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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

JULGAMENTOS

Há vários tipos de julgamento. Dizem os entendidos que, ao conhecer uma pessoa, em prazo de segundos, já fazemos um julgamento baseado nas informações internalizadas que temos. O pessoal da Relação Objetal vai dizer que os valores para estes julgamentos são os modelos/vivências internalizados pelas figuras de pai e mãe. Este primeiro e instantâneo julgamento é corroborado ou modificado pelas informações posteriores, que, no mais das vezes, porque já estamos “viciados” pelo julgamento primevo, tendem a corroborar o que antes já foi sentenciado. Talvez na esteira do Kant, deva-se dizer que não há imparcialidade em nenhum julgamento, nem mesmo nos que são feitos pelo júri, porque seus membros vêm a ele com informações prévias do noticiário, suas experiências de vida e seus valores internalizados.
Disto decorre que os julgamentos sempre são controversos. Desde a atuação de um juiz em campo de futebol (cuja mãe é homenageada a cada partida), até os feitos pelas mais altas cortes, sejam elas nacionais ou transnacionais, são criticados. Raríssimas vezes os condenados e seus amigos/seguidores disseram que os juízes foram justos no seu julgamento.
No que se refere aos governantes, há certo consenso no julgamento dos piores da história (parece que há mais consenso nas avaliações negativas que nas positivas!). A começar por Nero, Herodes e Átila e outros imperadores romanos, passando por Napoleão, Hitler, Idi Amin Dada, Muamar al Kaddafi, Franco, Pinochet, Videla, Slobodan Milosevic e outros tantos mais.
Os Estados Unidos também são pródigos na galeria dos horrores presidenciáveis: Os Bush (pai e filho), Andrew Johnson, James Buchanan, Nixon, Lindon Johnson e outros mais.
Como não poderia deixar de ser, o Brasil também sua contribuição nesta galeria: Marechal Deodoro da Fonseca, Hermes da Fonseca, Washington Luis, Sarney, Collor e Dilma. Esta lista, com certeza, será questionada por muitos que incluirão a outros e defenderão a alguns.
Estamos em momento intenso de julgamentos. Para usar a expressão de um dos que refuto como péssimo governante, “nunca na história destepais” houve tanta gente sendo julgada. A grande maioria alega inocência, algumas fizeram delação premiada, outras esperneiam até não mais poder, usando do direito do “jus esperneandi”. Alguns, com advogados que recebem seu peso em ouro, adotam a linha de mostrar inconsistências nas investigações, outros adotam a linha do confronto direto e desrespeitoso, preferindo acusar os julgadores que apresentar provas de inocência. A tática de desmerecer a acusação é tão antiga quanto a humanidade e poucas vezes se mostrou eficaz.
Hoje entramos na segunda etapa de um julgamento controverso, O judiciário brasileiro que, por várias vezes claudicou na sua missão de estabelecer a justiça, tem a chance histórica e pode mostrar para que existe que porque custa o que custa. Não basta ter uma capa sobre os ombros e falar palavras ininteligíveis para a grande parte da massa, não basta saber umas tantas quantas frases latinas. É mister que faça justiça e esta baseada nos autos do processo e nas investigações, sem se deixar levar por pressões de políticos, da mídia, ou por narcísicos que possam ser.
Há um clamor na sociedade, tanto para um lado possível do julgamento, quanto para o outro. Dependendo do resultado, parte da população estará satisfeita e parte dirá que houve injustiça, parte dirá que o Judiciário foi valente e se posicionou, parte dirá que o Judiciária se curvou. Nunca um juiz saiu de campo depois de um jogo sem críticas!
A sentença nunca será final! Sempre haverá controvérsia. Há até mesmo os que, mesmo com tudo o que se sabe, defendem Hitler!

