivo,
aquilo que dá para fazer sem precisar ler nenhum manual de instrução. Os
celulares, smaRtphones, tablets, Ipods e Ipads são os queridinhos porque podem
ser usados sem grandes conhecimentos. É tudo intuitivo e mesmo uma criança pega
e em poucos minutos já está sabendo as funções básicas.
Da mesma forma devem ser os livros didáticos: intuitivos. Os
cursinhos preparatórios para concursos e vestibulares, no mais das vezes,
ensinam o “pulo do gato” na hora de responder. Os cursos precisam formar em
menos tempo. Querem uma graduação em dois anos ou menos. O que interessa é o
diploma na parede e no currículo. O saber, isto é outra coisa.
A predileção pelo fácil, superficial e rápido passou a ser a
característica destes tempos. Tudo tem que ser intuitivo, sem trabalho. O arroz
que você cozinha dentro de um saquinho e que não queima, fica molinho e
soltinho, mesmo sem saber cozinhar. A lasanha que é só colocar no micro-ondas.
A pipoca que não suja panela com óleo da fritura. Verduras e legumes que já vêm
cortados. Carne que se compra temperada. Frango assado pronto. Jornais que só
tem os titulares (quem tem tempo para ler a notícia toda?). Os feeds de
notícias estão aí para provar isto.
Gasta-se mais tempo nos games que nos processos de aprendizado.
Livrarias se fecham, mas lojas de jogos se proliferam. Os livros perderam
espaço para os aparelhos eletrônicos. O saber aprofundado vai sendo substituído
pelas soluções mágicas dos avatares. Há muita tinta gasta com fofocas de
celebridades. Ibope para BBB é exemplo desta opção pelo fácil, superficial e
rápido: para ganhar um milhão e meio em poucos dias sem fazer nada, vale
qualquer coisa. Para aumentar o Ibope vale até a simulação de um estupro,
providencialmente ocorrido ou marketeiramente planejado.
Há horas que bate uma desesperança tão grande!
Marcos Inhauser
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012
ERRAR NA HORA ERRADA
Se somos todos imperfeitos, todos cometemos erros. Se todos cometemos
erros por natureza imperfeita, há um direito ao erro inerente ao fato de sermos
humanos. Ninguém escapa a isto: erramos! E contamos com a compreensão dos
outros para não nos crucificar pelos nossos erros, mesmo porque, como já disse
o apóstolo Paulo “se alguém pensa estar em pé, cuide para que não caia”. Hoje
são complacentes com meus erros, amanhã eu retribuo com a minha complacência.
Já houve quem disse que “o maior
problema do homem não são os erros que comete, mas o seu desejo de ser
perfeito” (Norberto R. Keppe). Nem mesmo os gênios escapam ao erro. Assim foi
com Salvador Dali e Walt Disney que decidiram fazer juntos um filme que nunca
saiu e que deu enorme prejuízo. O nome dele seria Destino e só foi finalizado
em 2003.
No entanto, esta semana me chamaram a atenção erros cometidos na hora
errada. Não que haja hora certa para errar, mas há horas em que errar se torna
mais grave. Refiro-me ao erro do piloto do navio Costa Concórdia que
aproximou-se em demasia da costa e bateu em rochas submersas, causando mais de
uma dezena de vítimas fatais e um prejuízo bilionário. Ele tinha o direito de
errar e porque erraria, havia uma quantidade de aparatos eletrônicos, radares e
cartas náuticas, para garantir que o possível erro fosse minimizado. A pergunta
que fica é: como um navio com todos os recursos e tecnologia pode meter-se em
tal encrenca sem que alarmes ou dispositivos de correção fossem disparados?
A outra história é a do coração que estava sendo transportado pela
equipe médica para que o mesmo fosse usado em um transplante e o carrinho bate
no pé do carregador e o coração cai fora da caixa onde estava acondicionado.
Para azar maior do infeliz, havia a televisão para filmar o seu “desastre”.
Estes dois fatos me fizeram recordar do acidente do Airbus da Air
France. Um piloto experiente decide errar na errada e entrar onde não podia:
decide que não haveria problemas em avançar em meio às nuvens carregadas que
estavam à frente. Deu no que deu. Como um piloto com tal experiência comete um
erro tão primário em um momento tão crucial? Como uma pequena peça, o Pitot,
decide falhar na hora em que mais se precisava dela? O mesmo se pode perguntar do acidente da Gol
no choque com o jato executivo.
Não há nenhum seguro de que alguém não vai errar na hora agá. Um dos
melhores jogadores da Itália na Copa de 1994, o Roberto Baggio, falhou. O pai
que colocou o nome dele no seu filho e este veio jogar na Copinha este ano, na
hora de bater o pênalti, também falhou.
O prefeito tampão também errou, e várias vezes, quando se esperava que
acertasse. Errou na votação do aumento de salários dos vereadores. Errou nas
justificativas que deu. Errou ao convidar o Villagra para participar do seu
governo. Errou ao afirmar que os vereadores são corresponsáveis no sucesso ou
fracasso do executivo, não levando em conta a separação dos poderes. Só que
este erra a toda hora e não só nas horas erradas.
Marcos Inhauser
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
TEMPLO À VIDA
Por nove dias frequentei o PS São José, por causa da
internação de meu pai. Passei ali muitas horas, nos mais variados horários e até
de madrugada fiquei ali em vigília. Outras tantas vezes levei minha mãe e a
esperei durante o tempo que ela quis e suas forças aguentaram.
Não posso calar-me diante do que ali vi, vivi e presenciei.
A primeira foi a forma como meu pai foi recebido e atendido. Imediatamente
acolhido, em poucos minutos fui chamado para dar dados da situação da saúde
dele. Em meia hora me comunicaram que ele ficaria para observação e alguns
exames. Eu o acompanhei à enfermaria e vi dois enfermeiros “dando um jeito em
uma cama”, colocando na cabeceira alguns apoios de rolo de papel, porque ela
estava quebrada. Ouvi um dizer para o outro: “nós aqui sem camas decentes e o
doutor na Oscar Freire gastando os seiscentos milhões!”. Aquela foi a cama
destinada a meu pai e em nada ficou devendo às outras que ali estavam.
Comecei a perceber a forma carinhosa, atenciosa, competente
e humana com que enfermeiros/as e médicos/as atendiam a todos indistintamente.
Todas as vezes em que pedi a posição sobre a saúde do meu pai, nunca me
esconderam nada, antes, de forma clara me indicavam a gravidade do caso. Na
noite em que seu quadro se agravou, me avisaram do ocorrido.
Cuidaram do meu pai com dignidade, profissionalismo,
competência e dedicação. Da parte dos médicos vi a o esforço para recuperá-lo.
Quando pediram uma vaga no Ouro Verde para transferi-lo pedi a Deus que isto
não ocorresse. Vi o cuidado deles em deixar meu pai penteado, mesmo que
estivesse inconsciente.
Vi como eles atendiam e cuidavam dos demais. Uma pessoa ao
lado xingava e ofendia as enfermeiras. Eu estava ficando irritado. A enfermeira
veio para dar a ele remédio e o chamou de “meu amor” e aplicou a injeção com o
devido cuidado para que não o machucasse. Um final de tarde entraram uma mulher
surtada e um garoto de treze anos drogado. Os dois deram o maior escândalo. A
mulher precisou de cinco homens para contê-la. O garoto também precisou ser
contido. Eles o fizeram com cuidado e humanidade e em nenhum momento vi
irritação ou violência da parte dos funcionários/as e enfermeiros/as.
Em uma das vezes fiquei a pensar que o PS São José é um Templo
à Vida: sacerdotes e sacerdotisas, todos vocacionados, que são buscados por
quem precisa da benção da saúde e eles, no exercício de suas vocações e com
auxílio dos recursos, abençoam os que ali estão. Há na enfermaria um altar no
centro, onde estão estes sacerdotes e sacerdotisas da vida ministrando aos
enfermos.
Meu pai faleceu nas mãos destes sacerdotes e a ele somos
gratos (minha mãe, filhos, noras, netos/as, bisnetos/as). Ao PS São José o
nosso agradecimento e reconhecimento de que, em meio às agruras, dificuldades,
carências e displicências do poder público, cumprem com sua vocação de abençoar
aos enfermos.