Marcos Inhauser

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

RANKING DOS CHATOS

Achei que era implicância minha em função da idade. Sabe como é: a gente vai envelhecendo e a flexibilidade vai diminuindo.
Ocorre que, conversando com algumas pessoas mais jovens que eu, percebi que compartilhamos algumas das mesmas percepções, pelo que decidi colocar meu ranking das pessoas chatas e esperar a reação dos leitores.
“Eu-por-exemplo”: é a pessoa que se sente padrão para o mundo. Ela ouve algo e em seguida tem que dizer o que ela pensa ou como agiria em determinada situação. Quase sempre começa com a frase que a caracteriza.
“Isso-não-é-nada”: a pessoa ouve de uma dor ou algo estranho ou engraçado que aconteceu e em seguida vem com sua história, sempre precedida do “isto-não-é-nada”, porque ela acha que sua história ou foi mais engraçada, inusitada ou sua dor é mais forte que a do outro.
“Sabe o que penso?”: tem a necessidade compulsiva de fazer conhecida a sua opinião sobre tudo e todos. Ninguém quer saber o que eu ela pensa, mas, mesmo assim, discorre, quase sempre, alongada e cansativamente, sem profundidade de conhecedora do assunto.
“O-que-você-deve-fazer” ou “eu-no-seu-lugar”: elas não conseguem ouvir que alguém tem um problema, tem uma dor, está em alguma dificuldade que, sem que se peça, se prestam a enumerar soluções não solicitadas.
“Sempre-eu” ou “tudo-eu”: pessoas que tem o DNA da vítima. Fazem tormenta em copo d’água, acham que para elas tudo é difícil, todo mundo conspira contra ela, tudo de ruim acontece com ela, suas dores são maiores do que a dos outros, ninguém entende o seu sofrimento, etc. São poços de lamúria, desdita e depressão. Depressivas, promovem a depressão em quem com elas convive.
Ao lado destas que são identificáveis pelas frases que usam, há as pessoas chatas que se identificam pelo comportamento. A primeira delas é que começa a falar e não para mais. Falam pelos cotovelos. Seguida a elas estão as que interrompem quando você está falando ou antecipam o que você iria dizer e se tornam senhoras da conversação.
Há as pessoas que não podem ouvir uma crítica ou algo com o qual não concordem. Elas se sentem compulsivamente orientadas a dar uma resposta ou a passar um sermão ao que teve a ousadia de criticá-la. Dão a impressão de serem bem resolvidas, mas balançam ao menor vento.
Outra classe de chatos é formada pelos hipocondríacos: só falam de doença, de remédios, de descoberta feita pelo Dr. Fulano da Universidade Sei Lá. Se você diz que tem um dor, logo vão sugerir para fazer um exame para saber se não está com câncer.
Há, dentro do universo dos hipocondríacos as “formadas pela leitura de bulas”. Sabem de todos os efeitos colaterais dos remédios, o que se pode comer e o que não se deve beber quando da ministração do remédio. São rápido para sugerir novas medicações que são as mais recentes descobertas.
Há os chatos nutricionistas. Vivem ensinando o que é bom para saúde, o que se deve beber ou comer (quase sempre em jejum e com sabor horrível). O pior deles são os veganos. Não comem quase nada e ainda querem impor a dieta deles a todo mundo. Quando você diz que come carne, olham para você com cara de nojo.
O campeão é o politicamente correto. Todo o cuidado é pouco ao se falar ou comentar algo. Para tudo elas têm uma “visão diferente”, tudo ela vê pelo ângulo do direito das minorias, tudo merece “ser problematizado”. A conversa com elas vira um exercício de pisar em ovos, onde, quase sempre, por mais cuidado que eu se tome, acaba quebrando algum.
Perdão por ter si do chato, mas falei o que estava engasgado!
Marcos Inhauser

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

REPETICIOSO

Há uma coisa que tem me irritado e que não entendo como, estudantes da Bíblia, cometem o mesmo erro dia após dia. Há uma recomendação de Jesus no sentido de não usar de “vãs repetições ... porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos” (Mateus 6:7).
Tenho notado o exercício da repetição nos cânticos (os chamados “corinhos”), especialmente os de louvor, onde frases de senso comum e jargões são repetidos à exaustão. “Eu te louvo, Oh! Deus”, “glorificado seja o teu nome”, “Tu és grande”, “Tu és digno de ser louvado”, “Tu és eterno”, “Tu és santo”, etc. Poderia citar uma quantidade enorme de exemplos destas “pérolas”.
Ocorre que elas não estão só nas letras dos cânticos, boa parte deles de pobreza ímpar no conteúdo. Os cantores e líderes de louvor se sentem na liberdade/obrigatoriedade de rechear os intervalos entre um cântico e outro com sermonetes que nada mais são do que a repetição da mesmice acima descrita. Na prática, a liturgia, ramo de estudos e prática ligados ao culto, foram depauperados e, em muitos lugares, totalmente desprezados ou ridicularizados.
A escolha dos cânticos se dá, não por critério de mensagem e unidade temática, mas pelo nível de entusiasmo e empolgação que a música e seu ritmo provocam. O que vale é a animação e não a mensagem. Sendo assim, não estranha que a mesmice não aborreça, como a mim o faz.
O problema é que se fossem só os cânticos, talvez se perdoasse porque os músicos e cantores não estudaram Bíblia e teologia com profundidade. O que também me molesta são os sermões que repetem a mesmice. Há um certo rebuscamento nas frases, nas ilustrações, mas a essência é sempre a mesma. Mudam o texto, mudam as histórias, mas o ensino se resume a uns poucos conceitos, repetidos em outras palavras, sermão após sermão. Variações do mesmo tema.
Outra mesmice são os vídeos que circulam a granel na internet e que entopem nossos celulares. São os que transferem as prédicas e os púlpitos para uma tela. Pregam a mesmice, com a diferença de que o fazem no vídeo e buscam alcançar o maior número de pessoas. Recebo destas mensagens aos montes e, quando tenho paciência de escutar, percebo a dificuldade em encontrar gente falando seus próprios pensamentos, algo que seja fruto da sua experiência. Falam banalidades e repetem o que outros disseram. Já ouvi a mesma história contado por quatro pregadores diferentes, cada qual com o ar de que estava contando uma novidade.
Posso parecer pedante ao dizer estas coisas, passando a impressão de que sou diferente. Nada disto. Quantas vezes eu me peguei no círculo vicioso da mesmice, quantas vezes fiquei com vergonha de um sermão, aula ou algo que escrevi. Não tenho o dom de trazer a novidade todas as vezes que falo, prego, ensino ou escrevo. Tenho consciência disto. Eu me policio, e busco novas fontes de informação. Nos últimos anos tenho lido coisas fora do mundo bíblico e teológico, buscando refletir sobre o diálogo que pode existir entre os mundos, às vezes díspares. O problema não é repetir algo algumas vezes. O problema é não perceber que está falando a mesmice e achado que descobriu a quadratura do círculo.
Marcos Inhauser