O PS São José é um Templo à Vida.
Marcos Inhauser
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
SE ELE PUDESSE ESCREVER AO SAMU
Meu pai vem enfrentando
problemas de saúde há algum tempo. No dia 26 de dezembro o quadro se agravou e decidi
que o levaria ao médico, mas ele não estava em condições de ir no meu carro,
debilitado que estava. Decidi chamar o SAMU. Liguei a primeira vez e deu
mensagem para que ligasse mais tarde, fato que se repetiu mais três vezes.
Comecei a me angustiar e ficar irritado. Como pode um serviço de emergência não
atender? Achei que era porque estava ligando de celular e também achei que
seria um absurdo se não aceitassem ligações de celular. Tentei mais uma vez e
fui atendido. E aí começaram as minhas surpresas.
A primeira
foi o atendimento inicial. Expliquei o quadro do meu pai e disse que não se
tratava de uma urgência. Fui transferido para conversar com uma médica quem
também me atendeu de forma exemplar. Novamente expliquei que não se tratava de
urgência e que esperaria até que pudessem me atender. Preparei-me para uma
longa espera. Trinta e cinco minutos mais tarde a ambulância chegou. E nova
surpresa!
Se meu pai
pudesse falar, sei que ele diria mais ou menos o seguinte: “nasci e cresci em
meio a alemães e me casei com uma alemã. Frequentei igreja alemã. Aprendi que
anjos eram brancos, vestidos de branco e com asas. Quando a porta da ambulância
se abriu desceu um anjo que não era branco. Aliás, uma anja. Linda, negra e
extremamente cuidadosa. Logo me ajudou a ir para a maca e me mediu a pressão, o
pulso, a glicemia e começou a conversar comigo. Depois ligou avisando um médico
de que eu chegaria. Ela me disse que eu iria para o Pronto Socorro e que de lá,
depois de uma avaliação, me diriam o que fariam comigo. Este anjo não tinha
asas. Tinha rodas e um motorista, também anjo. Minhas experiências anteriores
com ambulâncias é que é uma viagem sacolejante, barulhenta por causa da sirene
ligada, cheia de freadas e arrancadas. Este anjo motorista não era assim. Mais
parecia que estava transportando ovos e que tomava todo o cuidado para não quebrá-los.
Pela primeira vez me senti conduzido como se fosse um rei, assessorado por uma
anja. Vi meu filho perguntando o nome deles: o anho se chama Claudecir e a anja
Veridiana. Não vou mais vê-los. Meu quadro se agravou muito, perdi a
consciência e os médicos dizem que sou paciente terminal. Mas antes que isto
aconteça, quero deixar minha gratidão a estes anjos e meus parabéns ao SAMU
pelo excelente trabalho que fazem. Milton Inhauser”.
Marcos
Inhauser
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terça-feira, 27 de dezembro de 2011
TU ÉS PEDRO!
Tu és Pedro e sobre esta pedra se edifica a Babel política
de Campinas!
O ex-presidente da Câmara, agora prefeito tampão de
Campinas, assumiu o cargo de Prefeito e, salvo muita boa argumentação
contrária, acredito que ele realizou um sonho de infância. Será também o
“candidato natural” para assumir a prefeitura em um mandato tampão mais longo,
pois não acredito que ele tenha se enfiado de corpo e alma nesta empreitada sem
deixar amarrado os nós futuros.
Confesso que não posso acreditar neste prefeito tampão e nem
nos paladinos da ética pública dos vereadores. Até as pombas do Largo do
Rosário sabiam que algo de podre havia no reino doutor prefeito. No entanto, a
Câmara só se mexeu depois que o Ministério Público fez as suas investigações e
trouxe à luz as negociatas que rolavam.
Mais: como acreditar no comandante em chefe da decisão que
autoconcedeu-se o escandaloso aumento de 126%. O meu raciocínio é: a questão do
aumento foi proposta, discutida, aceita e aprovada nos bastidores, bem assim a
maneira sorrateira de aprovar. Também foi decidida a ordem dos fatos: primeiro
o aumento, depois o arremedo de acerto com o corte de verbas. Se a votação
fosse feita na ordem inversa, correriam o risco de ter cortado a verba e não
poder aumentar os salários.