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O ÓBVIO EM 2018

Não precisamos de muito esforço para saber que algumas coisas vão acontecer em 2018. São coisas óbvias. A primeira delas é que, durante o ano, presidente Temer vai mudar de opinião muitas vezes e vai voltar atrás em várias decisões. Ele é especialista em marcha à ré. Deu inúmeros exemplo disto em 2017 e deixou algumas coisas já engatilhadas para 2018, especialmente no que se refere à reforma da Previdência. Não duvido que até possa voltar atrás na sua decisão de não concorrer nas próximas eleições. Seria ótimo: seria sepultado pelos votos ínfimos que teria.
A segunda obviedade serão os Habeas Corpus que o Gilmar Mendes dará, liberando corruptos e corruptores. Em sua cruzada quixotesca, está brigando com moinhos de vento e dedicando suas façanhas à Dulcinéia, mulher fictícia, que ele crê, admira sua beleza, impostação vocal e atos de “bravura”. No masculino ela se chama Narciso. Também se pode ter a certeza pristina de que atacará os ministros Barroso e o Fux e se aliará ao Toffoli, próximo presidente do STF. De igual maneira, é óbvio que criticará a condução do ministro Fux à frente do Tribunal Supremo Eleitoral, pela simples razão de que não permitirá que o mesmo tenha todos os holofotes do processo eleitoral sobre ele.
A terceira obviedade está na atuação do Congresso. Pode-se esperar ausências múltiplas, sessões vazias, votações mínimas e de nada que os comprometa (se é que algum dia votaram pensando no povo). Deste Congresso pode-se esperar também que surjam manobras e maracutaias visando o indulto pelos crimes praticados, cujo balão de ensaio foi colocado no indulto presidencial, revisto pela iniciativa da PGR, Raquel Dodge.
A quarta obviedade serão os discursos repetitivos, já conhecidos à exaustão, dos candidatos aos cargos eletivos. Os temas que serão óbvios: educação, saúde, segurança pública, combate à corrupção, enxugamento da máquina estatal. Os candidatos, até onde se pode ver, são os óbvios e já conhecidos, que nada de novo trarão à instituição, seja do Congresso ou da presidência. O óbvio é que teremos mais do mesmo.
A quinta obviedade serão as notícias sobre a precariedade dos sistemas de saúde e educação, a falta de verba para segurança pública, a quebradeira dos estados em um processo de plágio do modelo fluminense e gaúcho. A isto acrescente-se as notícias sobre o déficit público e a liberação descabida de verbas por parte da presidência para safar-se de uma agenda tóxica que ele tem sobre si, criada por ele mesmo.
A sexta obviedade, e esta bem-vinda, serão as notícias sobre novas prisões julgamentos de pessoas envolvidas em escândalos de corrupção. Que sejam muitos os presos, investigados e condenados, mesmo porque, à luz do que já se sabe, ainda há muita sujeira debaixo dos porões dos desgovernos.
Minhas esperanças óbvias e, creio, as mesmas de muitos brasileiros: que a Lava Jata continue com força e vigor, que a Lava Jato do Rio seja tão ou mais eficiente que a de Curitiba, que os casos enviados para as varas do DF sejam julgados segundo os padrões estabelecidos nos casos anteriores já julgados, que a prisão em sentença confirmada por segunda instância seja confirmada como normativa, que os intocáveis Jucá, Renan, Maia, Padilha, Moreira Franco, Eunício e outros sejam alcançados pelos braços da Justiça, que haja sangue novo e novidade na forma de se fazer política.
Marcos Inhauser