Há outro raciocínio: a ser verdadeira a informação de que o
aumento foi proposto e inicialmente negociado pelo líder do PT, o Josias Lech,
surge a suspeita de que teria sido uma tentativa de abrandar a sanha de
cassação e esta um tiro que saiu pela culatra dos articuladores petistas.
Causou-me espanto as afirmações do agora prefeito tampão,
primeiro de que o aumento era para que houvesse independência do legislativo (e
já argumentei que isto é uma confissão de promiscuidade, que se o aumento
vigorará só a partir de 2013 significa que os vereadores continuarão a negociar
com a Prefeitura, agora capitaneada pelo capitão do aumento). Em segundo lugar,
na entrevista concedida à EPTV no dia seguinte à cassação, o ex e agora tampão,
ao ser questionado sobre o aumento, disse que a população estava mal informada,
que não representa incremento de gastos e que ele (agora em tom agressivo e
contundente) nunca toleraria aumento de despesas. Vamos por partes: se a
população não está bem informada, por que não se discutiu o assunto
abertamente, mostrando a matemática do “ajuste”? Se a população precisava estar
bem informada, por que se fez a votação de forma escusa, enviesada? Por que
todos os vereadores, imediatamente após a votação deram chá de sumiço? Por que,
quando puderam esclarecer (no episódio do CQC), expuseram a cidade ao mais
completo ridículo, deixando a Câmara com cara de circo?
Pedro: você merece ser vigiado pela população, porque a
Câmara não cumpriu seu mandato a contento no período do doutor e não fará agora,
dependente que ainda é do executivo, segundo sua própria afirmação. De minha
parte, farei o que me está ao alcance!
Marcos Inhauser
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
PEDRO? SERÁ-O-FIM?
Poderia ter colocado o título na afirmativa: Pedro
será-o-fim. Ou na exclamativa: Pedro: será-o-fim! Ou na meia interrogativa:
Pedro: será-o-fim?
Escrevo na terça à tarde quando a Câmara de Vereadores
inicia o processo de leitura do relatório da Comissão Processante, dado que não
houve acordo entre as partes. Serão 1440 páginas de leitura protocolar, para as
moscas ouvirem, fato que ninguém estará atento ao inteiro teor do relatório.
Mais: me atrevo a afirmar que é protocolar porque o veredicto está dado. E é
aqui onde entra a interrogação, exclamação ou afirmação do título.
Na interrogação a pergunta quer saber se com isto acaba a
novela em que se transformou a política campineira. Duvido! Se na afirmativa,
há duplo significado: a constatação de que pode ser o fim da novela, como
também pode ser irônico, insinuando coisas que ficam a critério do leitor
imaginar. Na exclamativa está o assombro de ter que engolir o Pedro como
prefeito não eleito por um período de um ano.
Digo assombro por duas razões: a primeira óbvia, já
explicitada na frase anterior e a segunda decorrente dos fatos recentes. Pode
uma pessoa que preside um legislativo e que comanda 33 vereadores para uma
votação feita à sorrelfa, só possível pelos conchavos anteriores entre os
beneficiados, ser guindado a um posto que vaga porque o ocupante é acusado de
tramoias? Que moral tem o Pedro de vir a público dizer que vai administrar com
lisura se na presidência da Câmara não foi transparente, nem escorreito? Como
pode vir a ser prefeito o homem que justificou o golpe aos cofres públicos
dizendo que era para que o legislativo tivesse independência? Qual a
dependência havida até então ou até o início da vigência do novo salário em
2013? Significa que estaremos com um legislativo cabresteado pelo executivo até
lá? Que tipo de conluio haverá entre o novo chefe do executivo, ex-chefe do
legislativo, que se mancomunou para um presente de 126% e que teve o desplante
de justificar com o engodo da independência?
Como a Prefeitura e a Câmara não são conventos com santos
reclusos (conclusão que faço à luz dos fatos), mas estão mais para ofidiários
do Butantã, coloco minhas barbas de molho. Entre o De Metro Viagra e o Pedro
Será o Fim, fico com o primeiro, porque, ao menos terá oposição a vigiar o que
ele faz.
Marcos Inhauser
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